Mostrando postagens com marcador vinho brasileiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vinho brasileiro. Mostrar todas as postagens

16.3.12

Basta. Boicote já.


Em diversas análises que fiz ao longo dos dois últimos anos no Conexão Francesa, ou aqui no Vinho sul França, sempre disse que considerava o grande produtor de vinho brasileiro um míope de marketing. Posicionando seus produtos equivocadamente, negligenciando a base da pirâmide e sempre mirando no alto com preços absurdos. Quando os maiores produtores nacionais convenceram o governo a lançar o selo fiscal, tal como existe no uísque, disse que era um tiro no pé. Parece que de fato o tiro foi no pé e agora os mesmos grandes produtores nacionais, não satisfeitos, querem dar um tiro na cabeça. Hoje quando pedem ao Ministério da Comércio e Indústria a aplicação de uma salvaguarda (aumentar o imposto de importação de 27% para 55%) para proteger a indústria do vinho nacional digo: são cegos e mal-intencionados. Ou você acha que a gigante Miolo precisa de proteção? Quem vai pagar esta conta é o consumidor.
Cego é aquele que não quer ver. Percebe o mercado crescendo, percebe que não consegue impor seu vinho medíocre e caríssimo. Se o espumante conseguiu um mercado, que lidera as vendas, é por que é de boa qualidade e tem preço bom. Vende muito mais do que os importados. Se seus tintos e brancos são caros e abaixo da média é por que tem algo errado com eles. Se o custo de produção é alto, peça ao governo apoio, lute por melhores condições. Se acha que encarecendo o importado vai ficar competitivo está muito enganado. Vinho ruim terá sempre uma relação prazer preço desvantajosa. Que melhore sua qualidade e volte a campo em melhores condições. Ou será que alguém paga para ir ao estádio ver jogo de quarta divisão?
Dou consultoria para produtores franceses exportarem para o Brasil mas já tentei, e tento ainda, exportar alguns espumantes de uva moscatel, método charmat, para os EUA, inclusive da Miolo, mas realmente eles conseguem ser mais caros do que os europeus de método champenoise, tradicional, normalmente de custo bem maior. Ganância desmedida e cegueira torpe, não há outra explicação. Custo Brasil? Talvez, mas só um pouquinho tá. Boicote ao vinho nacional já. Basta.

Voltarei ao tema. Santé.

3.7.09

Vinexpo: a esperança é o BRIC

Carlos Eduardo Nogueira da Miolo apresenta seus vinhos.

Na Vinexpo, em Bordeaux, de 21 a 25 de junho, pude notar a presença de muitos brasileiros e de gente de todo o mundo. Se a perspectiva do salão este ano era pessimista, com expectativa de menos 15% de publico, a realidade se mostrou mais otimista, menos 8%. Se não foi um evento para tirar o setor da crise, por outro lado ele fez seu trabalho e movimentou o mercado como de costume. Se para alguns foi melhor para outros foi razoável. Uma aposta no BRIC (Brasil, Índia, Rússia e China) se confirmou. É destes países que o mercado espera ter um crescimento de demanda antes dos demais. Um painel sobre o BRIC aconteceu durante o salão.

O Brasil esteve presente com alguns produtores como a Miolo, Lídio Carraro, Casa Valduga e Dom Laurindo. Tive a oportunidade de provar os vinhos da Miolo e digo que gostei bastante do RAR(Rogerio de Almeida Rebouças) e do merlot Terroir, o badalado lote 43 me cansou. Achei muito importante a participação brasileira, todos juntos sobre a mesma bandeira tal qual Chile, Argentina, Itália, Espanha,... Brasil já confirmou presença em Vinexpo Hong Kong 2010 e Bordeaux 2011, com mais expositores. Sucesso. Qualidade tem. Espero que no Brasil possamos tomar os mesmos vinhos com os preços exportação. Sensivelmente mais baixos.

