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15.12.08

Como servir seu brut

Da esquerda para a direita a melhor taça para servir e apreciar seu brut: tulipa, flute e coupe.


Vão chegando as festas de final de ano e muitos se perguntam como servir o brut ? Brut é também outra maneira de chamar o vinho espumante ou efervescente. Aqui no Sul da França é Crémant ou Blanquette de Limoux e seu descendente mais famoso é o Champagne. Todos devem ser servidos bem gelados em torno de 6 a 8 graus. Quanto mais novo o seu brut mais gelado. Um brut safrado ou maduro pode ser servido entre 8 e 10 graus.

Para que sua garrafa seja servida na temperatura ideal coloque-a 15 a 20 minutos antes num balde com gelo e água, adicione um pouco de sal grosso, como fazem os profissionais, para que gele mais depressa. Se você não tiver balde coloque seu brut na parte inferior da geladeira 3 ou 4 horas antes dos convidados chegarem. Evite o congelador, mas em caso de urgência não deixe que passe de 45 minutos. Se congelar vai ficar muuuuito ruim.

Qual a taça ideal para o serviço? A melhor não é a antiga e charmosa “coupe” mas, pela ordem, a taça em forma de tulipa e a“flute” tradicional. Evite as taças de design esquisito que andam à venda. A “coupe” faz com que os aromas se dispersem muito rapidamente. A tulipa por sua forma mais fechada nas bordas retém por maior tempo os delicados aromas de seu espumante.

26.3.08

Detalhes do programa do curso de Enologia Profissional para brasileiros no Sul da França

Detalhe de vinhedo no mês de maio, época do curso.


No primeiro dia de aula, 19/05, teremos pela manhã uma apresentação do vinhedo francês e após o almoço faremos uma visita ao CIVL (Comitê Interprofissional do Languedoc), onde será apresentado o vinhedo do Languedoc e serão distribuídos mapas do vinhedo e suas diferentes denominações de origem. Seguido de degustação.

No segundo dia, 20/5, aula a uva e a colheita. No meio da tarde visita do vinhedo do Château Notre Dame du Quatourze, AOC Coteaux de Languedoc Quatourze o mais antigo vinhedo francês. Apresentação do modo de condução do vinhedo, degustação de bagos. Syrah, mourvédre, carignan, grenache, bourboulenc...

Dia 21/5, aula sobre Fermentação e higiene. Depois do almoço visita do Château Landure ou Pouzols, na denominação Minervois, no departamento do Hérault. Na visita da cave vamos ver os equipamentos da fermentação e os procedimentos higiênicos aplicados.

Dia 22/5- Vinificação tradicional e sulfitagem. Na visita técnica de uma cooperativa no Corbières, a maior denominação do Languedoc, vamos ver todos os equipamentos e procedimentos que são realizados, cálculo de volume de sulfito e sua aplicação nas cubas, se possível e necessário.

Dia 23/5 - Pela manhã visita do Château de Saint Auriol no Corbières, terroir de Fontfroide e à tarde final da aula de vinificação tradicional de tintos.

Dia 26/5 - Vinificação de brancos e espumantes pela manhã e à tarde visita do Domaine da nossa professora enóloga, Marie, no AOC Fitou, seguido da visita da Cooperativa de Leucate, de forte participação feminina.

Dia 27/5 - Visita do terroir de Limoux, o berço do espumante mundial. Apresentação em power point da denominação de origem (o melhor chardonnay da França após Borgonha), da seleção dos 4 terroirs e da vinificação e envelhecimento do espumante. Visita da cave e de seu laboratório de análise e acompanhamento do processo de produção dos famosos espumantes de Limoux. Após almoço visita das parcelas e de seus diferentes terroirs. Visita de Baron'Arques, da Baronesa Philippine de Rothschild, produtor de grandes tintos.

Dia 28 - Composição do vinho, envelhecimento e engarrafamento.
Após almoço visita de cave de envelhecimento. Acidentes e tratamentos do vinho, em sala.

Dia 29 - O vinho doce natural. Muscat, Banyuls e Maury. Partida para o Roussillon e vista de uma cave de Banyuls e a Colliure.

Dia 30 - Pela manhã prova múltipla escolha. Depois do almoço vista dos châteaux Rouqette sur Mer e L'Hospitalet em La Clape. Volta à escola para entrega das notas da prova e dos diplomas para os aprovados, seguido de vin d'honneur oferecido pela Reitoria e Ministério da Agricultura.

27.2.08

O berço do Brut e Dom Pérignon



Muitos ainda acreditam que foi Dom Perignon (1639-1715) quem criou o vinho espumante, o brut. Ledo engano. As primeiras bolhas foram produzidas por abades beneditinos sim, mas não na região de Champagne. É no vilarejo de Saint Hilaire, a poucos quilômetros de Limoux, Sul da França, onde nascerá o primeiro brut do mundo.
Os beneditinos antes de construírem a abadia procuraram determinar qual seria o melhor local para a plantação das vinhas e em seguida escolheram um local imponente, de destaque, para construir sua igreja como manda a tradição da Ordem. Saint Hilaire tem uma grande importância para a história da cidade de Limoux. Esta sempre teve atuação de destaque seja na economia local seja no plano espiritual.
A visita da abadia nos permite descobrir que a capela original é do século V, mas o monastério data do século VIII e a igreja abacial foi construída entre 1147 e 1150 num plano bastante simples com nave central de três espaços entre duas vigas com coro e abside. A abóbada é mais tardia datando de 1198 e 1199. O claustro é posterior de mais de um século. Vê-se também um tabuleiro de xadrez esculpido sobre a arca e também belos afrescos. A casa abacial tem um teto com pinturas do século XVI. Acredito que o maior destaque seja o sarcófago em mármore branco dos Pirineus esculpido em um só bloco, comtrês faces e que representam a prisão, o martírio e o enterro de Santo Sernin, primeiro bispo de Toulouse, em 250. A obra é atribuída ao mestre de Cabestany e servia de altar principal.


INAO reconhece a anterioridade da Blanquette
No entanto será na rústica galeria oeste onde se situavam a adega, o celeiro e o depósito que a Blanquette de Limoux nascerá em 1531.
Documentos históricos de 1544 atestam que o Sieur d’Arques (Senhor dos Arcos), um poderoso senhor feudal do Razès, comemorava suas vitórias militares com a Blanquette. Limoux vê nascer a Blanquette Ancestral, bebida pouco alcoolizada e suave, que tem uma segunda meia-fermentação na garrafa. Feita de uvas mauzac, chamada na região de blanquette, isto é, branquinha devido a sua cor clara.Será somente duzentos anos depois que Dom Pérignon (1639-1715), também um monge beneditino, responsável pela cave da abadia de Hautvilliers, próxima a Epernay, irá desenvolver o método champenoise, hoje chamado também de tradicional. Seria apenas coincidência o fato de ambos serem da mesma ordem religiosa? O fato é que o INAO organismo francês que regula os vinhos de denominação de origem reconhece a anterioridade da Blanquette de Limoux como o primeiro brut do mundo.