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12.3.08

Sul da França invade BH





Legal ir no Brasil e ver que os vinhos do Languedoc estão de vento em popa. Estive em BH e vi na Casa do Vinho, do Armando Martini, o Mas de Soleilla e o Château Camplazens belos representantes de Coteaux du Languedoc La Clape. Na Adega do Supernosso Gourmet tinha uma seleção de campeões de custo benefício. O Brut AOC Crémant de Limoux Grande Cuvée 1531 e os varietais pinot noir, syrah e chardonnay da Aimery, além do Aigle num corte merlot grenache 50/50. Mas a região estava toda presente com o AOC Minervois Domaine Décor, o Côtes de Roussillon Mas d'en Badie, meu preferido na lista, O Corbières Château Latham, o Château de La Grange AOC Fitou e o Notre Dame du Quatourze um Coteau du Languedoc Quatourze. Este na versão branco e tinto conta com a simpatia de Dânio Braga ex-presidente da ABS Rio. A seleção do Super Nosso foi feita por Gérson Lopes, um craque. Parabéns.

21.9.07

CIVL confirma safra excepcional no Languedoc


O Comitê Interprofissional do Vinho do Languedoc, CIVL, por meio de seu comunicado confirma hoje, o que antecipamos ontem, 2007 será uma grande millésime para todo o Languedoc. Segundo o CIVL, o Sul da França foi poupado dos caprichos meteorológicos que incomodaram outras regiões e teve um clima excepcional em setembro para a colheita. O que nos permite prever um grande ano.
"Um setembro ideal: sol, vento do norte e noites fresca" se vangloria o CIVL em seu comunicado. As colheitas tiveram início num estado sanitário "perfeito, os ataques das pragas na primavera tiveram poucas conseqüências e o vento do norte preservou o vinhedo de qualquer ataque da botrytis". O verão ameno se comparado com outros anos permitiu de adar ao mosto "um belo equilíbrio ácido tão procurado nas regiões quentes." O ano foi marcado por um inverno pouco rigoroso e seco, uma primavera chuvosa e quente, com um mês de abril particularmente quente, o mais quente desde 1970.
A brotação, na primavera, ocorreu quase em todo o Languedoc com uma semana de avanço. As chuvas abundantes, mais 50% que a média da estação, neste momento não tiveram grandes conseqüências. No verão que foi em geral fresco, fomos poupados da chuva. A exceção francesa. Um déficit pluviométrico de 50 a 80% dependendo da denominação de origem. Durante a pintura e o desenvolvimento das uvas se deram num vinhedo são. De meados de agosto ao início de setembro o tempo foi seco, quente e com noites frescas.
De fato o comunicado faz um balanço exato de todo o período nos mostrando que tivemos um ano de seca, diferentemente das outras regiões vitícolas francesas.

20.9.07

Languedoc-Roussillon colhe 14,2 milhões de hectolitros de muito boa qualidade




A colheita no Sul da França está acabando e os números finais confirmam uma queda na produção de 1,6 milhões de hl. Se a colheita foi menor a qualidade é bem superior afirma Gérard Pierre Lafitte, viticultor em Ferrals le Corbières. O tempo seco em agosto e setembro contribuiu fortemente para a ótima qualidade da safra. A quantidade diminuiu, mas a uva atingiu uma maturidade excepcional para os tintos. É bem verdade que tivemos alguns ataques do cogumelo míldio, mas tive a felicidade de seguir as orientações da cooperativa e da Câmara de Agricultura e realizei os tratamentos preventivos no bom momento. Quem relaxou hoje não tem o que colher. Mas parte da diminuição do volume foi a "arrachage", retirada de pés de vinha para receber o prêmio. Na verdade uma recompra dos direitos de plantação que o viticultor adquiriu no início da sua atividade. Essa opção ocorreu principalmente para os que se aposentaram e para os terrenos menos produtivos, conclui Pierre Lafitte.

