11.10.09
Ganhe uma viagem à França e mais 19 prêmios
26.9.09
Os vinhos do Languedoc Roussillon
Os vinhos do Sul da França vêm conquistando seu espaço no Brasil. É um caminho longo, mas acredito que em breve o Languedoc Roussillon será líder entre os franceses em volume e com um bom preço médio. Explico. Nos últimos 30 anos a região passou por uma grande transformação qualitativa, porém a história começa bem antes.
Na antiguidade romana os vinhos do Languedoc haviam conquistado o Mediterrâneo e mesmo Roma, fato declamado por Plínio, o velho. Este sucesso vai provocar a ira dos produtores romanos e a publicação de um decreto do imperador Domiciano, ordenando que fossem arrancadas metade das vinhas da região. O decreto nunca foi cumprido e as cepas ficaram. Após as invasões bárbaras e a queda do Império há o declínio da viticultura que vai voltar na idade média pelas mãos de monges e abades. Na abadia beneditina de Saint Hilaire, em Limoux, vai nascer em 1531 o primeiro espumante do mundo. D.Pérignon, beneditino, vai conhecer a Blanquette de Limoux durante uma peregrinação e em seguida desenvolver a champagne. Isto é, mais de 100 anos depois do brut de Limoux conforme reconhece o INAO, o organismo oficial dos AOCs da França. No supermercado Zona Sul você encontrará o Crémant de Limoux, método tradicional e no site Bom Vinho a Blanquette de Limoux métodos Ancestral, aquele da idade média e o tradicional ou champenoise. No século XVIII vamos ter vinhos da região exportados para todo a Europa e mesmo para as Américas.
Vai ser a partir da era industrial que a região vai se enriquecer. O consumo de vinho na França chega a 100 litros por pessoa, mas lembre-se nesta época o vinho fazia em média apenas 9 graus. É neste momento que a região descobre o filão do vinho barato e de fácil consumo. Os vinhedos se mudam para as planícies, mais produtivas que permitem um maior rendimento, uvas como a aramond, extremamente produtivas, são introduzidas. Grandes volumes inundam a França e a Europa. A região se enriquece, palacetes e grandes mansões são construídas, até que em 1950 este consumo começa a mudar e se dirigir a um vinho de melhor qualidade. O declínio leva à crise de um modelo exausto. Os produtores tomam consciência e a vanguarda começa, ainda nos anos 70, a trocar a aramond por uvas nobres como a syrah, merlot, cabernet e chardonnay. Os vinhedos saem da planície e voltam para as encostas. O rendimento despenca de mais de 120hl/ha para conservadores 45hl/ha. As técnicas de condução e vinificação atingem o estado da arte nos anos 90.
O resultado é que em 1998, ano de uma boa safra, os vinhos do Languedoc Roussillon ganham todas as recomendações dos críticos. Um vin de Pays d’Oc, o Cuvée Mythique vai ultrapassar a fatídica barreira dos 90 pontos de Robert Parker, que separa os muito bons dos excelentes, e receberá do crítico americano a nota 92. É a primeira vez que um vin de pays, vinho regional, atingirá esta marca. O vin de pays é em geral o vinho bom do dia a dia e os grandes vinhos são normalmente os AOC, denominação de origem controlada. Na verdade o rigor da legislação AOC, que limita o uso de certas castas em determinada região, obriga o produtor que deseja usar outra uva que a determinada por decreto, para aquela região a ser classificado como vin de pays. É verdade que o vin de pays pode ter um rendimento maior que o AOC, mas isto não é obrigatório.
