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19.11.08

A safra de 2009


Enquanto o balanço oficial não sai e o vinho não está pronto a imprensa começa a especular. Foi o caso de Le Figaro e Le Monde, não sem razão, afirmaram que Bordeaux e Borgonha tiveram dificuldades, pouca uva e safra de qualidade incerta. Alsácia e Champagne com bons volumes. Aqui eu digo: no Languedoc a falta de constância é a regra. Em regiões onde choveu pouco, a maior parte, a colheita foi pequena. Bons vinhos, mas pouco vinho. Exceção é Limoux onde a colheita foi abundante e de muito boa qualidade. Alain Gayda, diretor geral de Aimery Sieur d’Arques e ex-presidente a União de Enólogos da França está muito feliz com a millésime 08. Alain estará na festa do Zona Sul no dia 26 de novembro onde vai falar sobre seus vinhos, o Languedoc e a safra 2008.

27.8.08

Previsão técnica: excelente safra 2008 no Sul da França

O Presidentes do Vigneron Independente, Jean Marie Fabre, à esquerda, afirma que o Languedoc quer se posicionar como um dos melhores vinhedos de toda a França.
A safra de 2007 foi a melhor deste século no Sul da França e a de 2008 apresenta muitas similitudes e promete estar no mesmo nível de qualidade, porém com menos 5% de volume. Esta foi a grande manchete da reunião preparatória do Produtor de Vinho Independente do Departamento do Aude (Vigneron Independant), Languedoc, sobre a safra 2008. Pude ouvir em primeira mão a avaliação técnica da colheita que se avizinha no Minervois, Corbières e Malepére feita por enólogos e técnicos da Câmara de Agricultura do Aude e do Laboratório Dejean. E o que ouvi foi muito promissor.
Numa análise de gráficos climáticos comparativos de insolação, amplitude de temperatura e pluviometria mostraram muitas semelhanças com 2007. A temperatura mais branda na primavera provocou um pequeno atraso de maturidade e a seca na região leste, um ligeiro stress hídrico e uma colheita menor. No setor oeste, Malepére, mais úmido, provocou mais ataques de míldio que tiveram de ser combatidos. Se a merlot e cabernet sauvignon sofreram no setor oeste, o que determinou uma perda de volume significativa, a syrah e a grenache se saíram de forma excelente a leste e a oeste. A grande amplitude térmica permitiu uma maturação perfeita das castas. O que favorece a qualidade dos AOCs do Languedoc Roussillon, lembre-se que o Malepère é uma das poucas denominações de origem que tem na sua base a merlot e a cabernet sauvignon, portanto pouco representativa do conjunto de AOCs do Sul da França.
A colheita deste ano deve ficar ligeiramente acima dos 13 milhões de hectolitros o que em breve vai fazer com que o Languedoc Roussillon deixe de ser o maior vinhedo do mundo. Para Jean Marie Fabre o trabalho que os produtores estão realizando é de tornar o “Sul da França um dos melhores vinhedos da França e, assim seus viticultores poderão viver bem e se sustentar, nosso objetivo não é de ser o maior do mundo”.

21.12.07

Previsões para 2008

Caros internautas vamos consultar nossa bola de cristal e fazer nossas previsões para 2008, o ano cuja soma dos seus algarismos é igual a 10. Nota máxima. Vamos ter a chegada de grandes vinhos de Bordeaux de 2005, a millésime 10. Previsão infalível. Vamos ter o aumento dos preços dos brancos e não será de pouco não. Vejam vocês qua a Austrália grande produtora desta cor está importando horrores. Um aumento da importação de brancos de 35%, apenas até fim de outubro, totalizou 209 milhões de euros. Motivo a seca que segue assolando o país e que vai se agravar em 2008. O valor total de vinhos estrangeiros a serem adquiridos vai pular para 128 milhões de euros entre 2009 e 2010 e o consumo de vinho australiano cairá de 476 para 390 milhões de litros. Que queda.
Ainda falando de Novo Mundo a safra 2008 da África do Sul vai ser manter estável em relação a do ano precendente. Se não ajuda pelo menos não atrapalha.
Já as matérias secas, tudo que não é vinho, tem aumentado bastante sobretudo as garrafas, escassas e mais caras sofrerão ainda mais nas mãos do monopólio da Saint Gobain. O transporte devido ao aumento do custo do petróleo nem se fala. Junte-se a isto uma inflação européia de 2,6% e a força do euro. Felizmente no Brasil temos a força do Real que contrabalança esta valorização do euro frente ao dólar eoutras moedas.
Mas voltemos às boas notícias de 2008. O vinhos do Sul da França vão chegar com mais força no Brasil. Com excelente relação qualidade preço e falo aqui não apenas em vinhos baratinhos e bons, mas de grandes vinhos com preços muito atrativos. São vinhos que mesmo oscilando entre 86 e 92 pontos tem seus preços entre 35 e 80 reais. Os do dia a dia ficam entre 78 e 82 pontos, mas não chegam a 35 reais. Os espumantes entre 80 e 90 pontos vão de 35 a 70 reais. Bem em conta.
São vinhos do tamanho do bolso do brasileiro e com autenticidade. Vale descobrir cada château, cada domaine, cada varietal pois são todos diferentes. Cada um exprime seu terroir de forma diferente. Seja pelo clima, pela geologia, pelas castas, pelas mãos do produtor ou pela história que carrega em cada grão de terra e em cada descendente que segue produzindo uvas a várias gerações naquela que é a mais antiga região produtora da França, o Languedoc.

