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17.10.08

Université - Uma reflexão sobre o vinho


Terminada a colheita passamos à reflexão. Não sem antes comemorarmos a chegada da nova safra com o "vin primeur". É de hábito na França realizar anualmente uma Université, todos os partidos políticos realizam a sua ao fim do verão. Trata-se de um grande encontro com animações, debates, degustações, exposições, conferência e tudo mais que couber para badalar e refletir sobre o vinho.
Este ano a associação Pays Corbières Minervois, que recebe boa ajuda dos diversos órgãos públicos municipais, regionais, europeus e sindicais realiza sua versão 2008, a terceira. Sou bastante crítico quanto à forma do uso deste dinheiro dos produtores e dos cidadãos. Acho que não é a melhor maneira de debater e de criar políticas comuns que aumentem a visibilidade dos vinhos da região e que melhorem a compreensão por parte dos viticultores dos caminhos que devem trilhar para sobreviver e viver do seu trabalho. Acho que é mais uma ação entre amigos e políticos para comprar umas caixinhas de vinho aqui e acolá, fazer um agrado clientelista e calar a boca dos insatisfeitos. Mas os temas deste ano me estimulam a ir dar uma olhada de perto em alguns debates.
O tema central- "É o vinho um produto cultural?" e seguem as perguntas: O que herdamos nós? Que lugar tem o vinho na nossa história? Será ele um patrimônio? Quais são nossas forças, nossos deveres e esperanças para uma viticultura durável? Como os homens moldam uma história, desenham uma economia e criam sua própria riqueza?
Como historiador que fui só a última pergunta me provoca milhares de questionamentos desde sua formulação até uma resposta mais metódica. Sem entrar nestes meandros doutrinais o objetivo desta Universidade é de debater o vinho como identidade cultural que molda a paisagem da região do Languedoc desde a antiguidade até os dias de hoje. E mais uma pergunta se coloca "Existe vinho sem identidade?". Haja pano para manga.
A Universidade acontecerá em Lézignan-Corbières e suas cidades próximas nos dias 24 e 25 em paralelo aos eventos do Vin Primeur.
Depois eu conto como foi.

27.9.07

Nada se cria, tudo se copia.




E nós franceses, mesmo os naturalizados, nos vangloriamos do nosso sistema de denominação de origem para qualificar um vinho. Método tão copiado pelo mundo a fora. Mas não é que lendo um extrato do novo livro de Jean Clavel, a Mundialização do Vinho, que será lançado em fevereiro 2008 durante a VINISUD, em Montpellier, descubro que tudo começou com os romanos. Veja só.
"Marcial poeta libertino do imperador Domiciano (que reina de 81 a 96 e edita os primeiros decretos regulamentando a viticultura gaulesa) descreve os jantares romanos desta época e classifica os vinhos servidos em função da sua origem, o Falernus é o primeiro, mais o vinho de Sezzia du Latium é reputado, e às vezes ele aprecia um vinho de casta, um picpoul ou um vinho gaulês da (casta) allobroges de Vienne la Vineuse!”
Para adicionar um pouco mais de história podemos lembrar que o vinho do Languedoc era exportado para a Grécia, Turquia, Egito e torna-se o principal fornecedor de Roma. O que provoca a ira dos viticultores romanos que arrancam de Domiciano um decreto, em 92, determinando a retirada de 50% das vinhas da província gaulesa.