De 98 aos dias de hoje Robert Parker, Jancin Robinson e as revistas especializadas, Wine Spectator, Decanter e a Revue du Vin de France e mesmo grandes jornais como Le Figaro tem chamado o consumidor a descobrir esta região. Afinal, seus vinhos são bons e de melhor preço por serem menos notórios. A denominação de origem Corbières, a maior do Languedoc, é a 10ª mais conhecida na França hoje, segundo diversas pesquisas, e no Brasil é o AOC com maior presença. Se o Languedoc responde por 1/3 de todo o vinho francês e 20% dos AOCs é normal que queira ter um papel de liderança no Brasil. Seus vinhos por terem economia de escala, lembre-se este é o maior vinhedo contínuo do mundo, estão conseguindo disputar com chilenos e argentinos em todas as faixas de preço. No segmento abaixo de 30 reais vamos ter vinhos bons a partir de R$18 em supermercados de todo o Brasil. Estes podem ser pontuados na faixa de 80 pontos. Num segmento entre 30 e 70 reais vamos encontrar vinhos muito bons. Acima deste patamar os excelentes. Vale dizer que o vinho do dia a dia na França ou no Brasil são o do primeiro segmento, mais em conta. Os outros são para momentos especiais.
Para aumentar as vendas no Brasil Sud de France, a marca guarda-chuva dos vinhos do Languedoc Roussillon, vem realizando há três anos no Brasil ações para aumentar a notoriedade dos seus vinhos. Seja apoiando promoções em supermercados, seja treinando profissionais, sommeliers, seja realizando o Festival Sud de France. Idéia que nasceu no Brasil e que hoje é realidade em Londres, Xangai, Cidade do México e Nova Iorque. A idéia de ter um embaixador, como o chef Roland Villard já foi copiada na Coréia do Sul e no México. A novidade agora é a criação do Club Sud France, a “patota” do Embaixador que vai ajudar a criar uma rede viral, um buchicho de craques que vão fazer a Região ficar mais conhecida. No Brasil o seleto grupo vai contar com os chefes franceses Jean Yves Poirey do Othon, Olivier Cozan do XX e os radicados em SP Pascal Valero do Kaa, Patrick Ferry do P.Verger, os especialistas em vinho Dânio Braga, presidente da ABS Brasil, Euclides Penedo Borges, presidente da ABS-Rio, e do craque de vôlei Nalbert que tem um pé na França. Até o final do ano o Club surgirá na França e deverá ter nomes como Olivier Poussier e Philippe Faure-Brac, melhores sommeliers do mundo.
Num ano em que a França recuou 11% em volume e cresceu 9% em valor os Vin de Pays d’Oc conseguiram crescer nos dois itens. Acho importante ganhar mercado para habituar o paladar brasileiro a um vinho mais elegante, com mais personalidade, rusticidade, autenticidade e menos madeira. Afinal, nos últimos vinte anos o brasileiro bebeu muito mais vinhos do Chile e Argentina do que os do Velho Mundo. O que com certeza modificou o hábito do consumidor brasileiro atual se comparado ao consumidor dos anos 80.
Os vinhos da França habitualmente possuem maior valor unitário do que os vinhos do Novo Mundo e mesmo do que italianos e portugueses. O que normalmente os posiciona no topo da pirâmide de consumo, restringindo o acesso. Os vinhos do Languedoc começam a mudar isto e democratizam o estilo francês de fazer vinho tornando-os acessíveis a um público maior. Via a democracia.
17.9.09
Club Sud de France - lançamento mundial no Rio de Janeiro dia 10/10
Chef Roland Villard, Embaixador dos vinhos e gastronomia do Sul da França receberá seus "cônsules" na beira da piscina do Sofitel Rio para um vind'honneur.A Região Languedoc Roussillon está criando o Club Sud de France em todo o mundo e o primeiro, como sempre, será no Brasil. Um time de primeira grandeza que vai ajudar a falar do Languedoc Roussillon. Serão os melhores sommeliers, chefs, restaurateurs, importadores, jornalistas e enófilos comprometidos com a França e o Languedoc Roussillon em particular. O grupo é seleto, 50 pessoas no Brasil farão parte desta elite. Em breve teremos 50 na França, no Japão, na China, no México, nos EUA... Um Club do qual participarão craques como Olivier Poussier, Philippe Faur- Brac, Pierre Troisgros e muitos outros que estão sendo selecionados.
Vamos criar um cartão personalizado dos membros, uma newsletter mundial com versão em português e com notícias sobre os vinhos do Sul da França no Brasil, desconto em lojas e importadores. O site do Clube divulgará a lista mundial em breve.