Ultima previsão: A rota dos vinhos do Sul da França vai ser lançada com muito sucesso e Narbonne sediará um curso de enologia para brasileiros em 2008. Afinal, Papai Noel existe.

Feliz Natal, um Próspero Ano Novo, muita saúde e ótimos vinhos.



P.S.: Voltamos no dia 3 de janeiro após merecido repouso na Toscana.

26.9.07

Teremos menos vinho no mundo em 2007.




Não é apenas no Languedoc que a safra será menor, mas em toda a Europa(Portugal, Grécia, Itália e Europa central) e no Novo Mundo. Na Europa as exceções são a Alemanha com mais de 13% e a Espanha com mais 1,28%. Austrália terá menos 25%, com menos 36% de syrah e 37% de grenache! No Chile menos 0,45 milhões de hecto, EUA estável, Argentina com aumento de 3 a 5% e a África do Sul mais 4,2% são as exceções. No total no helisfério sul serão menos 4 milhões de hectolitros.
Para quem não acreditava que o vinho ia subir anote: o vinho branco de mesa, vin de table, já aumentou de 10€ o hecto na venda em pipas.

21.9.07

CIVL confirma safra excepcional no Languedoc


O Comitê Interprofissional do Vinho do Languedoc, CIVL, por meio de seu comunicado confirma hoje, o que antecipamos ontem, 2007 será uma grande millésime para todo o Languedoc. Segundo o CIVL, o Sul da França foi poupado dos caprichos meteorológicos que incomodaram outras regiões e teve um clima excepcional em setembro para a colheita. O que nos permite prever um grande ano.
"Um setembro ideal: sol, vento do norte e noites fresca" se vangloria o CIVL em seu comunicado. As colheitas tiveram início num estado sanitário "perfeito, os ataques das pragas na primavera tiveram poucas conseqüências e o vento do norte preservou o vinhedo de qualquer ataque da botrytis". O verão ameno se comparado com outros anos permitiu de adar ao mosto "um belo equilíbrio ácido tão procurado nas regiões quentes." O ano foi marcado por um inverno pouco rigoroso e seco, uma primavera chuvosa e quente, com um mês de abril particularmente quente, o mais quente desde 1970.
A brotação, na primavera, ocorreu quase em todo o Languedoc com uma semana de avanço. As chuvas abundantes, mais 50% que a média da estação, neste momento não tiveram grandes conseqüências. No verão que foi em geral fresco, fomos poupados da chuva. A exceção francesa. Um déficit pluviométrico de 50 a 80% dependendo da denominação de origem. Durante a pintura e o desenvolvimento das uvas se deram num vinhedo são. De meados de agosto ao início de setembro o tempo foi seco, quente e com noites frescas.
De fato o comunicado faz um balanço exato de todo o período nos mostrando que tivemos um ano de seca, diferentemente das outras regiões vitícolas francesas.

6.9.07

Do Languedoc à Itália, da Espanha ao Novo Mundo a produção será menor. Preços vão subir.

Todas as grandes regiões vitícolas deverão ter uma queda na produção em torno de 10% em 2007. O que representará uma diminuição na oferta de aproximadamente 4 a 5 milhões de hectolitros para França, Itália, Espanha e o Novo Mundo.
No Novo Mundo a queda forte vem da Austrália que com um déficit de 30% em relação a 2006, joga para baixo os números do hemisfério sul. Na Europa do leste estragos importantes diminuirão bastante o volume da safra, na Itália desde julho se sabe de uma queda na produção de 5 milhões de hectolitros. Na França no extremo Sudeste ( Provence e Alpes do Sul) a queda oscila entre 5% e 10%. No lado oeste da França foi a chuva que causou o maior estrago que será da ordem de 10% a 17%. No Languedoca o recuo é de 8% causado pela "arrachage", retirada de pés de vinha com indenização e o mildiou. Na Espanha a queda será de 10%, isto é, 4,5 milhões de hectolitros.
Junte-se a isto um crescimento do consumo mundial, uma retomada na França das vendas dos vinhos regionais e varietais cujos estoques constantes baixaram de 8%, a maior procura pelos AOC e teremos em 2007 vinhos mais caros. Os preços vão subir é a lei do mercado. Os dados são do Cevise Comitê Econômico dos Vinhos do Sudoeste e corroboram os dados do Sindicato dos Viticultores Cooperados da França.

