18.12.07

Barbadas borbulhantes no supermercado Zona Sul


Chegou ao supermercado Zona Sul a Crémant de Limoux Cuvée 1531 rosé, da Aimery-Sieur d'Arques. Novidade na França e no Brasil neste Natal. É o primeiro rosé desta que é tida como a melhor cooperativa da França pela maioria dos enólogos e sommeliers franceses.
O preço é muito competitivo, R$ 36,80 no encarte, é vinho para mais de 87 pontos. Deguste e me diga qual sua pontuação. A versão brut está com o mesmo preço e mereceu uma estrela em 2007 no Guide Hachette. No guia deste ano a Aimery/Sieur d'Arques não apenas teve um recorde de crémants e blanquettes selecionadas, nada menos que 7. Sendo 6 com uma estrela e 1 com duas estrelas e "coup de coeur" com direito a reprodução da etiqueta. Explico. Esta premiação mostra a relação custo benefício dos melhores da denominação de origem. Foi a única crémant a realizar o feito.
Outra barbada no Zona Sul é a champagne Alfred Gratien 160 reais, com 90 pontos na Wine Spectator, eleita a melhor Champagne não safrada da França pela Revue des Vins de France em maio e este mês pela revista Le Point. Deixando longe marcas badaladas como Möet Chandon, Mumm, Pommery e Veuve Clicquot. Não é pouco não. Esta é boa mesmo; pois é a primeira vez que falo de um vinho que não é do Languedoc. Santé.

17.12.07

O método de condução e a seca. Ou irrigar ou não irrigar?

Vinhedo do Château Notre Dame du Quatourze, Coteaux de Languedoc Quatourze conduzido sem irrigação.

O vinhedo australiano está baseado na irrigação gota a gota, o que faz com que as raízes das vinhas sejam menos profundas do que nos vinhedos franceses. Explico. A videira não tem necessidade de ir buscar água no lençol freático, devido à irrigação constante, quando ocorre a seca ela não está capacitada a buscar água no lençol freático mais profundo porque sua raiz está mais próxima da superfície. A escassez de água torna a irrigação difícil e onerosa.
O método utilizado para os vinhos de denominação de origem no Sul da França não permitem a irrigação gota a gota e normalmente nenhum tipo de irrigação. O objetivo é a preservação da característica clima do terroir. Claro que esta decisão cria problemas como a irregularidade da produção e da qualidade da uva em função da pluviosidade. Um dos fatores climáticos que vão caracterizar o terroir. Por outro lado a planta habituada a buscar a água em solo profundo tem suas raízes a dezenas de metros de profundidade. O que a torna mais apta a resistir à seca.
O que se discute entre um método e outro é um controle maior sobre a natureza e por conseqüência sobre o resultado da colheita. Nesta escolha há muitas variáveis em jogo dentre elas a regularidade da produção e da qualidade. Mas as mudanças climáticas acabam de inserir a sobrevivência de centenas de produtores australianos nesta equação.

14.12.07

A equação clima, seca, millésime e preços do vinho.


Já havíamos comentado aqui no Blog que o preço dos vinhos ia subir em 2008 devido a problemas climáticos e a quebras de safra. O cenário na Austrália, grande produtor de vinhos brancos, segue catastrófico, com uma seca que não acaba. Responsável por uma quebra de 30% na safra de 2007 o que influi num aumento imediato dos vinhos brancos varietais franceses, notadamente no Languedoc responsável por 60% da produção.
Outro aspecto interessante é que em 2007 foi um ano pequeno para a millésime de brancos na Borgonha o resultado se refletiu imediatamente no Leilão deste ano dos Hospices de Beaune que caiu de 6,5% em valor em relação ao ano anterior. Por outro lado os tintos se apresentaram bem melhor e os preços subiram 37,8% contra uma previsão de alta de 15%!
2007 foi um ano excelente no Languedoc-Roussillon em relação à qualidade dos vinhos, o que resultou numa imediata diminuição do volume produzido devido às questões climáticas, ataques de míldio e oídio e da "arrachage", retirada de pés de videiras só podemos aguardar um aumento dos preços e da qualidade. O que não quer dizer que estes aumentos venham a ser repassados ao consumidor. Isto devido a valorização do Real. A conferir.