Mas para falar a turma tem de se encontrar e estar sabendo de tudo.
O primeiro encontro será dia 10 de outubro no Sofitel Rio às 11 horas na pérgula da piscina onde faremos um vin d’honneur com grandes vinhos, queijos e frios. Roland Villard, chef do Le Pré Catelan e nosso embaixador estará recebendo vocês com todas as honras. Haverá a entrega de material do Club como um “cuteau de sommelier” e outros gadgets
Gostaria de saber de sua disponibilidade pra comparecer a este primeiro encontro e assim pedir ao Presidente da Região Languedoc Roussillon que encaminhe um convite formal.
Claro que é de graça e em breve inúmeras vantagens e prêmios serão oferecidos aos membros.
8.9.09
Degustação e Wine Games na SBAV São Paulo
7.9.09
II Concurso ABS/Sud de France de Vinhos do Sul da França

O II Concurso vai conferir medalhas de ouro, prata e bronze aos vinhos, classificando-os conforme sua qualidade. Os importadores receberão etiquetas para colar nas garrafas com a assinatura dos dois parceiros. A seleção começa pela manhã na sala vermelha do Le Pré Catelan e a grande final acontece à tarde. O júri é formado por especialistas da ABS e jornalistas especializados.
Os convites estão à venda na ABS Rio. Sócios 40 reais e convidados 60 reais. Apenas 100 convites disponíveis. Os convidados receberão uma taça ISO personalizada da Sieurd'Arques/Aimery, qualidade Cambé, para a degustação.
24.8.09
Começou a colheita 2008 no Languedoc
Do ponto de vista qualitativo as uvas estão sãs e com bom equilíbrio açúcar - acidez afirma o diretor técnico de Aimery, Guilhem Marty. "Nós temos todas as razões para estarmos otimistas, pois o tempo seco e quente das últimas semanas vai nos proporcionar uva em perfeito estado sanitário. O stress hídrico vai atrasar algumas parcelas, mas aqui em Limoux o solo é argilo calcáreo que retém a umidade. Outro fator importante em relação àos outras denominações do Languedoc é de estamos numa região que sofre menos com o calor devido à altitude e a influência oceânica. Teremos uma colheita menor em uvas brancas e maior em tintas do que no ano anterior".
As colheitas dos vinhos AOC de Limoux são feitas em caixas onde os cachos são depositados delicadamente para evitar que os bagos sejam amassados, para evitar a oxidação ou início de fermentação e garantir uma vinificação de alta qualidade. O volume este ano deve ser o mesmo do ano anterior com 150 mil hectolitros, prevê Marty diretor de Sieur d'Arques.
30.7.09
O resultado do concurso Corbières 2009
Medalha de ouro tinto com madeira: Cuvée Sextant 2006 do Celliers d’Orfée, Eidos 2007 do Château La Bastide(Decanter), L’Optimée 2007 Château La Bastide ( Decanter), C de Camplong, Cooperativa de Camplong ( Enoteca Fasano) e Cuvée de Vignerons de Camplong ( Enoteca Fasano).
Medalha de ouro tinto sem madeira: Peyres Nobles de Camplong ( Enoteca Fasano).
Medalha de prata branco: Blanc Tradition, Château La Bastide (Decanter).
Medalha de bronze tinto com madeira: Château St. Esteve (Zona Sul) e Chris Limouzy, Celliers d’Orfée.
3.7.09
Vinexpo: a esperança é o BRIC
Na Vinexpo, em Bordeaux, de 21 a 25 de junho, pude notar a presença de muitos brasileiros e de gente de todo o mundo. Se a perspectiva do salão este ano era pessimista, com expectativa de menos 15% de publico, a realidade se mostrou mais otimista, menos 8%. Se não foi um evento para tirar o setor da crise, por outro lado ele fez seu trabalho e movimentou o mercado como de costume. Se para alguns foi melhor para outros foi razoável. Uma aposta no BRIC (Brasil, Índia, Rússia e China) se confirmou. É destes países que o mercado espera ter um crescimento de demanda antes dos demais. Um painel sobre o BRIC aconteceu durante o salão.
