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9.1.10

JBlog



Caros leitores,
Hoje o blog se muda de mala e cuia para o JBlog do JB. Vamos falar de todos os vinhos franceses, ampliando nossos temas. Voltarei a este blog esporadicamente. Continuem conosco. Rogerio
http://www.jblog.com.br/conexaofrancesa.php

30.12.09

Balanço e perspectivas de final de ano

Na ilustração o mapa do vinhedo orgânico (bio) da França.

O ano de 2009 acaba e deixa para trás muitas lembranças ruins para o mundo do vinho. A continuação da crise com consequente queda dos preços na produção, diminuição da quantidade de propriedades vitícolas, menor superfície plantada e diminuição da renda do agricultor. Desta vez mesmo os Grand Cru de Bordeaux e a Champagne, dois ícones do triunfo da viticultura francesa, sentiram o baque. Resultado foi queda do consumo e preços em baixa.
Apesar da crise e sem sermos muito otimistas alguns momentos de 2009 nos deram sinais bastante positivos.
As vendas dos dois maiores leilões de vinhos da França Hospices de Beaune, Borgonha, e Toques et clochers, Limoux, foram bem superiores a 2008, o que é um bom sinal para o ano que se aproxima. O interesse pelo vinho na França e no mundo não diminuiu como pudemos ver em Vinexpo e de forma ainda mais forte no recente Wine Futur Rioja, na Espanha. As inscrições para Vinisud em fevereiro, em Montpellier, estão de vento em popa e há muito os hotéis estão lotados.
O crescimento da viticultura sustentada (raisonée) e orgânica seguem firmes e são uma tendência dominante. Uma terra mais limpa se avizinha.
Como sempre os que foram mais criativos, perseverantes e ousados conseguiram driblar a crise, conquistar novos mercados e por que não dizer crescer.

As vendas natalinas estão firmes. No Brasil seguem bastante aquecidas graças a um câmbio correto. O ano que chega tem tudo para ser maravilhoso. Feliz “millésime” 2010 para você.

17.11.09

25 anos do Guide Hachette de Vinhos


Este ano o Guide Hachette comemora seus 25 anos de sucesso. Hoje são 10 mil vinhos presentes no Guia, contra 5 mil na primeira edição. Além dos vinhos franceses são também avaliados os da Suíça e de Luxemburgo. Este ano a novidade são os cognacs e armagnacs.
As degustações são feitas às cegas e o júri é formado por especialistas, críticos e produtores. Não é apenas uma única boca que dita as regras do jogo, mas um grupo de paladar diferente que vem de todas as regiões produtoras. Portanto, as escolhas são democráticas e consensuais, e a margem de erro menor do que se fosse de apenas um único crítico.
A fórmula do sucesso inclui também uma apresentação clara e intuitiva de cada vinho, sob a forma de uma ficha comentada. Vale visitar o site (http://www.hachette-vins.com/)e pesquisar os guias anteriores. O que permite traçar um histórico do produtor e perceber se este mantém sua qualidade ao longo dos anos. O que podemos chamar de um valor seguro.
Para importador, consumidor, especialista ou jornalista é sempre uma fonte confiável de informação. Mas lembre-se nada substitui a sua degustação. Um bom exercício é comparar sua análise com a do Guia.

4.11.09

Chrono Viti, o Sedex do vinho


Chronopost, o Sedex do correio francês, acaba de criar um serviço de entrega mundial especializado em vinhos, o Chrono Viti. Na França a entrega é no dia seguinte até as 10 da manhã para profissionais e para os demais até as 13 horas. A embalagem se chama Vitibox e é 100% reciclável, atendendo ao conceito de ecologicamente correto, muito em voga no por aqui. Justíssimo. Existem caixas para 1, 3 ou seis garrafas de 750ml.

O novo serviço está também disponível a nível internacional com prazo de entrega de 1 a 4 dias. ChronoViti oferece uma equipe para facilitar o desembaraço nas alfândegas de todo o mundo. Espero que consigam sucesso na alfândega brasileira, que normalmente inviabiliza as importações devido ao seu alto custo.

