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20.12.08

Casal Sarkozy recebe no MAM com Crémant de Limoux


Carla Bruni Sarkozy chegam ao Brasil em visita oficial.


A recepção que Nicolas Sarkozy e Carla Bruni-Sarkozy oferecem à comunidade francesa no Brasil será no MAM. Local emblemático, pois muito perto da Ilha de Villegagnon, França Antártica, tentativa francesa de conquista do Brasil na época colonial. Na época os “huguenotes”, protestantes, chamavam nosso Pão de Açúcar de "pote de manteiga" devido a sua forma. Pelo visto o nome não pegou.

Na ocasião será servido o brut Crémant de Limoux Grand Cuvée 1531 da Aimery, vendido apenas no empório carioca Zona Sul. Ano passado este espumante do Languedoc foi eleito pela revista Stern, na Alemanha, o sexto melhor do mundo, perdendo apenas para algumas poucas e excepcionais champagnes. A seleção foi do chef Roland Villard responsável pelo cocktail presidencial. Afinal, Roland como Embaixador do Sul da França no Brasil não poderia fazer melhor escolha.

21.6.08

Noctambulles é o primeiro espumante VDP d'Oc


Noctambulles é o primeiro espumante VDP d'Oc

O sindicatos dos Vin de Pays d'Oc (vinhos regionais) depositou a marca comum Noctambulles para vinhos espumantes. O objetivo é criar espumantes com o selo VDP d'OC, o melhor em se tratando de vinho regional. Para tal o vinho de base deve ser VDP d'OC. Um caderno de encargos foi criado para garantir a qualidade do produto. Antes havia o AOC Limoux e os demais eram vinhos de mesa.
As primeiras garrafas devem chegar este ano. Mas o lançamento oficial será apenas na Vinisud 2010.
Para quem não lembra Oc quer dizer oui (sim) em Occitano, língua de forte origem latina ainda falada pelos antigos no Languedoc.

8.5.08

Mercado regula choro e a alegria do viticultor brasileiro



Tenho lido nos fóruns de vinho a chiadeira de alguns viticultores brasileiros que trocaram suas castas de mesa por vitis viníferas. O choro tem haver com a perda de mercado do vinho nacional para chilenos e argentinos. É bem verdade que a participação do vinho brasileiro tem caído ano a ano e neste início de ano ainda mais. Por outro lado os espumantes brasileiros estão em alta. Ganharam 10% de market share em 2007, mais 890 mil litros e repetem a dose no primeiro bimestre. O espumante argentino é o grande perdedor de 2007 com menos 1,15 milhões de litros e os italianos com menos 174 mil litros. França estável. (fonte Uvibra).
Por que será? O vinho brasileiro é nitidamente inferior a argentinos e chilenos e mais caro. O espumante brasileiro é infinitamente melhor do que os argentinos, chilenos e do que a grande maioria de espumantes italianos e mesmo de alguns franceses feitos pelo método de charmat. Parabéns ao viticultor brasileiro pelo seu espumante que só não é melhor que os bons Crémant de Limoux e Blanquette de Limoux do Sul da França.
O solo e o clima ajudam o Brasil a produzir um bom espumante e estão aí os recentes concursos Muscat e Chardonnay do Mundo que atestam e premiam sua qualidade. Por outro lado temos nossos vinhos tranqüilos que enfrentam, em geral, grande dificuldade climática para nos darem belas uvas. Muito tratamento e muita tecnologia exigem muito investimento e o resultado é preço alto.
O mercado está se regulando e se tem viticultor chorando de um lado do outro temos produtores felizes com a explosão dos espumantes nacionais. Se os impostos baixarem e se o vinho for tratado como alimento o consumo vai explodir. Basta baixar os preços.
E a pergunta que não quer calar: - Como o vinho brasileiro consegue ser tão caro? Vinho brasileiro a 100 reais? Quarenta euros? Desculpe mas pelo mesmo preço prefiro um Château Beychevelle, Saint Julien, Grand Cru Classé ou meia caixa de Cuvée Mythique Corbières.