17.9.07

Feirão do Vinho. A hora de comprar vinhos na França.




Quem quer comprar vinhos franceses pode pegar o avião. Começaram os Feirões do vinho por toda a França. Há mais de vinte anos que as grandes redes de supermercados criaram os "Foire aux Vins" que começa na segunda quinzena de setembro e termina no começo de outubro. É o momento ideal para fazer as compras de vinho. Ofertas, novos produtos, promoções, grandes vinhos e vinhos do dia a dia. Tudo pode ser encontrado com descontos de 10 a 60%.
Os sites de comercialização de vinho também aderiram. O 1855 lançou seu Crazy Bordeaux, com 30 vinhos a preços promocionais e vendeu 30 mil garrafas num só dia. A rede Nicolas oferece 20% de desconto e todos os pequenos comerciantes realizam seu Feirão. Não é para menos, o “Foire aux Vins” é responsável, por exemplo, por 25% da venda anual do Carrefour ou 8 milhões de garrafas. Nesta rede oferece 250 referências nacionais que vão se juntar às ofertas locais de vinhos regionais. No departamento do Aude, Sul da França, o Carrefour lançou um encarte de vinhos do só do Languedoc, alguns vinhos desses vinhos também são vendidos no Brasil. O Grand Opéra da cave Rocbère, 2005, importado pela carioca Barrinhas está por 5,90 € , o Château Ribaute cuvée François Le Noir, 2003, da mesma importadora está por 6,90 €. No encarte nacional vamos encontrar o AOC Limoux Les Quatre Clochers, 2005, um chardonnay super premium envelhecido em barris de carvalho, a 6,90€, no Brasil com a Nunes Martins.
Apesar do sucesso das vendas pela internet e da venda nos "cavistas", as delicatessens da França, são as grandes redes que respondem por 75% das vendas de vinho no Hexágono. No momento o Carrefour coloca ao lado da gôndola um especialista para orientar a clientela, já em algumas lojas da rede Monoprix há sempre um sommelier pronto para orientar o cliente. Supermercados brasileiros, tal qual no Zona Sul, agem de forma semelhante.

14.9.07

Começou a colheita dos tintos no Midi. Magnífica.


As noites estão frescas e o dia ensolarado com temperatura na casa dos 29ºC, um clima ideal para a “vendange”. Hoje começou a colheita dos tintos no Midi, no Cellier Charles Cros, Languedoc Roussillon, estive conversando com, Jean Pierre Tournier, viticultor que produz apenas tintos. Ele cultiva grenache, syrah, mourvèdre, cinsault e velhas vinhas de carignan. "Enquanto Bordeaux sofre com os fortes ataques de mildiou aqui não tive problemas. Tratamos preventivamente e fomos poupados desta praga. A colheita está se mostrando magnífica. As uvas estão em perfeito estado sanitário, sem qualquer podre, e com muito boa maturidade. Nosso volume não será menos que no ano anterior. Teremos menos grenache e um pouco mais das velhas carignan. A colheita começa muito bem. Talvez possamos anunciar uma millésime magnífica em breve”, acredita Jean Pierre.
A importadora Barrinhas traz com exclusividade para o Brasil os vinhos de Charles Cros, um Corbières do Sul da França. Destaque para Château Ribaute cuvée François Le Noir, medalha de ouro em Paris e Délicatesse de Charlie Cros, medalha de prata, também envelhecido em barricas francesas e de excelente relação qualidade preço. Ambos podem ser encontrados no Lidador. Há também o varietal Marsellan, casta híbrida de grenache e cabernet sauvignon, ideal para acompanhar um churrasco. Pode ser encontrado também no supermercado Mundial, no Rio ou em SP no Só Whisky e outras boas casas do ramo.

12.9.07

Saiu o Guia Hachette de Vinhos 2008. Compre djá e ajude este blogueiro a manter este Blog.