Se a presença estrangeira representou 35% do publico presente, foram os cavistas (lojistas) franceses, que sofrem mais a crise, que deram o bolo. Do lado internacional Coréia e Formosa decepcionaram. Brasil, China e Europa do norte aumentaram sua participação. Estavam presentes: Grand Cru, Interfood, Casa Flora, Expand, Casa do Porto, Tio Sam, Vinea Store, Cantu, Santa Luzia, Club du Taste Vin, Fasano e Zona Sul. Rio, São Paulo e Bahia disseram presente.

Dânio Braga, o craque nacional, era cumprimentado por onde passava, em italiano, francês, espanhol,...François Dupuis mesmo com agenda cheia tinha tempo para um papo com os amigos. Jorge Lucky se desdobrava entre a sala de imprensa, degustações, a consultoria para a Interfood e nos momentos de folga um alô pros coleguinhas. Arthur Azevedo, sempre simpático, percorria os stands ora com os sommeliers profissionais ora com importadores brasileiros. Aguinaldo Zakea acompanhava o boss da sempre ativa Vinea Store Walter de Souza e seu diretor de marketing Ivan Hannickel. O atencioso Roberto Jerfer, Fernanda Milred e Ana Rita da Expand visatavam antigos e novos fornecedores. Espero que todos tenham feito bons negócios.

Os grandes do Languedoc Roussillon ficaram no pavilhão 1 junto aos outros grandes châteaux, domaines e negociantes. Foi o caso de Chamarré, Gerard Bertrand, Jean Jean, Sieur d’Arques e Val d’Orbieu ( Vignerons de la Mediterranée). No pavilhão dois os independentes do Languedoc se juntavam a italianos, espanhóis e alguns bordelenses. Destaque para Famille Fabre, Rocbère e Bon Fils.

Esta é a sala de imprensa, mas bom mesmo era o bar da imprensa na sala ao lado.

3.3.09

O vinho brasileiro não se dá conta da sua importância

A famosa frase de D. João VI cai como uma luva para o vinho nacional “- Antes para ti que para qualquer um destes aventureiros”.



O vinho brasileiro, infelizmente, é caro. Uma pena. Muita tecnologia, equipamentos modernos, financiamento bancário com juros brasileiros, excesso de mão de obra no vinhedo e nas adegas e, acredito, que também o clima chuvoso que exige muito tratamento. Se o vinho brasileiro fosse mais barato, se este pudesse ser no mínimo a porta de entrada de consumo, o mercado seria bem maior para todos. Claro que haveria também lugar para grandes vinhos nacionais. Como há hoje para os espumantes. Incrivelmente de preço super competitivos e de boa qualidade. Se o espumante pode porque o tinto ou branco e o rosé não podem? Um rosé simpático num país quente como o nosso seria uma mão na roda.

Na Argentina um Chandon, tradição, está a 35 pesos na promoção e 46, na tabela, no supermercado Jumbo, um dos líderes. Taxa de câmbio: 1 Real = 1,5 Pesos

Antes que digam que defendo para o vinho brasileiro o papel único e exclusivo de vinho do dia a dia aviso- “não defendo este ponto de vista”. Quero mostrar que mesmo na França no século XX até os anos 70, enquanto Bordeaux e Borgonha construíam sua fama o Languedoc se enriquecia fazendo o vinho ordinário. Repito se enriquecia. O vinho industrial foi sinônimo de prosperidade na região até 1950. Época em que o francês consumia 100 litros per capita. Hoje tudo mudou e o Languedoc faz vinhos de excelência e continua tendo o melhor preço da França. O primeiro mercado é o interno e o primeiro vinho de cada um deve ser o nacional. Quando estes objetivos forem atingidos o vinho vai se vender em grandes volumes no Brasil e o vinho importado terá também um mercado muito maior.

O vinho brasileiro, neste momento, terá mostrado sua carta de visita e poderá vender, sem vergonha, vinhos caros e de alta qualidade pois, será ele que terá moldado o paladar do brasileiro. Como diria D. João VI “- Antes para ti que para qualquer um destes aventureiros”.