20.3.07

Sieur d'Arques abre o cofre para lançar Bulles de Blanquette


O grupo Sieur d'Arques líder na produção de vinhos espumantes em Limoux, sul da França, com 65% da produção da apelação, prepara uma estratégia ambiciosa para promover seus AOC Blanquete de Limoux no mercado mundial. O produtor investirá 3 milhões de reais na promoção da marca Aimery, La Boulle (A Bolha) de Limoux e para o lançamento mundial do top Bulle de Blanquette. O objetivo segundo o diretor geral Alain Gaida é de reposicionar a marca Aimery e a Bulle de Blanquette mais próximos da Champagne. A campanha começa 5 de maio.Na França a mídia privilegiada será o outdoor e no mercado internacional eventos e promoções. Gaida aproveita o cenário favorável do mercado de espumantes para realizar estas ações.
Sieur d'Arques-Aimery reúne 400 viticultores e tem faturamento bruto de 50 milhões de euros, comercializando 5,3 milhões de garrafas de espumantes e 5,2 milhões de vinhos tranqüilos.

16.3.07

Jean Jean compra Moueix-Lebègue


Jean Jean o grande negociante do Herault, Sul da França, estende seu raio de ação até Bordeaux. Este ganhou a disputa judicial com o Grand Chais de France e coloca a mão sobre o negociante e produtor Moueix-Lebégue, com seus 300 ha na margem direita de Bordeaux e suas prestigiadas marcas de vinho Château Lestage Simon, Cru bourgeois Haut Médoc, em Saint-Émilion Grand Cru nos Château Cantin, Château Bellevue-Figeac, em Côtes de Bourg no Château Dupeyrat-Plouget, em Fronsac no Château du Carillon, em Bordeaux Supérieur nos Château l’Espérance, Château Noble Meynard, Château Bel Air, Château Grand Renom e em Graves no Château Haut Mayne.
Jean Jean já promete apresentar uma nova gama de vinhos de Bordeaux durante a Vinexpo.

14.3.07

Gosto brasileiro e inglês formam tendência

Na Inglaterra as vendas dos vinhos AOC do Languedoc, sul da França, aumentaram de 10,72% em volume nos últimos dois anos. Por outro lado os vinhos franceses com preço abaixo de 3 libras e aí se incluem os vinhos regionais, VDP, e as marcas dedicadas de supermercado, MDD, perderam 16,4% em volume também nos últimos dois anos. Em resumo: a qualidade segue se impondo enquanto referência de vinhos franceses. Lá os australianos seguem na ponta apesar do crescimento dos AOC franceses, os americanos se apresentam num muito próximo terceiro lugar.
É interessante olhar o mercado inglês, pois este é composto de consumidores muito semelhantes aos brasileiros. Calma, explico. O inglês por não produzir vinho (para, para eu sei que o Brasil produz vinho) bebe vinho de todo canto, do Chile, da Argentina, da Califórnia, da França,... neste ponto o brasileiro é como o inglês, tem uma boca internacional. Aqui na França a turma é muito bairrista e com razão certo? Mas o fato é que o paladar inglês torna-se referência, muito mais que o americano, este também é muito bairrista - êta bairro grande, com razão? Certamente não. Creio que uma tendência que se constrói é a de que o nosso consumidor e para ser mais preciso nossos enófilos e sommeliers, pra quem prefere, especialista em vinho, sejam, em breve, uma referência tal qual o são os formadores de opinião ingleses hoje. Por que falar tudo isso? Pra dizer que os vinhos do Sul da França estão chegando no Brasil e para ficar, tal qual na Inglaterra. Com certeza uma convergência de tendências está se formando.

11.1.07

Cave de envelhecimento de Rocbère.

Posted by Picasa A cave da cooperativa de Rocbère,AOC Corbières, sul da França, fica numa antiga mina de gesso, a 80 metros de profundidade, com temperatura e higrometria constantes é um local ideal para o envelhecimento em barricas. Conhecido como Terra Vinea é muito visitado por turistas.

Os vinhos de Cooperativas do Languedoc

Há quem diga que cooperativa só faz vinho ruim. Cantiga comum na boca dos maiores especialistas. Esta afirmação esteve próxima da verdade há 20 anos atrás, quando todos os viticultores do Languedoc faziam vinhos ruins. Como se sabe esta realidade mudou. Nas diversas apelações do sul da França, como Corbières, Fitou e Minervois os métodos de condução dos vinhedos, a substituição de certas castas, a melhoria dos métodos de vinificação e a busca da qualidade e não mais do volume foram responsáveis por esta evolução. Na verdade o que se viu foi uma mudança na mentalidade do viticultor. A partir dos anos 70 diversas apelações se tornam AOC, uma recompensa ao esforço de cooperados e produtores independentes.