O Brasil esteve presente com alguns produtores como a Miolo, Lídio Carraro, Casa Valduga e Dom Laurindo. Tive a oportunidade de provar os vinhos da Miolo e digo que gostei bastante do RAR(Rogerio de Almeida Rebouças) e do merlot Terroir, o badalado lote 43 me cansou. Achei muito importante a participação brasileira, todos juntos sobre a mesma bandeira tal qual Chile, Argentina, Itália, Espanha,... Brasil já confirmou presença em Vinexpo Hong Kong 2010 e Bordeaux 2011, com mais expositores. Sucesso. Qualidade tem. Espero que no Brasil possamos tomar os mesmos vinhos com os preços exportação. Sensivelmente mais baixos.
Se a presença estrangeira representou 35% do publico presente, foram os cavistas (lojistas) franceses, que sofrem mais a crise, que deram o bolo. Do lado internacional Coréia e Formosa decepcionaram. Brasil, China e Europa do norte aumentaram sua participação. Estavam presentes: Grand Cru, Interfood, Casa Flora, Expand, Casa do Porto, Tio Sam, Vinea Store, Cantu, Santa Luzia, Club du Taste Vin, Fasano e Zona Sul. Rio, São Paulo e Bahia disseram presente.
Dânio Braga, o craque nacional, era cumprimentado por onde passava, em italiano, francês, espanhol,...François Dupuis mesmo com agenda cheia tinha tempo para um papo com os amigos. Jorge Lucky se desdobrava entre a sala de imprensa, degustações, a consultoria para a Interfood e nos momentos de folga um alô pros coleguinhas. Arthur Azevedo, sempre simpático, percorria os stands ora com os sommeliers profissionais ora com importadores brasileiros. Aguinaldo Zakea acompanhava o boss da sempre ativa Vinea Store Walter de Souza e seu diretor de marketing Ivan Hannickel. O atencioso Roberto Jerfer, Fernanda Milred e Ana Rita da Expand visatavam antigos e novos fornecedores. Espero que todos tenham feito bons negócios.
Os grandes do Languedoc Roussillon ficaram no pavilhão 1 junto aos outros grandes châteaux, domaines e negociantes. Foi o caso de Chamarré, Gerard Bertrand, Jean Jean, Sieur d’Arques e Val d’Orbieu ( Vignerons de la Mediterranée). No pavilhão dois os independentes do Languedoc se juntavam a italianos, espanhóis e alguns bordelenses. Destaque para Famille Fabre, Rocbère e Bon Fils.
Esta é a sala de imprensa, mas bom mesmo era o bar da imprensa na sala ao lado.
20.6.09
Brasil é o segundo maior consumidor de vinho da América Latina
Um recente estudo sobre o consumo de vinho no Brasil publicado pelo IWSR (International Wine and Spirit Record) coloca o Brasil como o segundo país consumidor da América Latina, logo depois da Argentina. O consumo atual é de 326 milhões de litros e o IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho) prevê um crescimento de 13% até 2011 elevando o total para 369 milhões de litros. O consumidor brasileiro está buscando vinhos de melhor qualidade, o que tem feito aumentar a importação. Isto fez com que no período de 2002 a 2007 ocorresse um aumento de 220% no volume e de 300% em valor dos vinhos importados. Esta tendência também beneficiou o produtor brasileiro de vinhos finos.
A crise mundial afetou as exportações e alguns importadores, mas parece que tudo volta a entrar num ritmo normal. A Vinexpo que começa dia 21 em Bordeaux e reúne a nata dos produtores mundiais e com enorme presença dos produtores do Languedoc Roussillon, terá um expressivo número de importadores brasileiros presentes. Destaque para Casa Flora, Casa do Porto, Zona Sul, Cantu, Fasano e Santa Luzia. Afinal, o consumidor brasileiro começa a se voltar para a qualidade e a diversidade. Neste quesito o Velho Mundo ganha de goleada.