A Bíblia francesa de vinhos elaborados na França, Suiça e Luxembourgo chegou às livrarias nesta última sexta-feira. Receberam as cobiçadas 3 estrelas 226 vinhos contra os 260 agraciados como vinhos excepcionais na edição anterior. Como vinhos ótimos foram escolhidos 1788 que receberam 2 estrelas e 3856 vinhos muito bons receberam 1 estrela. 490 são "coup de coeur", isto é, além de possuírem estrelas o preço é muito atraente.
O Languedoc-Roussillon obteve 28 recomendações com 3 estrelas ficando em segundo lugar, logo atrás do Vale do Loire. Uma bela performance para quem a 40 anos atrás era conhecido, na França, por fazer vinhos de garrafão.
Para encomendar o seu guia pela internet vá aí do lado e digite Guide Hachette des Vins 2008. O preço é de 24,70€. Compre djá e ajude este blogueiro a manter seu Blog.

11.9.07

Suco de uva subiu 15%. Vinho também aumenta.



Sobre o aumento de preço dos vinhos o grande José Paulo Schiffini diz que não é bem assim e manda trocar de fornecedor ou deixar para 2008.
Mas o aumento de preço já é uma realidade. Saiu hoje no Le Figaro, matéria semelhante a que publiquei no Blog na última semana. Em 2006 os vinhos varietais baixaram de 15% e este ano devem ter um aumento de 20%. Logo um crescimento de 5% em relação a 2005. O suco de uva já está 15% mais caro.
Vale lembrar que a quebra da safra não é um fenômeno francês. Nem tampouco apenas europeu. A Austrália está deixando de colocar no mercado 4 milhões de hectolitros e sua produção será de "apenas" 10 milhões. A escassez de oferta é global. Mundial. Haverá menos estoques globais e os produtores do Novo Mundo vão se aproveitar disto para também elevarem seus preços no mercado internacional.
Após 3 anos de crise chegou o momento do viticultor respirar. Já não dava mais nem para pagar os insumos. Isso mesmo, estavam trabalhando no prejuízo em muitos lugares e por diversos motivos. Falta de visibilidade internacional, falta de política de marketing, ausência de estratégia de comercialização, diminuição do consumo no Velho Mundo e aumento da concorrência. E preços baixos.
Nesses três anos um esforço ambicioso de retomada de mercados foi efetuado na Europa e em diversas regiões da França, notadamente no Languedoc-Roussillon, que responde por 80% dos vinhos varietais e regionais da França e é o terceiro produtor de vinhos de denominação de origem, AOC, no Hexágono, logo atrás do Rhône e com metade do volume de Bordeaux. Os frutos começam a ser colhidos. Basta ver o último guia de Vinhos da Gula que constata a bela performance dos produtos do Sul da França.
Segundo Le Figaro os vinhos mais baratos devem aumentar de 2% e os premium e super premium de 3% a 4%.

Leia mais em http://vinhosulfranca.blogspot.com

10.9.07

Tempo bom e uvas sãs no Sul da França




A colheita continua no Sul da França e o que se pode constatar é que o tempo ensolarado e seco, graças aos ventos do norte, Tramontana, está nos oferecendo uvas sãs e de bela maturidade. Mas a concentração e os aromas são de alta qualidade. É bem verdade que os bagos não estão lá muito grandes o que desagrada em parte ao viticultor, sobre tudo ao cooperado, que sempre busca obter um bom volume. Afinal, este é pago ao quilo, mesmo que seja um quilo, intrinsecamente ligado à qualidade. No entanto, para o consumidor o que importa é exclusivamente a excelência das uvas. Neste caso vale dizer que a safra é ótima no Languedoc-Roussillon. Por outro lado, como dito abaixo e anteriormente, os preços devem aumentar. Volto do Brasil nesta segunda para o Sul da França de onde espero entrevistar alguns produtores a fim de lhes dar notícias diretas dos melhores vinhedos. Até lá.