5.5.08

Zona Sul traz o "Foire aux Vins" para o Brasil

O supermercado carioca Zona Sul lançou nesta sexta-feira o primeiro "Foire aux Vins", Feirão ou Festival do Vinho, no Brasil. O conceito é europeu e traz para o público uma grande oferta de vinhos a preços imbatíveis. É o momento de encher sua adega, seja pela grande variedade de produtos em preços promocionais seja por apresentar novidades. Na Europa são dois por ano o da primavera e o do outono. Pela estação do ano podemos dizer que este é o da primavera. O do outono coincide com a colheita da nova safra o que obriga realmente a esvaziar as prateleiras.
Curiosidade desta bela iniciativa do Zona Sul foi que ela surgiu de um papo com este blogueiro mês passado em Paris. Jantava no La Coupole, em Montparnasse, com Jaime Xavier, diretor do melhor supermercado carioca, quando lhe contei o que era o "Foire aux Vins" e que achava que havia espaço para esta iniciativa no Brasil. Ao voltar ao Rio Jaime, Claudio Pinto e o craque Dânio Braga deram tratos à bola e "le voilá" temos o primeiro Festival de Vinhos do Zona Sul.
São 68 vinhos de marcas de importação exclusiva a preços promocionais. Alguns recém lançados no Brasil como o Côte du Rhône Vielles Vignes medalha de prata no prestigiado Concurso de Grandes Vinhos da França, de Mâcon por R$16,98 e o Crémant de Limoux rosé, do Sul da França, a R$ 33,70, uma pechincha. Além de vinhos franceses há chilenos, italianos, argentinos, sul africanos, portugueses, espanhóis e australianos. Boas compras.

Leia abaixo matéria publicada ano passado no Blog.
Neste momento na França começam os Foire aux Vins da primavera. Para quem não conhece é um momento não apenas de venda de vinhos "encalhados", queima de estoque ou de oportunidades para os clientes. Muitos produtos que não são vendidos regularmente em um supermercado, cavista ou loja virtual são oferecidos. Mesmo restaurantes participam apresentando momentaneamente vinhos que não constam da sua carta habitual. O Feirão abre oportunidade para novos produtores, testa novos produtos e atrai milhares de consumidores. Uma fórmula que poderia funcionar muito bem no Brasil.
Neste momento, aqui na França, mesmo supermercados hard discount colocam produtos de alta qualidade para sua clientela.
Carrefour e Casino, no Brasil Pão de Açúcar, fazem o mesmo com grande destaque em seus encartes. É interessante notar que muitos consumidores aproveitam este momento para comprar novidades que normalmente não estão na gôndola, pois como é o Foire aux Vins os produtores lutam para participar e oferecem preços diferenciados para este momento, na expectativa de que seus produtos sejam bem aceitos e encontrem novos consumidores. O lojista também tenta neste momento sair da mesmice e atrair a curiosidade de sua clientela. O Carrefour mais próximo da minha casa, em Narbonne, Sul da França, cidade de 60 mil habitantes, colocou mesmo um sommelier para orientar os clientes, pois havia tantos vinhos novos de diferentes procedências da França e até do exterior que se fazia necessária uma orientação para os mais interessados. Afinal, a população do Sul da França é bairrista como no Rio Grande do Sul e dá preferência aos vinhos locais.
Os descontos variam de 5 a 50% mas isto não é o mais importante, muitos simplesmente aparecem nas prateleiras e cartas de vinho pela primeira vez.

8.1.08

Aumenta a exportação mundial de vinhos franceses - Parte I

Ações promocionais ajudaram a estimular as vendas.

Segundo os dados dos primeiros 10 meses de 2007 as exportações francesas de vinhos e destilados no mundo estão batendo um novo recorde e atingem a marca de 9 bilhões de euros, segundo Philippe Castejá Presidente da Federação de Vinhos e Destilados. Puxado por champagnes e cognacs, mas também com uma significativa alta de 8% dos vinhos tranqüilos, mais 67 milhões de garrafas. No Brasil os vinhos e espumantes franceses estão ligeiramente superiores aos de 2006 (dados de janeiro à outubro) que foi um ano de alta espetacular dos vinhos franceses no Brasil.
Este despertar dos vinhos do Hexágono no Brasil tem razões locais que se conjugam com um despertar mundial da vitivinicultura francesa. Deitado em berço esplêndido nos últimos anos o produtor francês acordou no meio de um pesadelo. Lei Évin, que restringiu a publicidade do álcool, maior rigor policial e redução da quantidade de álcool que um motorista pode consumir e dirigir (0,5 g de álcool por litro de sangue), queda do consumo para “apenas” 55 litros por habitante, menos 7 litros do que há dez anos. Chegada dos concorrentes do Novo Mundo com modernas técnicas de marketing, mais capital e métodos heterodoxos de vinificação até então tabu na França. Resultado: crise no setor.
Hoje apesar da crise não ter acabado, afinal 2/3 do vinho francês é consumido internamente, há uma clara luz no fim do túnel. O marketing tornou-se um assunto da moda no meio vitícola. Ações promocionais são realizadas em todo o planeta. Os resultados começam a ser colhidos. No Brasil acontece o mesmo, Provence e Sul da França na frente. Outras regiões já começam a ensaiar seus primeiros passos. Em conseqüência temos novos rótulos nas prateleiras, bons preços, diversidade de castas e denominações. Ganha o consumidor que foge da mesmice, descobre novidades do velho mundo e compra melhor. Continua amanhã.