26.9.09

Os vinhos do Languedoc Roussillon


Os vinhos do Sul da França vêm conquistando seu espaço no Brasil. É um caminho longo, mas acredito que em breve o Languedoc Roussillon será líder entre os franceses em volume e com um bom preço médio. Explico. Nos últimos 30 anos a região passou por uma grande transformação qualitativa, porém a história começa bem antes.

Na antiguidade romana os vinhos do Languedoc haviam conquistado o Mediterrâneo e mesmo Roma, fato declamado por Plínio, o velho. Este sucesso vai provocar a ira dos produtores romanos e a publicação de um decreto do imperador Domiciano, ordenando que fossem arrancadas metade das vinhas da região. O decreto nunca foi cumprido e as cepas ficaram. Após as invasões bárbaras e a queda do Império há o declínio da viticultura que vai voltar na idade média pelas mãos de monges e abades. Na abadia beneditina de Saint Hilaire, em Limoux, vai nascer em 1531 o primeiro espumante do mundo. D.Pérignon, beneditino, vai conhecer a Blanquette de Limoux durante uma peregrinação e em seguida desenvolver a champagne. Isto é, mais de 100 anos depois do brut de Limoux conforme reconhece o INAO, o organismo oficial dos AOCs da França. No supermercado Zona Sul você encontrará o Crémant de Limoux, método tradicional e no site Bom Vinho a Blanquette de Limoux métodos Ancestral, aquele da idade média e o tradicional ou champenoise. No século XVIII vamos ter vinhos da região exportados para todo a Europa e mesmo para as Américas.

Vai ser a partir da era industrial que a região vai se enriquecer. O consumo de vinho na França chega a 100 litros por pessoa, mas lembre-se nesta época o vinho fazia em média apenas 9 graus. É neste momento que a região descobre o filão do vinho barato e de fácil consumo. Os vinhedos se mudam para as planícies, mais produtivas que permitem um maior rendimento, uvas como a aramond, extremamente produtivas, são introduzidas. Grandes volumes inundam a França e a Europa. A região se enriquece, palacetes e grandes mansões são construídas, até que em 1950 este consumo começa a mudar e se dirigir a um vinho de melhor qualidade. O declínio leva à crise de um modelo exausto. Os produtores tomam consciência e a vanguarda começa, ainda nos anos 70, a trocar a aramond por uvas nobres como a syrah, merlot, cabernet e chardonnay. Os vinhedos saem da planície e voltam para as encostas. O rendimento despenca de mais de 120hl/ha para conservadores 45hl/ha. As técnicas de condução e vinificação atingem o estado da arte nos anos 90.

O resultado é que em 1998, ano de uma boa safra, os vinhos do Languedoc Roussillon ganham todas as recomendações dos críticos. Um vin de Pays d’Oc, o Cuvée Mythique vai ultrapassar a fatídica barreira dos 90 pontos de Robert Parker, que separa os muito bons dos excelentes, e receberá do crítico americano a nota 92. É a primeira vez que um vin de pays, vinho regional, atingirá esta marca. O vin de pays é em geral o vinho bom do dia a dia e os grandes vinhos são normalmente os AOC, denominação de origem controlada. Na verdade o rigor da legislação AOC, que limita o uso de certas castas em determinada região, obriga o produtor que deseja usar outra uva que a determinada por decreto, para aquela região a ser classificado como vin de pays. É verdade que o vin de pays pode ter um rendimento maior que o AOC, mas isto não é obrigatório.

De 98 aos dias de hoje Robert Parker, Jancin Robinson e as revistas especializadas, Wine Spectator, Decanter e a Revue du Vin de France e mesmo grandes jornais como Le Figaro tem chamado o consumidor a descobrir esta região. Afinal, seus vinhos são bons e de melhor preço por serem menos notórios. A denominação de origem Corbières, a maior do Languedoc, é a 10ª mais conhecida na França hoje, segundo diversas pesquisas, e no Brasil é o AOC com maior presença. Se o Languedoc responde por 1/3 de todo o vinho francês e 20% dos AOCs é normal que queira ter um papel de liderança no Brasil. Seus vinhos por terem economia de escala, lembre-se este é o maior vinhedo contínuo do mundo, estão conseguindo disputar com chilenos e argentinos em todas as faixas de preço. No segmento abaixo de 30 reais vamos ter vinhos bons a partir de R$18 em supermercados de todo o Brasil. Estes podem ser pontuados na faixa de 80 pontos. Num segmento entre 30 e 70 reais vamos encontrar vinhos muito bons. Acima deste patamar os excelentes. Vale dizer que o vinho do dia a dia na França ou no Brasil são o do primeiro segmento, mais em conta. Os outros são para momentos especiais.