12.10.06

A Origem do Primeiro Brut do Mundo

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Foto: vinhedo em Limoux

Publicado originalmente em Vinho Magazine edição 71 - Fevereiro 2007

Quando se fala de vinho não é possível deixar de lado a história, uma história que conta a evolução de um povo e de sua cultura, especialmente em se tratando do Mediterrâneo, berço de inúmeras civilizações e religiões. Pois é lá que nasce uma bebida mítica: o Brut.

Em Limoux, Aude, sul da França, as vinhas foram plantadas primeiro pelos etruscos e gregos e posteriormente pelos romanos. São os veteranos legionários romanos que para ocupar a região recebem terras nas quais irão ampliar os vinhedos existentes plantando às margens dos rios. Os não Romanos não possuíam o direito de plantar nem a vinha nem as olivas. O vinho de Limoux vai ser exportado para Roma e ganhar fama como atesta Tito Lívio (59 AC.- 17D.C) em sua “História Romana”. As invasões visigodas e posteriormente francas vão devastar os vinhedos, nos ensina o enólogo Laurent Mingaud, diretor comercial da Cooperativa Sieur d’Arques-Aimery.
Será na Idade Média que monastérios e abadias serão fundados no Midi e que irão relançar a plantação das uvas viníferas. Os beneditinos fundarão nas proximidades de Limoux a abadia de Saint Hilaire.
Mingaud conta que a galeria oeste da abadia abrigava as adegas onde os monges vinificavam e estocavam seus vinhos. Foi aparentemente por acaso que os beneditinos produziram o primeiro brut. Um monge descobriu que o vinho branco que ele havia cuidadosamente fechado formava bolhas como se uma segunda fermentação se iniciasse. Foi com um pouco de sorte que a Blanquette de Limoux, o primeiro brut do mundo, nasceu em 1531. Documentos históricos de 1544 atestam que o Sieur d’Arques (Senhor dos Arcos), um poderoso senhor feudal do Razès, comemorava suas vitórias militares com a Blanquette.
Limoux vê nascer a Blanquette Ancestral, bebida pouco alcoolizada e suave, que tem uma segunda meia-fermentação na garrafa. Feita de uvas mauzac, chamada na região de blanquette, isto é, branquinha devido a sua cor clara.
Será somente duzentos anos depois que Dom Pérignon (1639-1715), também um monge beneditino, responsável pela cave da abadia de Hautvilliers, próxima a Epernay, irá desenvolver o método champenoise, hoje chamado também de tradicional. Seria apenas coincidência o fato de ambos serem da mesma ordem religiosa?, pergunta Mingaud. Dom Perignon, grande estudioso da enologia, irá buscar em Limoux o conhecimento necessário para desenvolver a Champagne, que terá uma segunda fermentação completa.
O que faltou então para que a Blanquette ficasse famosa como sua co-irmã, a Champagne? Com certeza a ausência de um autor, de um pai da descoberta, dificultou a comunicação. Outro fato importante é que em Saint Hilaire não houve um Dom Grossard, último sucessor da abadia de Hautvilliers, antes da revolução francesa, que deu frutos à sua imaginação criando os mitos champagne e D.Pérignon a difundindo a por toda a Europa. A distância da corte com certeza também foi uma componente geográfica determinante na época.
Hoje a Blanquette e o Crémant de Limoux, os dois brut da região, têm um longo caminho a percorrer para igualar a fama da Champagne, porém, a distância vem se encurtando tanto na qualidade quanto na comunicação e nas vendas. A segunda apelação de brut mais vendida nos Estados Unidos é o AOC Limoux, atrás apenas de Champagne. Claro.

Colheita foi excelente no Languedoc


Após um verão muito seco com raras e esparsas chuvas a colheita de brancos e tintos se deu de forma excelente. Maturidade, acidez, açúrares, potencial fenólico, tudo muito bom. Em razão da seca as doenças provocadas por cogumelos não atacaram as vinhas, as uvas estava todas sãs na hora da colheita. Agora é aguardar a vinificação e fazer o teste no copo já com o vinho novo. Vale lembrar que o primeiro "vin primeur" é do departamento do Aude, no Languedoc, sul da França, terra do Corbières, Fitou, La Clape, Limoux, Malepére e parte do Minervois.