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17.8.07

As Vinhas e a Franco-Maçonaria é lançamento que deve encantar "irmãos" e atrair a curiosidade de "profanos".




A Maçonaria, como se sabe, nasceu nas tabernas e desde os primeiros jantares ritualísticos os seus brindes marcam o ritmo dos "agapes". O vinho sempre teve um papel importante na Maçonaria e na sua sociabilidade. Desde a Antiguidade e nas "religiões de mistério" todos os movimentos religiosos e espirituais conferiram um caráter simbólico ao vinho. O que também é o caso da Maçonaria.

É por isso que Magali Aimé explora em seu Les Vignes e la Franc-Maçonnerie, este universo de simbolismo e história do vinho nesta sociedade discreta. O livro busca mostrar a íntima relação entre produtores maçons que levam para seu vinhedo toda a experiência adquirida nos templos maçônicos. Ainda não traduzido para o português.
No Sul da França Magali Aimé encontrou-se com Docteur Parcé do Domaine du Mas Blanc, em Banyuls-sur-mer e com Bernard Roubine do Les Vignerons de Maury, em Maury. Ambos buscam fazer com seus alicates de poda operativos e seus compassos especulativos, ano após ano, vinhos que se aproximem da perfeição.

2.4.07

Um vinhedo, uma personagem, um vinho




CLOS DE PAULILLES, BANYULS
Clos de Paulilles, na Côte Vermeille, Roussillon, Sul da França, é o maior vinhedo das apelações Banyuls e Colliure, situado entre Port Vendres e Banyuls sur Mer, fronteira com a Espanha. É desta apelação que se produz um primo do Porto, menos conhecido mas igualmente delicioso, o vinho doce natural Banyuls. As vinhas estão implantadas em forma de escada (terrasses) que descem magnificamente até o mar Mediterrâneo. Um território de exceção tendo os Pirineus na extremidade oriental, o solo de xisto pouco fértil, a influência do mar, o clima seco e ensolarado, o rendimento muito baixo de menos de 20 hl/ha das vinhas de uma casta típica do Sul da França, a grenache escura. Colhidas muito maduras e à mão vão nos oferecer este belo vinho do Clos de Paulilles, o Banyuls Rimage. Alie-se a isto a presença de uma proprietária que encanta e recebe muito bem, Estelle Dauré.

ESTELLE DAURÉ
Para os amantes do enoturismo uma visita imperdível é o almoço no seu restaurante sem fogão, apenas uma grande churrasqueira. Fica pertinho do Clos de Paulilles no Château de Jau também da família Dauré, no vale de Agly, no Roussilon e conserva o mesmo cardápio com que Estelle recebeu Giscard d'Estaing há 28 anos. Isto virou história. O prefeito a informa que o Presidente da República almoçará no Château, mas lá não havia cozinha. E ela não sabe dizer não. Recorre a um chef amigo, este pergunta onde fica a cozinha, ela responde que não tem. O chef pergunta onde os trabalhadores comem e o que eles comem. Estelle responde que os empregados assam suas linguiças, presunto e carnes num braseiro. Até hoje lá está a churrasqueira com o mesmo cardápio de carnes, presuntos e lingüiças típicas, que se juntam a saladas, sobremesas e chocolates que se harmonizam muito bem com este Banyuls Rimage.

BANYULS RIMAGE
As uvas não desengaçadas fermentam a temperatura controlada até a mutage (transformação). Seguem-se cinco semanas, duas a mais do que a média, de maceração sob álcool ou transformação sobre grãos, tecnicamente chamada de sur chapeau, é revirado (remontage) diariamente para extrair o máximo de cores, aromas e taninos. O engarrafamento é feito pouco após para preservar os aromas de frutas vermelhas característicos deste tipo de Banyuls. Harmoniza-se com sobremesas à base de chocolate, morango, amora e framboesa ou com foie gras e queijos azuis como o Roquefort.