Para aumentar as vendas no Brasil Sud de France, a marca guarda-chuva dos vinhos do Languedoc Roussillon, vem realizando há três anos no Brasil ações para aumentar a notoriedade dos seus vinhos. Seja apoiando promoções em supermercados, seja treinando profissionais, sommeliers, seja realizando o Festival Sud de France. Idéia que nasceu no Brasil e que hoje é realidade em Londres, Xangai, Cidade do México e Nova Iorque. A idéia de ter um embaixador, como o chef Roland Villard já foi copiada na Coréia do Sul e no México. A novidade agora é a criação do Club Sud France, a “patota” do Embaixador que vai ajudar a criar uma rede viral, um buchicho de craques que vão fazer a Região ficar mais conhecida. No Brasil o seleto grupo vai contar com os chefes franceses Jean Yves Poirey do Othon, Olivier Cozan do XX e os radicados em SP Pascal Valero do Kaa, Patrick Ferry do P.Verger, os especialistas em vinho Dânio Braga, presidente da ABS Brasil, Euclides Penedo Borges, presidente da ABS-Rio, e do craque de vôlei Nalbert que tem um pé na França. Até o final do ano o Club surgirá na França e deverá ter nomes como Olivier Poussier e Philippe Faure-Brac, melhores sommeliers do mundo.

Num ano em que a França recuou 11% em volume e cresceu 9% em valor os Vin de Pays d’Oc conseguiram crescer nos dois itens. Acho importante ganhar mercado para habituar o paladar brasileiro a um vinho mais elegante, com mais personalidade, rusticidade, autenticidade e menos madeira. Afinal, nos últimos vinte anos o brasileiro bebeu muito mais vinhos do Chile e Argentina do que os do Velho Mundo. O que com certeza modificou o hábito do consumidor brasileiro atual se comparado ao consumidor dos anos 80.

Os vinhos da França habitualmente possuem maior valor unitário do que os vinhos do Novo Mundo e mesmo do que italianos e portugueses. O que normalmente os posiciona no topo da pirâmide de consumo, restringindo o acesso. Os vinhos do Languedoc começam a mudar isto e democratizam o estilo francês de fazer vinho tornando-os acessíveis a um público maior. Via a democracia.

9.9.09

Morreu Saul Galvão. O Blog está triste.


Brasil, São Paulo e os leitores do Estadão perderam uma grande referência do mundo do vinho. Era o maior "prescripteur" (receitador como dizem os franceses) de vinhos da paulicéia. Morreu de câncer aos 67 anos. Adeus craque.

7.9.09

II Concurso ABS/Sud de France de Vinhos do Sul da França


No Rio, Sud de France em conjunto com a ABS realizará dia 5 de outubro, às 19 horas, uma degustação de vinhos do Languedoc Roussillon nos salões do hotel Sofitel, em Copacabana. Palco também da entrega dos prêmios do II Concurso ABS/Sud de France dos Vinhos da região vendidos no Brasil. Durante a degustação além dos vinhos que disputaram o concurso haverá vinhos da Barrinhas, Winery, Reloco, Vitis Vinífera e Decanter. Outras importadoras devem confirmar participação nos próximos dias. No salão também teremos drinks à base de vinhos e água Perrier que é do Languedoc, bufê de queijos e estação de massas quentes com molhos ao sabor do Languedoc Roussillon especialmente preparadas pelo chef Roland Villard, Embaixador do Sul da França no Brasil.
O II Concurso vai conferir medalhas de ouro, prata e bronze aos vinhos, classificando-os conforme sua qualidade. Os importadores receberão etiquetas para colar nas garrafas com a assinatura dos dois parceiros. A seleção começa pela manhã na sala vermelha do Le Pré Catelan e a grande final acontece à tarde. O júri é formado por especialistas da ABS e jornalistas especializados.
Os convites estão à venda na ABS Rio. Sócios 40 reais e convidados 60 reais. Apenas 100 convites disponíveis. Os convidados receberão uma taça ISO personalizada da Sieurd'Arques/Aimery, qualidade Cambé, para a degustação.