13.12.07

Toques e Clochers II


O leilão é de barris que comportam 300 garrafas. Cada vilarejo da denominação de origem Limoux pode participar com no máximo dois barris. A disputa para produzir os vinhos do leilão de Toques e Clochers começa na seleção do produtor e de sua parcela. Os selecionados têm um acompanhamento rigoroso e o rendimento do hectare cai de 45 hl para 30hl a fim de aumentar a concentração e as qualidades organolépticas dos vinhos afirma Alain Gayda, diretor geral. Tanto em Wine Spectator como em R.Parker nossos barris do leilão superam a marca dos 90 pontos.
O Leião é também um grande evento que faz conhecer melhor esta denominação de origem, a cidade de Limoux e seu entorno, onde encontraremos a abadia de Saint Hilaire berço do primeiro brut do mundo em 1531.
Limitado a 1000 participantes Toques et Clochers terá, pela primeira vez, uma mesa de brasileiros criteriosamente selecionados por este blogueiro. Serão importadores, consultores e jornalistas que estarão presentes descobrindo este grande evento do Languedoc e seus vinhos.
O primeiro chef a presidir Toques et Clochers foi Pierre Troisgros há 19 anos, que estará de volta, com seus filhos em 2009, dentre eles o "brasileiríssimo" Claude do Bistrô 66.

Este é um evento do qual toda a cidade participa, inclusive o arcebispo de Carcassonne afinal, parte dos recursos é utilizada para a restauração dos campanários das centenárias igrejas de Limoux. Outra curiosidade é que o Carnaval de Limoux é o mais longo do mundo com duração de 90 dias.

11.12.07

Entrevista de Rogerio Rebouças na Rádio France Internacional

Ontem dei entrevista na RFI, Rádio France Internacional que é retransmitida em dezenas de rádios brasileiras como a CBN e MEC. Estou falando do menu de Natal típico do Languedoc, sobre os espumantes de Limoux e dos bons vinhos do Sul da França. Ouça aqui.

Os chefs Juan-Mari e Elena Arzak vão presidir o XIX Toques et Clochers


O XIX leilão de Toques et Clochers, o segundo maior leilão de vinhos da França, será realizado na cidade de Limoux, Languedoc, nos dias 15 e 16 de março de 2008. Os chefs que presidirão esta edição serão Juan-Mari e sua filha Elena Arzak de San Sébastian, Espanha, fundadores da nova cozinha basca. Juan Mari é triplamente estrelado pelo Guia Michelin e seu restaurante, o Arzak em San Sebastien, País Basco espanhol, foi escolhido como um top 10 mundial pela revista inglesa Restaurant Magazine. Tido por muitos como o maior chef da Espanha Juan-Mari e Elena vão suceder na presidência de Toques et Clochers, Jonnie Boer do De Librije, da Holanda. O primeiro chef a presidir este prestigiado evento foi Pierre Troisgros.
O que é Toques e Clochers
Toques et Clochers é uma iniciativa da cooperativa Sieur d'Arques-Aimery, a melhor da França, este é hoje o segundo maior leilão de vinhos da França, sendo superado em arrecadação apenas pelo dos Hospices de Beaune, na Borgonha. Tal qual naquela denominação partes dos recursos são utilizados para fins beneficentes. Em Limoux o objetivo é a restauração dos campanários das igrejas históricas da região, daí o nome Clochers.

Cada evento de Toques et Clochers é capitaneado por um chef 3 estrelas do Guia Michelin. Como Toque é o nome do chapéu utilizado pelos chefs de cozinha e como estes chefs são carinhosamente chamados, vai aí uma homenagem à gastronomia e sua eterna aliança com o vinho. Continua amanhã mais esta saga do Sul da França.