6.9.07

Do Languedoc à Itália, da Espanha ao Novo Mundo a produção será menor. Preços vão subir.

Todas as grandes regiões vitícolas deverão ter uma queda na produção em torno de 10% em 2007. O que representará uma diminuição na oferta de aproximadamente 4 a 5 milhões de hectolitros para França, Itália, Espanha e o Novo Mundo.
No Novo Mundo a queda forte vem da Austrália que com um déficit de 30% em relação a 2006, joga para baixo os números do hemisfério sul. Na Europa do leste estragos importantes diminuirão bastante o volume da safra, na Itália desde julho se sabe de uma queda na produção de 5 milhões de hectolitros. Na França no extremo Sudeste ( Provence e Alpes do Sul) a queda oscila entre 5% e 10%. No lado oeste da França foi a chuva que causou o maior estrago que será da ordem de 10% a 17%. No Languedoca o recuo é de 8% causado pela "arrachage", retirada de pés de vinha com indenização e o mildiou. Na Espanha a queda será de 10%, isto é, 4,5 milhões de hectolitros.
Junte-se a isto um crescimento do consumo mundial, uma retomada na França das vendas dos vinhos regionais e varietais cujos estoques constantes baixaram de 8%, a maior procura pelos AOC e teremos em 2007 vinhos mais caros. Os preços vão subir é a lei do mercado. Os dados são do Cevise Comitê Econômico dos Vinhos do Sudoeste e corroboram os dados do Sindicato dos Viticultores Cooperados da França.

31.8.07

Entrevista Denis Verdier, Presidente dos Vignerons Cooperateur de France - parte 2


OS PREÇOS VÃO AUMENTAR

- Do ponto de vista econômico é uma colheita que promete. Esta deve ser a colheita da esperança, após três anos de crise com os viticultores perdendo em média 800€ por hectare. O que tem como conseqüência o empobrecimento do meio rural. Mas esta safra é o momento de aumentar os preços.

- Aumentar?
- Sim, pois em 2006 conseguimos esvaziar nossas cubas (estoques), principalmente os vinhos varietais e regionais (VDP), que registraram um aumento de 30% das vendas. (Vale lembrar que o Languedoc produz 80% dos varietais e VDP da França). Eles tiveram uma baixa de preços de 15%, ficando nos níveis dos custos mundiais o que favoreceu a venda. Foi sobre tudo na exportação que obtivemos sucesso. Mas o consumidor não percebeu esta baixa dos preços que não pois ela não foi transferida pelos supermercados ao consumidor final. Assim, adicionando a isto uma safra menor e um baixo estoque as condições para um aumento de preços estão dadas.

-Como?
Este ano temos a convicção de poder vender 15 a 20% mais caro nossos vinhos. Precisamos convencer os grandes distribuidores de que com o preço atual não podemos sobreviver. É o ano pra recuperarmos a esperança. É uma etapa a mais para sair da crise, mesmo que saibamos que isto não resolverá todos os nossos problemas. Há mudanças estruturais a fazer. A partida não está ganha mas há elementos de esperança.

-Como este aumento se dará?
- Devemos começar pelos brancos varietais e pelos vinhos regionais de forma que estes sirvam de locomotiva aos tintos e rosés.

30.8.07

Entrevista com Denis Verdier Presidente dos Vignerons Cooperateus da França Parte 1


Entrevista com Denis Verdier, produtor e presidente dos Viticultores Cooperados da França e do Gard, departamento do Languedoc, Sul da França, conhecido pelos seus AOC Costières de Nîmes e seus vinhos regionais (vin de pays -VDP).

COLHEITA EXCELENTE NO SUL

- Como se desenvolvem as colheitas?
Elas começaram sobre as castas brancas, chardonnay e sauvignon principalmente. As tintas devem começar na próxima semana. Todas as previsões indicam uma safra nacional menor, em torno de 49 milhões de hectolitros contra 54 no ano anterior. A diminuição deve ser importante no Languedoc-Roussillon, com destaque para os departamentos dos Pirineus Orientais, Aude e Herault. Aqui no Gard devemos nos manter no mesmo volume de 2006.

