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25.8.08

Colheita de 2008 será inferior a de 2007

Em breve as colheitadeiras farão parte da paisagem dos vinhedos.


As previsões oficiais estimam em 46 milhões de hectolitros a colheita de 2008, o que significa um recuo na produção de 10% do volume em relação à média dos últimos cinco anos. Ano passado a colheita, que sofreu com a seca, atingiu 46,5 milhões de hl.
Os vinhos AOC manterão a performance de 2007, mas os vinhos regionais, Vin de Pays, terão seu volume reduzido de 3% em relação ao ano anterior, já baixo, e de 8% sobre a média dos últimos 5 anos. Ao que parece a colheita no Languedoc Roussillon será menor do que previsto, o que afeta diretamente a colheita dos Vin de Pays. O leitor do Blog sabe que o Sul da França é, de longe, o principal produtor de vinhos varietais da França.

23.6.08

Forte ataque de míldio no Sudeste da França - AOC Costières de Nîmes


O forte volume de chuvas no Languedoc e em particular no departamento do Gard, colocou os viticultores em alerta neste final de primavera. Segundo a Metéo France, a meteorologia francesa, somente em 1949 choveu tanto na região. Desde maio as precipitações atingiram 250 a 300 mm.
Segundo o diretor da Câmara de Agricultura do Gard, Jacques Oustric.
Estas chuvas foram distribuídas de tal forma que propiciaram as condições ideais de desenvolvimento do míldio, um fungo, e atrapalharam os tratamentos programados. Os ataques nas regiões menos atingidas são essencialmente nas folhas, nas demais também os cachos foram atingidos. Em lugares mais úmidos e com parcelas mais vigorosas a totalidade da colheita foi destruída. Em alguns locais onde as parcelas do vinhedo foram muito atingidas alguns agricultores fizeram a opção econômica de simplesmente parar o tratamento. A luta contra o míldio, este ano, exigirá cinco passagens até o final de junho, o que significa o mesmo número de todo o ano anterior. “Se o verão for seco teremos seis passagens de tratamento, mas se for um verão chuvoso teremos oito ou mesmo nove”, afirma Jacques Oustric.
Não bastasse o míldio, o oídio, outro fungo, também está atacando com força os vinhedos. No norte do Gard há também a presença do “black rot”, provodado pelo fungo Guignardia bidwellii . Ainda não se sabe o impacto exato sobre a colheita.
Geograficamente situado na Região do Languedoc Roussillon, o Gard tem seus vinhedos, AOC Costières de Nîmes, historicamente ligados ao Vale do Rhône, pois fica na margem direita deste.

21.6.08

Miss France promove vinhos e alimentos do Sul da França

A nova garota propaganda dos vinhos do Languedoc Roussillon é a Miss France 2006, atual Miss Europa. Nascida em Béziers, no departamento do Hérault, Sul da França, Alexandra Rosenfeld (foto) está nas telinhas francesas representando chapéuzinho vermelho que modificando o conto de Perrault soterra o lobo mau graças a uma chuva de azeitonas. Sorrindo diz ao final da cena - " Sul da França, a marca que muda o curso da história." O cenário é um vinhedo, técnica usada para driblar a proibição de fazer propaganda de vinho na TV. O spot promove as frutas, queijos e azeites da região. Uma iniciativa do governo regional para ampliar a comunicação da marca Sud de France.


20.6.08

O verão, o sol, as vinhas e as greves no Languedoc



Ciclo de vida do verme do cacho: da larva, casulo, mariposa e o ataque no cacho.

Vai chegando o verão e com ele o vôo das andorinhas, o canto das cigarras, o calor do sol e as greves dos sindicalistas. O porto de Marselha, Fos Sur Mer, com sua greve vaga-lume leva milhares de “containers” a procurarem outros portos, como o de Barcelona. Os caminhoneiros lançaram uma operação tartaruga nas estradas. Na moderna, longa e bela ponte de Millau, também no Languedoc, foram as enfermeiras que pararam ontem o trânsito.
Após as chuvas da primavera, e como precisávamos de chuva, o tratamento da vinha tem de ser retomado de imediato. As poças provocadas pela chuva criam as condições ideais para o ataque de fungos como o mildio e o oídio. Especialmente neste momento do estado fenológico das vinhas: floração ou bagos do tamanho de petit pois. A sensibilidade da vinha é grande e todo cuidado é necessário. O tratamento contra o oídio é fundamental até que o cacho esteja compacto. O ataque do mildio é presente em todo o Corbières e Fitou, nos informa a Câmara de Agricultura do Aude. É bem verdade que este ataque acontece em toda a França. Em alguns territórios como em Lézignan (Château Etang des Colombes) e Fabrezan (Château Ribaute) temos também neste momento o vôo das mariposas (Eudemis) que trazem o verme do cacho.
Mas de fato é bom voltarmos a ter um bom fim de semana com sol. Com temperaturas oscilando de 23ºC a 28ºC. Isso posso afirmar hoje, por que ontem Meteo France estava em greve.