10.12.07

VINISUD 2008 - A grande feira de vinhos do Mediterrâneo


VINISUD a segunda maior feira de vinhos da França vai acontecer de 18 a 20 de fevereiro de 2008, em Montpellier, no Languedoc, Sul da França. Será o local ideal para descobrir os vinhos do Mediterrâneo num ambiente profissional e agradável. Serão 1760 expositores da França e de diversos países.
A principal característica do evento é o espaço geográfico dos vinhos apresentados. O foco são os vinhos do Mediterrâneo. As principais regiões francesas presentes serão o Languedoc-Roussillon, Provença, Vale do Rhône, Sudoeste e Córsega. Além de Portugal, Espanha, Itália, Tunísia, Israel, Marrocos, Argélia, Grécia, Líbano, além de alguns países do leste europeu. É como um clube da Luluzinha onde Bordeaux e Borgonha não entram.
Esta grande concentração de produtores do Mediterrâneo, inclusive muitos pequenos, permite descobrir tendências e novidades. Degustações, negócios, conferências, palestras, exposições e lançamentos serão a tônica desta feira que reunirá 35 mil visitantes profissionais, sendo 18% estrangeiros, de 86 nacionalidades diferentes.
Se algum veículo precisar de um repórter no local pode contar com este jornalista. Estarei presente todos os dias do evento recebendo alguns brasileiros e mostrando alguns dos bons vinhos do Languedoc-Roussilon.

7.12.07

A origem do aroma floral nas castas aromáticas - parte II

O outro ângulo abordado no estudo foi o papel das leveduras no que concerne aos componentes aromáticos. É bem verdade que ela é incapaz de sintetizar aqueles compostos, mas é sabido que as leveduras comerciais têm um papel na valorização do potencial dos terpenóis aromáticos nos bagos da uva.
Estes componentes aromáticos estão presentes de forma livre ou combinados aos glucídeos, na gewurztraminer a essência do geraniol está presente sob forma glicosada, sem odor no mosto da uva, será na fermentação e na maturação do vinho que os aromas irão se desenvolver. Algumas leveduras específicas podem ter um papel relevante no aumento da concentração de geraniol e do linalol segundo os estudos de Francis Karst e Marc Fischer Université Louis Pasteur/INRA.

6.12.07

A origem do aroma floral nas castas aromáticas

A degustação de vinhos brancos aromáticos teve como conseqüência a definição de suas características enquanto aromas florais. A questão da tradução da especificidade de cada cepa em termos de análise sensorial útil ao degustador e em termos bioquímicos compreensível para os cientistas levou a estudos que se iniciaram no Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica, INRA, em 1980.
Foi então determinado que aromas florais típicos de certos vinhos como o gewurztraminer é em parte devido a forte presença, 0,2mg/l, de um monotepernol chamado geraniol enquanto que o muscat, um dos vinhos ícones do Sul da França, contém 0,3 a 0,5mg/l da mesma substância e 0,4 a 0,5 de outro monotepernol o linalol.
A questão é que apenas algumas castas sintetizam em quantidades apreciáveis estes compostos de carbono. O fazem graças a uma enzima da família da terpena sintetizadora.
Entender a origem dos aromas nos leva a bioquímica ou se preferirem à química dos carbonos. É por causa da capacidade de síntese desta enzima, que vai ser encontrada em doses muito maiores no manjericão, que a muscat e a gewurztraminer são as castas mais aromáticas. Amanhã falamos das leveduras e seu papel na definição dos compostos aromáticos.
Baseado na pesquisa realizada por Francis Karst e Marc Fischer Université Louis Pasteur/INRA.

4.12.07

Degustando amostras "brut de cuve" nos Corbières


Estive na última semana na Cave de Rocbère, em Portel des Corbières, no Languedoc. Participei de uma degustação de umas quinze amostras de vinhos (brut de cuve) da safra 2007 da vinícola. Eram das castas carignan e grenache duas das mais importantes para se produzir um bom Corbières. Estavam presentes o diretor geral Henri Forgues, o enólogo e o gerente da adega. Um exercício interessante, pois o brut de cuve é um vinho que não está pronto, que ainda vai ser assemblado e dará origem ao vinho final. É neste momento que se define o corte. Sabíamos que as uvas chegaram à cooperativa em excelente estado fenológico e sanitário, mas até ela se tornar vinho há uma boa distância a ser percorrida. Que agradável surpresa a millésime 2007 algumas das amostras faziam crer que o vinho estava pronto para beber. Podem esperar ansiosos, pois os tintos de 2007 no Corbières e o Grand Opéra em particular serão excepcionais como foram na colheita de 1998. Um grande ano para o Sul da França.