-Devido à meteorologia de medíocre deste ano?
- Choveu muito na primavera, o que provocou um forte progresso do míldio, mas os viticultores trabalharam bem e souberam lutar contra este ataque. Não haverá incidência sobre a vinificação. Atualmente as noites são frescas e as videiras não sofrem com o calor. A colheita está antecipada de 15 dias.

-Como isto se traduz para o vinho?
Os enólogos estimam que a millésime 2007 tenha uma cor bem sustentada, com aromas bem presentes. Por exemplo as uvas merlot serão muito aromáticas . É um ano ideal para produzir vinhos festivos, vinhos fáceis de beber, bem frutados que agradam ao mercado internacional.

- Será um grande ano?
Deverá ser. Nós estamos muito satisfeitos do potencial dos vinhedos, tanto da qualidade quanto da quantidade. No mais organizamos as colheitas com precisão de relógio Suiço, em função dos produtos que o mercado deseja. Por exemplo os brancos e rosés serão colhidos à noite, para se beneficiarem de temperaturas mais amenas que permitem extrair todo o frutado das uvas.
Extraída do Midi Libre, um jornal regional do Sul da França.

27.8.07

A paisagem começa a mudar no Languedoc




Em época de colheita tratores e colheitadeiras, grandes máquinas estranhas, começam a serem vistas nas cidades, nas estradas nacionais e departamentais. São os viticultores que fazem a colheita manualmente ou com as econômicas colheitadeiras e trazem em pequenas caçambas suas uvas para o château ou para a cooperativa.
As colheitadeiras evoluíram muito e hoje, as mais modernas, são eficientes, econômicas, rápidas e não ferem as vinhas como antigamente. Num momento em que o preço da mão-de-obra na França custa os "olhos da cara" é uma solução correta para os vinhos menores e medianos. Mesmo alguns bons vinhos, bem pontuados, tem suas uvas colhidas mecanicamente. Afinal, ela retira bagos inteiros, sem folha e sem suco. Intactos.
para evitar acidentes placas como a da foto pedem aos motoristas para terem cuidado com os viticultores e seus tratores. Na foto uma colheitadeira New Holland.

24.8.07

Balanço positivo das últimas safras do Languedoc


Acaba de ser lançado pela editora Albin Michel a 28ª edição do Guia Patrick Dussert-Gerber. Este aproveita a oportunidade para fazer um balanço das últimas safras de diversas apelações. Nós do Blog nos contentamos com seus comentários sobre o Languedoc. Mas nem sempre estamos de acordo, pois acredito que ele tem uma visão míope sobre o Sul da França.
" Eu apoio os homens e mulheres que se agarram a criar vinhos típicos nestes territórios de "garrigue" (vegetação agreste onde predominam o tomilho, alecrim, funcho selvagem e hortelã), controlando os rendimentos e respeitando sua especificidade. Esses territórios tem o potencial para que se criem grandes vinhos de classe, sem querer copiar esta ou aquela denominação mais conhecida com castas inapropriadas. para alguns, o exagero dos preços de alguns recentemente "reputados" começam a desinchar seus preços. As safras de 2004 e 2003 são um sucesso e as de 2002 e 2000 saborosas", declara Gerber.
Eu amos os vinhos típicos da região, são meus preferidos. Mas o que Gerber não enxerga é que o Languedoc-Roussillon é o maior vinhedo do mundo e como tal está exposto aos ditames do mercado. Não pode ser dar ao luxo de fazer apenas vinhos autênticos. Vinhos modernos, vinhos fáceis de beber, bons vinhos, varietais de merlot, cabernet ou pinot noir também podem e devem ser feitos no Sul da França. Seria a falência de muitos esta miopia de marketing. A região além de uma vocação para vinhos autênticos que exprimem o terroir, também faz vinhos modernos de alta qualidade e 80% dos vinhos regionais, varietais ou de assemblagem, de toda a França.