24.5.08

Alunos brasileiros fazem sucesso no Sul da França

Claudia Oliveira, aluna, aprende a fazer a poda em verde(epamprage) em La Livinière.
A primeira turma de Enologia brasileira no Sul da França está sendo um grande sucesso. Aulas de excelente nível técnico com perguntas que aprofundam a matéria e esclarecem os métodos utilizados no Languedoc e na França. Questões sobre o comportamento de castas oriundas de regiões mais frias ( merlot, chardonnay, cabernet sauvignon), sua adaptação ao clima Mediterrâneo e seu comportamento no Brasil, enriquecem o curso e provocam uma verdadeira troca de experiências.
Visitas técnicas em cantinas de diversos tamanhos e produzindo vinhos com diversos objetivos de mercado. Desde um pequeno produtor bastante artesanal com cubas de fibra e material de cantina bastante simples, mas aplicando as melhores técnicas de cultivo e vinificação num território excepcional o Minervois La Livinière, o primeiro Cru do Languedoc. O resultado foi que a degustação encantou a todos e supreendeu provocando um acesso de compras das safras de 98 e 99. No Brasil apenas a 2002 é vendida pela Vitis Vinífera.
Outra visita muito interessante foi no INRA (Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola) de Pech Rouge, em Gruissan a 12 kilômetros de Narbonne, o único centro exclusivamente viti-vinícola da França. Responsável dentre outros pela criação das tecnologias de eletro diálise (estabilização do vinho) e a badalada Flash Détente.
Prefeito pede encontro
Após o destaque na imprensa na última terça-feira o grupo foi convidado para um vin d’honneur por Jacques Bascou, Deputado Federal e prefeito de Narbonne, cidade de médio porte onde acontece o curso. Bascou quer ter um papo descontraído, "tête à tête", com os formadores de opinião brasileiros. O encontro deve acontecer na próxima sexta-feira às 18 horas, na sede da Prefeitura, na Catedral de Saint Just, entorno de vinhos do Languedoc.

17.5.08

Por dentro do I curso de enologia


Catherine Olés e Marie Valette profesoras do CFPPA de Narbonne


Os preparativos para a chegada da primeira turma de brasileiros a cursar a formação Enologia Aplicação Profissional no Sul da França, tem me tomado muito tempo. Mas o programa ficou legal, as aulas estão traduzidas, as visitas técnicas estão todas agendadas e toda a logística organizada e definida. Não é pouco.
Desde a escolha dos restaurantes com critérios de tipicidade, preço, localização e carta de vinhos até dos proprietários dos vinhedos e técnicos que irão transmitir seus conhecimentos tudo foi planejado. Os vinhedos visitados são em condução sustentada e orgânica, ou como se diz por aqui, "biô". As vinícolas visitadas são de diferentes denominações de origem e dentro destas em diferentes terroirs, formas de vinificar e cortar os vinhos. Corbières terroirs Fontfroide, Lagrasse e Sigean (de um total de onze) Minervois, Coteaux de Languedoc La Clape, Fitou, Côtes du Roussillon, Banyuls, Limoux terroir Autan e Haute Valée. Assim veremos produtores de vinhos, espumantes e fortificados. Além de um encontro com a direção da Câmara de Agricultura que oferece o suporte técnico aos agricultores, o Comitê Interprofissional do Vinho do Languedoc (CIVL) e uma visita às instalações de pesquisa do INRA em Gruissan (veja artigo sobre o vinho de 10º abaixo).
A participação de três professores diferentes Catherine Olés, bióloga formada em Bordeaux, Marie Valette, enóloga e produtora e Bertrand Folet comercialização do vinho e ex-produtor, para que se tenha uma diversidade maior no aprendizado. Tudo planejado meticulosamente para que se tenha uma boa formação teórica e prática. Que nossos alunos não apenas aprendam a vinificar, mas que conheçam em profundidade o Languedoc Roussillon, seus terroirs, sua cultura e os personagens que dão vida a estes vinhos maravilhosos.
Falando em cultura a Septimanie, o atual Languedoc Roussillon, a mais romana das províncias do Império, era mesmo uma civilização diferente que foi conquistada pelo Rei de França na cruzada Albigense. Aqui, ainda se fala “oucitan” um "patois" mais latino que o francês.