30.11.07

Lançada em Paris a denominação AOC do Languedoc

Bernard Devic é presidente de Sud de France e diretor geral do grupo Val d'Orbieu foi um dos responsáveis por este lançamento.



Foi lançada no último dia 22 em Paris a denominação AOC do Languedoc que passa, agora, a estar disponível nas prateleiras. Graças ao esforço dos grandes "players" do Languedoc Skalli, Jeanjean, Castel, Val d’Orbieu, UCCOAR…, as garrafas dos AOC do Languedoc estarão no mercado francês a partir deste final de ano. Uma bela conquista dos produtores locais que almejavam uma apelação genérica de toda a região. Vale lembrar que para ter este status o vinho deve respeitar uma lista de critérios organolépticos já aprovados. Agora o Sul da França possui duas grandes marcas regionais o Vin de Pays d'Oc, o top em se tratando de vinho regional, e o AOC do Languedoc.
O risco é que todos os AOCs das demais denominações, Corbières, Faugères, Fitou, Minervois,... que não sejam de bom nível se transformem em AOC do Languedoc. Vale conferir esta boa iniciativa.

27.11.07

USB Wine é video direto no seu micro. Baixe agora mesmo seu inho do Languedoc.


Seus problemas acabaram. Chega de vinho caro. Agora direto do Blog do Sul da França você pode baixar diretamente no seu micro os melhores vinhos franceses a preço de château, isto é, preço de fábrica. Por enquanto estamos fornecendo apenas vinhos "nacionais" em francês, mas não se desespere com a USB WINE você vai beber, digo, entender tudinho. É fácil. Seus problemas acabaram. Seu Creysson fez escola. Parabéns ao site 1 jour 1 vin pela peça publicitária. Duca.

A paisagem mudou no Languedoc.






Nas fotos um vinhedo da denominação Corbières a 100 metros do rio Aude, encoberto pelas árvores, que separa o terroir de Minervois do Corbières.





No outono as folhas adquirem um colorido esplêndido que vai do amarelo ao vermelho do verde ao marrom. Este caleidoscópio dionisíaco balança ao sabor dos ventos Tramontana, do norte, e Marin, do mar Mediterrâneo. Balança, balança até que cai. Quando voltei do Brasil, logo após o Festival do sul da França, peguei os últimos dias desta efêmera beleza. Hoje as folhas caíram e a poda de inverno campeia nas parcelas de vinha do Languedoc-Roussillon. Um pouco cedo? Pudera, enquanto chove em toda a França aqui faz sol e venta, vento forte de 70 a 90 km/h. A opção é chuva ou sol com vento. São Pedro já decidiu. Amanhã falamos da nova safra, a de 2007.

26.11.07

Foie gras combina com muscat.

O frio vai chegando e as promoções de alimentos típicos de final de ano também. No Natal e Réveillon se consome muito foie gras, fígado gordo e peito de pato, o magret de canard. Produtos caros, especialmente o primeiro. O foie gras não tem nada de patê. Pode ser vendido fresco, o top, o que raramente se encontra no Brasil, mi-cuit, semi-cozido, excelente e também raro no Brasil. Há também em bocal de vidro, embalado a vácuo, bastante bom ou em conserva. Esta pode ser em bloco, com pedaços ou inteiro.
Delicioso e untuoso o foie gras combina idealmente com um bom vinho doce como um Sauternes, mas também e bem mais em conta com um vinho a base de uvas muscat como o Muscat de St. Jean de Minervois, Muscat de Frontignan ou um bom Crémant de Limoux. Aproveitei a Feira da Gordura, Foire au Gras, da cidadezinha de Olonzac, no Minervois, para ir às compras. Uma delícia.