23.8.07

Béziers e a Sétima Legião Romana


Béziers que fica entre Narbonne e Montpellier, na costa Mediterrânea, sendo no Languedoc antigo, a única cidade de direito Romano, tal qual Narbonne. Colônia Romana desde 36 A.C., Baeterra, seu nome de origem, acolheu os Septimaines, veteranos da 7ª Legião de César. Um dos nomes pelo qual é conhecida esta região é Septimanie, o que pode ser visto nos mapas de história antigos. Recentemente o governador da Região, Georges Frèche, tentou mudar o nome da Região de Languedoc para Septimanie, pois para ele que é professor de história, Languedoc tem mais haver com Toulouse, sede do condado na época cátara, na idade média. Porém, o povo não aprovou e ele teve de voltar atrás.
Foram estes legionários os primeiros a plantar a vinha na França, ao lado de Narbonne, no Quatourze, pois até então apenas Roma podia produzir vinho. Elas eram exportadas em ânforas para toda a bacia do Mediterrâneo. Sítios arqueológicos de olarias existem às centenas, um muito simpático de se visitar é em Salles d'Aude, onde há um museu, vídeo de apresentação, e escavações. Uma ânfora produzida com forno e tecnologia da época pode ser comprada no local. Como já disse aqui no Blog o sucesso foi tão grande, mesmo em Roma, que a produção foi proibida décadas depois.
Béziers hoje produz os Coteaux du Languedoc nas três cores. É dividido em oito zonas climáticas onde destaco La Clape, Pic Poul de Pinet, Grès de Montpelleir e Pic Saint Loup. São nove os territórios que também tem o direito de constar dos rótulos e seleciono o Quatourze. O de Béziers é a zona climática Terrasses de Béziers. O relevo e a geologia são determinantes nesta escolha. Pic Saint Loup é um dos terrenos mais caros do Languedoc, produzindo excelentes vinhos como o Château de Cazeneuve, les Calcaires, branco com 91 pontos na WS e o tinto Le Roc des Mates com uma estrela no Guide Hachette.

14.8.07

Colheita francesa será 6% menor que em 2006 e no Languedoc igual a 2003



O Ministério da Agricultura francesa reviu para baixo as estimativas de Viniflhor, realizadas em 1º de julho, em função das más condições climáticas. O volume total deve ser de 49,9 milhões de hectolitros contra uma previsão inicial de 50,7 milhões hl. A colheita será uma das menores desde 2000 superando apenas a de 2003 quando houve o fenômeno da canícula.
Ainda segundo o Ministério da Agricultura os AOC e VDP terão uma queda de 3%. Já os vinhos para cognac terão diminuição de 9% e os VDQS de 16%.
No Sul da França a retirada de pés de uva que se eleva a dez mil ha, os danos de oídio e míldio, bem como a pouca chuva colocarão a safra no mesmo volume de 2003. A colheita deverá começar dez dias mais cedo que no ano anterior. Na verdade tivemos uma ótima primavera, o que antecipou a vindima, mas o verão está bem medíocre.

9.8.07

O preço da colheita



O portador do grande cesto, porteur, é o mais bem pago durante a colheita.


Como vocês puderam ver na matéria abaixo a hora da colheita está se aproximando. Os vinhedos do Sul da França não estão tendo nenhum ataque de mildiou ou de oídio que justifique um tratamento maior do que o preventivo como dissemos no Flash Agrícola anterior. Inflavescência dourada e verme da uva requerem, em alguns territórios, maiores cuidados. Nada grave.
Para quem quer curtir uns dias na França e quer saber quanto se está pagando para realizar a colheita informo: o carregador está sendo pago 8,64€/h, esvaziador de baldes 8,53€, o cortador dos cachos 8,44€. Todos tem direito a 1,5 litros de vinho por dia, que está valorado em 0,27 euros o litro. Alguns produtores tem estrutura de alojamento para os "vendangeurs". Estes preços são a referência no Corbières,Languedoc, Sul da França. Se você não for europeu ou não tiver uma "permis séjour" cuidado com a fiscalização do trabalho e imigração, pois estará irregular.