26.3.08

Detalhes do programa do curso de Enologia Profissional para brasileiros no Sul da França

Detalhe de vinhedo no mês de maio, época do curso.


No primeiro dia de aula, 19/05, teremos pela manhã uma apresentação do vinhedo francês e após o almoço faremos uma visita ao CIVL (Comitê Interprofissional do Languedoc), onde será apresentado o vinhedo do Languedoc e serão distribuídos mapas do vinhedo e suas diferentes denominações de origem. Seguido de degustação.

No segundo dia, 20/5, aula a uva e a colheita. No meio da tarde visita do vinhedo do Château Notre Dame du Quatourze, AOC Coteaux de Languedoc Quatourze o mais antigo vinhedo francês. Apresentação do modo de condução do vinhedo, degustação de bagos. Syrah, mourvédre, carignan, grenache, bourboulenc...

Dia 21/5, aula sobre Fermentação e higiene. Depois do almoço visita do Château Landure ou Pouzols, na denominação Minervois, no departamento do Hérault. Na visita da cave vamos ver os equipamentos da fermentação e os procedimentos higiênicos aplicados.

Dia 22/5- Vinificação tradicional e sulfitagem. Na visita técnica de uma cooperativa no Corbières, a maior denominação do Languedoc, vamos ver todos os equipamentos e procedimentos que são realizados, cálculo de volume de sulfito e sua aplicação nas cubas, se possível e necessário.

Dia 23/5 - Pela manhã visita do Château de Saint Auriol no Corbières, terroir de Fontfroide e à tarde final da aula de vinificação tradicional de tintos.

Dia 26/5 - Vinificação de brancos e espumantes pela manhã e à tarde visita do Domaine da nossa professora enóloga, Marie, no AOC Fitou, seguido da visita da Cooperativa de Leucate, de forte participação feminina.

Dia 27/5 - Visita do terroir de Limoux, o berço do espumante mundial. Apresentação em power point da denominação de origem (o melhor chardonnay da França após Borgonha), da seleção dos 4 terroirs e da vinificação e envelhecimento do espumante. Visita da cave e de seu laboratório de análise e acompanhamento do processo de produção dos famosos espumantes de Limoux. Após almoço visita das parcelas e de seus diferentes terroirs. Visita de Baron'Arques, da Baronesa Philippine de Rothschild, produtor de grandes tintos.

Dia 28 - Composição do vinho, envelhecimento e engarrafamento.
Após almoço visita de cave de envelhecimento. Acidentes e tratamentos do vinho, em sala.

Dia 29 - O vinho doce natural. Muscat, Banyuls e Maury. Partida para o Roussillon e vista de uma cave de Banyuls e a Colliure.

Dia 30 - Pela manhã prova múltipla escolha. Depois do almoço vista dos châteaux Rouqette sur Mer e L'Hospitalet em La Clape. Volta à escola para entrega das notas da prova e dos diplomas para os aprovados, seguido de vin d'honneur oferecido pela Reitoria e Ministério da Agricultura.

8.2.08

A poda de inverno é primordial para o vinhedo




O inverno no Languedoc Roussillon segue com pouco rigor, apesar de ter começado mais cedo, e não choveu muito. A poda da vinha continua em bom ritmo. Até digamos metade de abril os viticultores devem ter podado, amarrado as vinhas e limpado as valas. Segundo Pierre Tournier, viticultor em Fabrezan, “como o tempo tem estado bom não estamos atrasados. Começamos a poda no final de novembro ou no início de dezembro e no meu caso acredito terminar em março. Deixo para março a poda das minhas melhores parcelas. Nada substitui a poda de março, como diz a tradição”, assegura. Em todo caso deve-se andar rápido pois com o tempo ameno a seiva pode subir mais cedo em alguns pés de vinha e os brotos surgirão antes do tempo e neste caso a poda pode enfraquecer a planta, conclui Tournier.
Para quem não sabe este é o momento mais importante no vinhedo. Na poda se determina o rendimento, o crescimento desejado, a estética do arbusto e a quantidade almejada de uvas nos anos seguintes. Uma escolha ruim do sarmento pode causar prejuízos tanto na quantidade quanto na qualidade. Mais se poda menos se produz. Mais qualidade igual a menor quantidade de cachos e maior concentração nos bagos, portanto tendência a produzir vinhos melhores e mais caros.