21.12.07

Previsões para 2008

Caros internautas vamos consultar nossa bola de cristal e fazer nossas previsões para 2008, o ano cuja soma dos seus algarismos é igual a 10. Nota máxima. Vamos ter a chegada de grandes vinhos de Bordeaux de 2005, a millésime 10. Previsão infalível. Vamos ter o aumento dos preços dos brancos e não será de pouco não. Vejam vocês qua a Austrália grande produtora desta cor está importando horrores. Um aumento da importação de brancos de 35%, apenas até fim de outubro, totalizou 209 milhões de euros. Motivo a seca que segue assolando o país e que vai se agravar em 2008. O valor total de vinhos estrangeiros a serem adquiridos vai pular para 128 milhões de euros entre 2009 e 2010 e o consumo de vinho australiano cairá de 476 para 390 milhões de litros. Que queda.
Ainda falando de Novo Mundo a safra 2008 da África do Sul vai ser manter estável em relação a do ano precendente. Se não ajuda pelo menos não atrapalha.
Já as matérias secas, tudo que não é vinho, tem aumentado bastante sobretudo as garrafas, escassas e mais caras sofrerão ainda mais nas mãos do monopólio da Saint Gobain. O transporte devido ao aumento do custo do petróleo nem se fala. Junte-se a isto uma inflação européia de 2,6% e a força do euro. Felizmente no Brasil temos a força do Real que contrabalança esta valorização do euro frente ao dólar eoutras moedas.
Mas voltemos às boas notícias de 2008. O vinhos do Sul da França vão chegar com mais força no Brasil. Com excelente relação qualidade preço e falo aqui não apenas em vinhos baratinhos e bons, mas de grandes vinhos com preços muito atrativos. São vinhos que mesmo oscilando entre 86 e 92 pontos tem seus preços entre 35 e 80 reais. Os do dia a dia ficam entre 78 e 82 pontos, mas não chegam a 35 reais. Os espumantes entre 80 e 90 pontos vão de 35 a 70 reais. Bem em conta.
São vinhos do tamanho do bolso do brasileiro e com autenticidade. Vale descobrir cada château, cada domaine, cada varietal pois são todos diferentes. Cada um exprime seu terroir de forma diferente. Seja pelo clima, pela geologia, pelas castas, pelas mãos do produtor ou pela história que carrega em cada grão de terra e em cada descendente que segue produzindo uvas a várias gerações naquela que é a mais antiga região produtora da França, o Languedoc.

Ultima previsão: A rota dos vinhos do Sul da França vai ser lançada com muito sucesso e Narbonne sediará um curso de enologia para brasileiros em 2008. Afinal, Papai Noel existe.

Feliz Natal, um Próspero Ano Novo, muita saúde e ótimos vinhos.



P.S.: Voltamos no dia 3 de janeiro após merecido repouso na Toscana.

19.12.07

Os melhores brut segundo a revista alemã Stern. Aimey Cuvée 1531 é sexta colocada




Foi publicar no Blog e receber o resultado da degustação às cegas de espumantes e champagnes da revista Stern, da Alemanha. Realizada no dia 22 de outubro no Clube Anglo Alemão de Hamburgo a degustação reuniu 300 espumantes e champagnes vendidos regularmente na Áustria, Suíça e Alemanha. No júri sommeliers, enólogos, produtores, distribuidores, jornalistas especializados sendo um de Champagne. O Júri adotou como critério o padrão internacional da União de Enólogos para que o resultado pudesse ser parametrizado. Como vocês sabem transparência, qualidade, perlage, harmonia, intensidade...
Uma de nossas barbadas de ontem, a Crémant de Limoux cuvée 1531 Brut, emplacou o sexto lugar com 87,33 pontos na frente de Paul Roger, Veuve Clicquot, Duval-Le Roy, Jacquard, Charles Heidsieck, Nicolas Feuillatte e outras grandes Champagnes, Sekts, Spumantes, Franciacortas, Cavas e outros bruts. Em primeiro lugar no ranking aparece a Joseph Perrier Cuvée Royale 1998, safrada, seguida de Ruinart (rosé), Gosset Grande Réserve, Bollinger Special Cuvée Brut e Lallier Rosé brut. Com exceção da Lallier que custa lá 33 euros as demais estão entre 50 e 41 euros. A Crémant de Limoux custa apenas 9 euros! E no Zona Sul R$ 36,80 o equivalente a 14,20 €. Preço bem competitivo para a Terra Brasilis e sua ganância fiscal. A versão rosé atingiu 79,83 pontos. Com preço indicativo de 10€ no supermercado Zona Sul também a 36,80. Ambas também estão à venda no supermercado Super Nosso de Belo Horizonte. Aproveite mais esta barbada do Sul da França.