30.7.09

O resultado do concurso Corbières 2009


Saiu o resultado do Concurso 2009 dos vinhos AOC Corbières, a maior denominação de origem do Languedoc. Faço aqui um resumo privilegiando os produtos à venda no Brasil. A premiação é como nos Jogos Olímpicos, ouro, prata e bronze nas três cores, sendo que os tintos são divididos em duas categorias envelhecidos em barris de madeira ou não. A seleção é boa mas falta muita gente do Sul da França chegar ao Brasil.

Medalha de ouro tinto com madeira: Cuvée Sextant 2006 do Celliers d’Orfée, Eidos 2007 do Château La Bastide(Decanter), L’Optimée 2007 Château La Bastide ( Decanter), C de Camplong, Cooperativa de Camplong ( Enoteca Fasano) e Cuvée de Vignerons de Camplong ( Enoteca Fasano).

Medalha de ouro tinto sem madeira: Peyres Nobles de Camplong ( Enoteca Fasano).

Medalha de prata branco: Blanc Tradition, Château La Bastide (Decanter).

Medalha de bronze tinto com madeira: Château St. Esteve (Zona Sul) e Chris Limouzy, Celliers d’Orfée.

28.7.09

Até onde vai o sucesso dos Malbec? Os profissionais argentinos se perguntam.

40% dos vinhos exportados pela Argentina são da casta Malbec. Este ano as exportações de Malbec creceram de 23% em volume e de 21% em valor. Seus três primeiros mercados são EUA ( 50%), Canadá (10%) e Inglaterra (5%). Se a tendência vai cointinuar não se sabe. As opiniões são variadas mas todos apontam para um aumento no entanto, este pode ser mais lento nos próximos anos. Motivo?
A casta não é considerada pelos experts como capaz de dar grandes vinhos como a cabernet, a merlot,...
A maior parte das garrafas são vendidas a menos de 18US$ nos EUA. Nesta faixa de preço os compradores não são fiéis.
A imagem da Argentina não é suficientemente qualitativa nem variada. Alguns dizem que é um produtor de vinhos de baixo preço.
O Malbec é um vinho da moda, mas ainda não é um clássico.
Na França, em Cahors, onde ela nasceu, o bag da Malbec é maior e segundo Alain Gayda, ex-presidente da União de Enólogos da França, seria o principal motivo de uma qualidade superior da uva na Argentina, que menor e mais concentrada. Já começaram a chegar na França mudas da variedade Argentina. Esta uva também é conhecida como cot no sul da França.
(Rogerio com Vitisphere)

20.6.09

Brasil é o segundo maior consumidor de vinho da América Latina

Um recente estudo sobre o consumo de vinho no Brasil publicado pelo IWSR (International Wine and Spirit Record) coloca o Brasil como o segundo país consumidor da América Latina, logo depois da Argentina. O consumo atual é de 326 milhões de litros e o IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho) prevê um crescimento de 13% até 2011 elevando o total para 369 milhões de litros. O consumidor brasileiro está buscando vinhos de melhor qualidade, o que tem feito aumentar a importação. Isto fez com que no período de 2002 a 2007 ocorresse um aumento de 220% no volume e de 300% em valor dos vinhos importados. Esta tendência também beneficiou o produtor brasileiro de vinhos finos.

A crise mundial afetou as exportações e alguns importadores, mas parece que tudo volta a entrar num ritmo normal. A Vinexpo que começa dia 21 em Bordeaux e reúne a nata dos produtores mundiais e com enorme presença dos produtores do Languedoc Roussillon, terá um expressivo número de importadores brasileiros presentes. Destaque para Casa Flora, Casa do Porto, Zona Sul, Cantu, Fasano e Santa Luzia. Afinal, o consumidor brasileiro começa a se voltar para a qualidade e a diversidade. Neste quesito o Velho Mundo ganha de goleada.