17.1.08

Um vinhedo australiano em pleno Languedoc muda de mãos











Durante minha formação no Le Quatourze, Narbonne, Sul da França, minha turma fez uma visita técnica ao Domaine de La Motte, perto de Narbonne. Fomos lá para conhecer como os australianos fazem vinho. A condução do vinhedo foi determinada pelo proprietário original o grupo James Herrick. Este utilizou as técnicas australianas de condução, terreno gramado, gota a gota para irrigação e adubação, fios de ferro que se levantam em linha simultaneamente, área de vinificação em estado da arte com cubas em inox, micro bolhas, prensagem pneumática e tudo planejado. Detalhe, quando a visitei já pertencia ao grupo australiano Foster's. Conecido pela cerveja mas também por seus vinhos australianos e americanos e também pela champagne Lanson. Coisas do mercado de ações e da mundialização.
Seu objetivo era produzir uvas chardonnays sãs e vinhos muito bons nos padrões ABS, nada de vinho ótimo ou excelente. Esta era a tarefa que lhe cabia no catálogo de vinhos da empresa. O vinhedo era como uma unidade de produção fabril. Tinha condição de produzir vinhos melhores? Sim, mas aquela unidade tinha como objetivo vender vinhos chardonnays, VDP d'Oc, nos países anglófonos com qualidade e regularidade e etiqueta francesa que remetesse à França. A repetição em propaganda é uma arte. Ou que usasse a forte marca Herrick.
A seca na Austrália, a escassez de brancos, inclusive no Languedoc e o desejo da cervejaria Foster's de se “livrar” daquela unidade “estranha” fez com que o Domaine mudasse novamente de mãos. Agora é a família Bonfils, negociante, que aproveita a forte demanda e compra a vinícola e seus vinhedos de Narbonne, Lézignan-Corbières e Sallèle d'Aude, todos situados no departamento do Aude. Lembrete, a equipe técnica nunca mudou, como numa boa fábrica. Apenas o contrôle acionário foi modificado. Mas, deta vez, a vinificação do negociante no Hérault, departamento vizinho cuja capital é Montpellier, vai se mudar para a nova propriedade. Bem vindo.

27.11.07

A paisagem mudou no Languedoc.






Nas fotos um vinhedo da denominação Corbières a 100 metros do rio Aude, encoberto pelas árvores, que separa o terroir de Minervois do Corbières.





No outono as folhas adquirem um colorido esplêndido que vai do amarelo ao vermelho do verde ao marrom. Este caleidoscópio dionisíaco balança ao sabor dos ventos Tramontana, do norte, e Marin, do mar Mediterrâneo. Balança, balança até que cai. Quando voltei do Brasil, logo após o Festival do sul da França, peguei os últimos dias desta efêmera beleza. Hoje as folhas caíram e a poda de inverno campeia nas parcelas de vinha do Languedoc-Roussillon. Um pouco cedo? Pudera, enquanto chove em toda a França aqui faz sol e venta, vento forte de 70 a 90 km/h. A opção é chuva ou sol com vento. São Pedro já decidiu. Amanhã falamos da nova safra, a de 2007.

19.9.07

Retratos de Gestos de Viticultores





Uma opção de visita interessante é ir ao site da Oenovideo onde se pode ver uma bela exposição de fotos de viticultores em ação nos seus diversos momentos. Vale o passeio. Acima uma pequena amostra da exposição: a primeira foto registra o acompanhamento fitossanitário de um vinhedo e a segunda a poda de inverno, ambas de Christian Walter. A terceira é de Anne Laure Camilleri.

19.7.07

A via Domiciana e a primeira crise no Languedoc



Muito se fala hoje de uma crise vitícola no Sul da França, mas a história nos mostra que outras crises já existiram. Foi graça aos gregos em 500 AC que as primeiras vinhas chegaram à França, no Languedoc. O desenvolvimento das vinhas aconteceu na época romana, o comércio era efetuado pela via Domiciana, a expansão da produção dos vinhos do Languedoc foi tão forte que ameaçou os vinhos italianos, em 96 AC o imperador romano Domício ordena a primeira “arrachage”, isto é, retirada de pés de vinha na província de Narbonne.
A mais antiga via gaulesa importante fator militar e de progresso era para Roma um instrumento para garantir a conquista da Espanha ao ligar a capital da República à Cadiz, na Espanha, atravessando todo o Sul da França. O comércio e a comunicação nunca mais seriam os mesmos.

29.5.07

Os ventos Tramontana, Marin e o vinhedo no Sul da França


O quadro Printemps de Corbières, de Mariza Rebouças, faz imaginar a força dos ventos.