20.3.07

Sieur d'Arques abre o cofre para lançar Bulles de Blanquette


O grupo Sieur d'Arques líder na produção de vinhos espumantes em Limoux, sul da França, com 65% da produção da apelação, prepara uma estratégia ambiciosa para promover seus AOC Blanquete de Limoux no mercado mundial. O produtor investirá 3 milhões de reais na promoção da marca Aimery, La Boulle (A Bolha) de Limoux e para o lançamento mundial do top Bulle de Blanquette. O objetivo segundo o diretor geral Alain Gaida é de reposicionar a marca Aimery e a Bulle de Blanquette mais próximos da Champagne. A campanha começa 5 de maio.Na França a mídia privilegiada será o outdoor e no mercado internacional eventos e promoções. Gaida aproveita o cenário favorável do mercado de espumantes para realizar estas ações.
Sieur d'Arques-Aimery reúne 400 viticultores e tem faturamento bruto de 50 milhões de euros, comercializando 5,3 milhões de garrafas de espumantes e 5,2 milhões de vinhos tranqüilos.

12.10.06

A Origem do Primeiro Brut do Mundo

  Posted by Picasa
Foto: vinhedo em Limoux

Publicado originalmente em Vinho Magazine edição 71 - Fevereiro 2007

Quando se fala de vinho não é possível deixar de lado a história, uma história que conta a evolução de um povo e de sua cultura, especialmente em se tratando do Mediterrâneo, berço de inúmeras civilizações e religiões. Pois é lá que nasce uma bebida mítica: o Brut.

Em Limoux, Aude, sul da França, as vinhas foram plantadas primeiro pelos etruscos e gregos e posteriormente pelos romanos. São os veteranos legionários romanos que para ocupar a região recebem terras nas quais irão ampliar os vinhedos existentes plantando às margens dos rios. Os não Romanos não possuíam o direito de plantar nem a vinha nem as olivas. O vinho de Limoux vai ser exportado para Roma e ganhar fama como atesta Tito Lívio (59 AC.- 17D.C) em sua “História Romana”. As invasões visigodas e posteriormente francas vão devastar os vinhedos, nos ensina o enólogo Laurent Mingaud, diretor comercial da Cooperativa Sieur d’Arques-Aimery.
Será na Idade Média que monastérios e abadias serão fundados no Midi e que irão relançar a plantação das uvas viníferas. Os beneditinos fundarão nas proximidades de Limoux a abadia de Saint Hilaire.
Mingaud conta que a galeria oeste da abadia abrigava as adegas onde os monges vinificavam e estocavam seus vinhos. Foi aparentemente por acaso que os beneditinos produziram o primeiro brut. Um monge descobriu que o vinho branco que ele havia cuidadosamente fechado formava bolhas como se uma segunda fermentação se iniciasse. Foi com um pouco de sorte que a Blanquette de Limoux, o primeiro brut do mundo, nasceu em 1531. Documentos históricos de 1544 atestam que o Sieur d’Arques (Senhor dos Arcos), um poderoso senhor feudal do Razès, comemorava suas vitórias militares com a Blanquette.
Limoux vê nascer a Blanquette Ancestral, bebida pouco alcoolizada e suave, que tem uma segunda meia-fermentação na garrafa. Feita de uvas mauzac, chamada na região de blanquette, isto é, branquinha devido a sua cor clara.
Será somente duzentos anos depois que Dom Pérignon (1639-1715), também um monge beneditino, responsável pela cave da abadia de Hautvilliers, próxima a Epernay, irá desenvolver o método champenoise, hoje chamado também de tradicional. Seria apenas coincidência o fato de ambos serem da mesma ordem religiosa?, pergunta Mingaud. Dom Perignon, grande estudioso da enologia, irá buscar em Limoux o conhecimento necessário para desenvolver a Champagne, que terá uma segunda fermentação completa.
O que faltou então para que a Blanquette ficasse famosa como sua co-irmã, a Champagne? Com certeza a ausência de um autor, de um pai da descoberta, dificultou a comunicação. Outro fato importante é que em Saint Hilaire não houve um Dom Grossard, último sucessor da abadia de Hautvilliers, antes da revolução francesa, que deu frutos à sua imaginação criando os mitos champagne e D.Pérignon a difundindo a por toda a Europa. A distância da corte com certeza também foi uma componente geográfica determinante na época.
Hoje a Blanquette e o Crémant de Limoux, os dois brut da região, têm um longo caminho a percorrer para igualar a fama da Champagne, porém, a distância vem se encurtando tanto na qualidade quanto na comunicação e nas vendas. A segunda apelação de brut mais vendida nos Estados Unidos é o AOC Limoux, atrás apenas de Champagne. Claro.