31.7.07

Coquetel do Henri Forgues

Aprenda a fazer o coquetel do Henri Forgues, um dos mais populares do Languedoc.

27.7.07

Brasil andou pra trás no último Muscat do Mundo




Apenas a Panizzon conseguiu continuar no quadro de medalhas, mesmo assim recuou do ouro para a prata. Miolo, Piagentini e Molon sequer levantaram um bronze. Este por sinal passou em branco no Concurso. Por outro lado, com a degustação promovida ao público e dirigida por Mauro Zanus e eu tivemos a oportunidade de ver que o público gostou do vinho nacional. O que é bastante positivo. Porém, no quadro de medalhas, quem levou duas no Top Ten do Concurso foi o Languedoc-Roussillon.
Para quem quiser conhecer um pouco mais Frontignan e suas caves vai aí embaixo um mapa que o levará a descobrir um dos paraísos da uva muscat. Juntamente com Rivesaltes, Mireval e Saint Jean de Minervois formam o quarteto dos grandes muscat do Sul da França.
Uma dica na cave Cooperativa de Frontignan não deixe de degustar os Muscat Vin Doux Naturel de 12 anos, se puder o de 20. O de 12 anos é vinificado tradicionalmente e envelhecido em pequenos barris de carvalho. Seu robe é de um amarelo profundo e brilhante. No nariz é fino e complexo dominando aromas de pão com especiarias e flores secas. Na boca delicado com notas florais e de especiarias aos quais se junta uma marmelada cítrica. Deve ser consumido bem frio, a 13ºC e harmoniza-se muito bem com queijos tipo roquefort e gorgonzola ou ainda com chocolate. C'est si bon.

26.7.07

O muscat de Frontignan ainda tem muito espaço para evoluir














Quando passeamos pelo Mediterrâneo, no Sul da França, nos confrontamos com uma paisagem que mescla um mar sem ondas de cor cristalina, "garrigue" (um agreste bonitinho), vinhedos e história, muita história. Histórias de um país antigo, cheio de personagens, glórias, lendas e hábitos. Estes muitas vezes difíceis de mudar, mesmo que os novos tempos da globalização implorem por uma mexidinha.
Em Frontignan uma das principais regiões produtoras de Muscat da França e do Languedoc, ainda se poda vinhedos em gobelet. O que para mim não é nenhuma novidade. Vinhedos mais antigos ou que não precisem obrigatoriamente de espaldeiras utilizam esta forma de poda. O que se vê bastante hoje em dia é o uso de espaldeiras para levantar a folhagem das vinhas podadas em gobelet. Para Mauro Zanus, os excelentes muscat de Frontignan ainda têm um bom espaço para crescer em qualidade e esta é uma das razões. Hábito de poda que não quer mudar.
Durante o Festival do Muscat pude degustar o Muscat seco, Terres Blanches, VDP d'Oc, 2006, 12,5% vol., da Cave les Vignerons de Frontignan, uma boa cooperativa. Elaborado com muscat petit grains, dita muscat de Frontignan, colhidas sob as vertentes pedregosas da "garrigue" que se espalha por toda a região. O vinho é de um amarelo palha, límpido e pleno de frescor. Na boca nos oferece notas de limão e lima, também presentes no nariz que se juntam à pera e banana. Ideal com frutos do mar e notadamente ostras frescas. Premiado com a medalha de ouro no C.G.A. de Paris em 99, 00, 01 e Muscat du Monde em 01.