31.8.07

Entrevista Denis Verdier, Presidente dos Vignerons Cooperateur de France - parte 2


OS PREÇOS VÃO AUMENTAR

- Do ponto de vista econômico é uma colheita que promete. Esta deve ser a colheita da esperança, após três anos de crise com os viticultores perdendo em média 800€ por hectare. O que tem como conseqüência o empobrecimento do meio rural. Mas esta safra é o momento de aumentar os preços.

- Aumentar?
- Sim, pois em 2006 conseguimos esvaziar nossas cubas (estoques), principalmente os vinhos varietais e regionais (VDP), que registraram um aumento de 30% das vendas. (Vale lembrar que o Languedoc produz 80% dos varietais e VDP da França). Eles tiveram uma baixa de preços de 15%, ficando nos níveis dos custos mundiais o que favoreceu a venda. Foi sobre tudo na exportação que obtivemos sucesso. Mas o consumidor não percebeu esta baixa dos preços que não pois ela não foi transferida pelos supermercados ao consumidor final. Assim, adicionando a isto uma safra menor e um baixo estoque as condições para um aumento de preços estão dadas.

-Como?
Este ano temos a convicção de poder vender 15 a 20% mais caro nossos vinhos. Precisamos convencer os grandes distribuidores de que com o preço atual não podemos sobreviver. É o ano pra recuperarmos a esperança. É uma etapa a mais para sair da crise, mesmo que saibamos que isto não resolverá todos os nossos problemas. Há mudanças estruturais a fazer. A partida não está ganha mas há elementos de esperança.

-Como este aumento se dará?
- Devemos começar pelos brancos varietais e pelos vinhos regionais de forma que estes sirvam de locomotiva aos tintos e rosés.

24.8.07

Balanço positivo das últimas safras do Languedoc


Acaba de ser lançado pela editora Albin Michel a 28ª edição do Guia Patrick Dussert-Gerber. Este aproveita a oportunidade para fazer um balanço das últimas safras de diversas apelações. Nós do Blog nos contentamos com seus comentários sobre o Languedoc. Mas nem sempre estamos de acordo, pois acredito que ele tem uma visão míope sobre o Sul da França.
" Eu apoio os homens e mulheres que se agarram a criar vinhos típicos nestes territórios de "garrigue" (vegetação agreste onde predominam o tomilho, alecrim, funcho selvagem e hortelã), controlando os rendimentos e respeitando sua especificidade. Esses territórios tem o potencial para que se criem grandes vinhos de classe, sem querer copiar esta ou aquela denominação mais conhecida com castas inapropriadas. para alguns, o exagero dos preços de alguns recentemente "reputados" começam a desinchar seus preços. As safras de 2004 e 2003 são um sucesso e as de 2002 e 2000 saborosas", declara Gerber.
Eu amos os vinhos típicos da região, são meus preferidos. Mas o que Gerber não enxerga é que o Languedoc-Roussillon é o maior vinhedo do mundo e como tal está exposto aos ditames do mercado. Não pode ser dar ao luxo de fazer apenas vinhos autênticos. Vinhos modernos, vinhos fáceis de beber, bons vinhos, varietais de merlot, cabernet ou pinot noir também podem e devem ser feitos no Sul da França. Seria a falência de muitos esta miopia de marketing. A região além de uma vocação para vinhos autênticos que exprimem o terroir, também faz vinhos modernos de alta qualidade e 80% dos vinhos regionais, varietais ou de assemblagem, de toda a França.

14.8.07

Colheita francesa será 6% menor que em 2006 e no Languedoc igual a 2003



O Ministério da Agricultura francesa reviu para baixo as estimativas de Viniflhor, realizadas em 1º de julho, em função das más condições climáticas. O volume total deve ser de 49,9 milhões de hectolitros contra uma previsão inicial de 50,7 milhões hl. A colheita será uma das menores desde 2000 superando apenas a de 2003 quando houve o fenômeno da canícula.
Ainda segundo o Ministério da Agricultura os AOC e VDP terão uma queda de 3%. Já os vinhos para cognac terão diminuição de 9% e os VDQS de 16%.
No Sul da França a retirada de pés de uva que se eleva a dez mil ha, os danos de oídio e míldio, bem como a pouca chuva colocarão a safra no mesmo volume de 2003. A colheita deverá começar dez dias mais cedo que no ano anterior. Na verdade tivemos uma ótima primavera, o que antecipou a vindima, mas o verão está bem medíocre.