Neste final de semana tivemos no Sul da França, mas não somente aqui, ventos que chegaram a atingir 130 km por hora. O que me inspirou a escrever sobre o vento e a uva.
No Languedoc Roussillon o vento exerce um papel muito importante, pois está presente 260 dias por ano, em média. Nesta região ensolarada, de inverno brando e baixa pluviometria o vento é um ator maior no cultivo da vinha.
Existem dois ventos que sopram por aqui o Marin (marinho) que vem do mar como diz o nome e o Tramontana, que do outro lado do Maciço Central, é chamado Mistral, o vento que vem do norte. A ação destes ventos faz com que a freqüencia de tratamentos contra as doenças que atacam o vinhedo sejam até dez vezes menores do que em regiões mais ao norte. Explico. Após a chuva na primavera o surgimento de poças d'água e a umidade no vinhedo criam condições propícias ao desenvolvimento de cogumelos. O Tramontana é um vento seco e forte que seca o vinhedo inibindo muitas vezes o desenvolvimento do míldio e do oídio, as duas principais ameaças no Sul da França. O Marin, no verão, atua como um atenuante do calor evitando o estresse hídrico, pois é um vento que traz a umidade e o frescor para esta que é a região do mais longo verão francês.
Se o vento incomoda e chega mesmo a assustar pela sua força e constância fique sabendo que para o viticultor é uma dádiva da natureza.

27.3.07

Pode cedo, pode tarde, nada substitui a poda de março



O velho ditado dos viticultores nos ensina qual o momento ideal para a poda. Desde a queda das folhas em novembro até março antes da brotação (débourrement) em abril as videiras devem estar podadas. É que no momento da poda a videira chora, este choro é rico em açúcares e ácidos e aumenta a sensibilidade da planta à geada, por isso o corte deve ser oblíquo e em sentido oposto ao broto para não molhá-lo, pois molhado e caindo uma geada este morreria. Em março com o clima mais ameno, ela vai parar de chorar mais rápido, vai secar, cicatrizando o corte e oferecendo menos risco de contrair doenças. Nem sempre é possível realizar a poda em um só mês, sobretudo se o vinhedo é grande. O viticultor procura sempre deixar para março a poda das melhores parcelas, isto é, daquelas que darão os melhores vinhos.

22.3.07

Um vinho, um vinhedo.



Vinho: Domaine Aimé cuvée Feuilles d'Automne 2002

Vinhedo: AOC Minervois La Livinière

Vinhedo:
No Sul da França no coração da apelação Minervois nasce um cru, o La Livinière. Esta micro apelação tem sua origem pela excelência geográfica e geológica, apenas em La Livinière são encontradas todas as características do território Minervois em um só lugar. O clima Mediterrâneo é seco com apenas 400 a 500 mm de precipitação no verão. O forte calor diurno é atenuado à noite pelo ar fresco que vem da Montanha Negra. O solo é um grande tabuleiro de calcáreo compacto e de marnas calcáreas. Para que o vinho seja La Livinière ele deve ter um rendimento máximo de 40 hl/ha, normalmente este rendimento é de 35hl/ha. O vinho terá ainda de passar por duas degustações do Sindicato até ser aprovado. O rigor traz recompensas, afinal, veio desta apelação o campeão mundial do International Challenger of London 2005, o Oscar dos vinhos.

O vinhedo de 22 anos de idade é conduzido em duplo cordon de royat paras as duas castas, syrah, 40%, e grenache, 60%, numa pequena propriedade de 3,30 hectares. A colheita é determinada por degustação e análise dos bagos buscando uma maturidade ótima. O envelhecimento é de 15 meses em cubas de cimento semi-enterradas.

Degustação: “Quem trata bem suas folhas no verão colhe maduro no outono”, diz o ditado francês. Este adágio se aplica a Rémy Bonnet um bom jovem produtor formado pela Escola Le Quatourze de Narbonne. O vinho é rico e untuoso. Os aromas vão ao diapasão, saltam ao nariz e dançam uma quadrilha numa boca equilibrada onde brotos de cassis e frutas alcoolizadas se harmonizam calorosamente com a mirra, o louro e o alecrim. O vinho é longo na boca, apresentando-se elegante e macio. Esse vinho faz sua reverência com um final explosivo. Teor Álcool: 14,5%.
Harmonização: Acompanha queijos, churrascos e carnes assadas.
Armazenamento: É um vinho de guarda, seu apogeu será entre 2007 e 2010.Pode ser guardado 10 anos.
Produtor: Remy Bonnet
Importado por http://www.vitisvinifera.com.br