Mostrando postagens com marcador estatistica vinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estatistica vinho. Mostrar todas as postagens

27.10.08

Nos lares mais velhos se bebe mais

Taxa de penetração e intensidade de compra para diferentes categorias de vinhos em função e da idade dos lares.


A venda de vinhos franceses nos lares onde a pessoa responsável pelas compras possui menos de 35 anos a intensidade das compras e o nível de compra são mais baixos. No entanto a taxa de penetração de 78% reflete a existência de uma boa clientela entre os jovens. Informa-nos a Pesquisa Viniflhor Infos 157 de outubro 2008.Ah, se tivéssemos estes números no Brasil.
Se os AOCs e VDT estão em queda neste segmento os VDP estão em alta de 24,4%. O jovem casal está apostando um bom varietal. Mas são os AOCs que dominam com 63,7% das compras. Vale destacar que os brancos estão com importantes 23% do mercado nesta faixa etária.De 30 a 49 anos a taxa de penetração é de 84% e acima de 50 a mesma taxa é de 91% e os tintos dominam com 64% da preferência.
Outro dado interessante é a forte valorização dos AOC Coteaux du Languedoc, Saint Chinian e Faugéres, 68% e 53% respectivamente. Côtes du Roussillon mais 7%. Corbièeres menos 3% e Minervois menos 6% o hectolitro. Tudo Sul da França.

22.10.08

Francês adora AOC bom, barato e prefere tintos


Hoje analisaremos o gráfico de consumo dos vinhos AOC (VQPRD), denominação de origem controlada, produzido por Viniflhor Infos, em outubro, edição número 157. A série histórica nos mostra a evolução do consumo da campanha de 1999/2000 até a de 2007/2008. Lembro aqui que tal qual nos campeonatos de futebol as temporadas compreendem dois anos e vão de verão a verão, isto é, de colheita a colheita.
A primeira leitura que fazemos é que na faixa abaixo de 2€ os AOCs enfrentam a concorrência direta dos vinhos regionais (Vin de Pays -VDP) e vinhos de mesa (Vin de Table - VT). Neste segmento em relação à campanha anterior há uma queda no consumo de 4,8%. De 3,50€ a 2€ ocorre uma quase estabilidade do consumo e na faixa superior dos vinhos, acima de 3,50€, há um incremento na escolha do consumidor de 4,6%. Os lares franceses quando realmente querem um bom vinho buscam um AOC. 68,2% dos lares optam por um AOC quando o preço é superior a 2,50€ o litro. Realmente é a partir desta faixa de preço que começaremos a encontrar vinhos bons na categoria. De 4€ a até 6€ é a maior faixa de consumo para os AOCs. Neste segmento de preço encontraremos vinhos muito bons com preços bem abordáveis. É aqui que o francês pratica seu esporte preferido descobrir, escolher e comprar um vinho muito bom por um preço razoável. Achar pechinchas é um esporte nacional.
Se a quantidade de AOC comprado está em recuo de 3,8% ou seja de 2,28 litros por lar, por outro lado o preço médio subiu de 7,3% e este é de 4,09€ o litro.Os AOCs representaram 53,3% do volume total dos vinhos comprados pelos lares franceses, nos circuitos de distribuição tradicional, excetuando os consumidos no local, como restaurantes e bares. Representando em valor 73% das vendas de vinhos tranquilos. Os tintos são 64%, os brancos 20% e os rosados 16%. A queda dos rosés este ano se deve, sobretudo a questões meteorológicas. O verão fraco não ajudou a estimular o consumo.
Aqui vale lembrar como o rosado é bem adaptado ao clima do Brasil com seu longo verão. É certo que as vendas cresceram nos últimos anos a na terrinha, mas com o longo verão tropical o seu consumo deveria ir às alturas e brigar mesmo com as cervejas.
Amanhã tem mais.

21.10.08

Francês sem grana bebe vinho espanhol e italiano

Tabela mostra a estrutura da compra de vinhos na França em 2007/2008.


Estudo realizado por Viniflhor, Oficio Nacional Interprofissional de Vinhos, Frutas, Legumes e Horticultura, e publicado neste mês de outubro sob o nº157- Viniflhor Infos-, mostra uma série de estatísticas sobre produção e consumo de vinho na França região por região. Trago hoje uma delas que mostra o consumo do vinho na França por faixa de preço e por tipo de vinho.
O que salta primeiro aos olhos é que existe uma categoria de vinhos abaixo de 1€, o que daria no câmbio da semana R$ 2,80, o litro. E como com o custo França não tem mágica nesta faixa de preço aparece com destaque o vinho estrangeiro. Isso mesmo 24% dos vinhos mais baratos consumidos na França são vinhos em geral da Espanha e Itália. Quase não se encontra vinho AOC (VQPRD) nesta faixa de preço. Este é o segmento típico do vin de table, um vinho muito popular, às vezes vendido em garrafão. Mas não confunda com o garrafão brasileiro este aqui da França é proveniente de uvas viníferas e não de uvas de mesa.
Outro dado interessante é a força do vin de pays (VDP), o vinho regional, nos segmentos mais baratos, mesmo quando o preço ultrapassa os 2€ sua presença é forte e os vin de table tendem a sumir. Lembre-se vin de pays não é sinônimo de vinho ruim, está muito mais para varietal, vinho de consumo diário e fácil de beber. Mas o que também se vê é que os AOCs ganham espaço em todas as faixas acima de 1,5€. Digo mais, num "hard discount" e mesmo num grande supermercado dá para comprar AOCs simples e corretos nesta faixa de preço. Neste caso eu prefiro um VDP, vai ser mais recompensador. Isto se vê também no Brasil com os vinhos franceses. Exemplo os varietais franceses vendidos no Zona Sul do Rio, Super Nosso de BH e mesmo no Pão de Açúcar que não é um especialista apesar da origem francesa. Acima dos 3,5€ uma faixa quase exclusiva dos AOCs. O segmento alto tem dono na França, diferentemente do Novo Mundo.

O vinho é simples e belo como um gol de bico
O mais interessante de toda a tabela é que o francês bebe vinho barato. O brasileiro muito influenciado por modismos e outras ondas fica buscando vinho caro. Como diria Machado de Assis em seus contos Fluminense "a felicidade pode estar num par de botas". Não precisa ser um iate ou um Grand Cru Classé. O vinho é democrático e pode e deve caber no bolso de todos. É o companheiro ideal de uma refeição, mesmo caseira, de um papo entre amigos e de encontros amorosos. Vinho é alegria, festa, congraçamento e simplicidade. Simples e belo como um gol de bico.
Amanhã publico e comento outra tabela.

2.6.08

A França e o mercado mundial do vinho


Participação no mercado mundial de exportações



A velha Europa lidera a produção mundial de vinho. França em primeiro com 51,7 milhões de hl, seguida da Itália com 49,6 e Espanha com 38,2. Na sequência EUA (19,7), Argentina (15,5), Áustralia (14,3), África do Sul (10,1) e Alemanha (8,9). China em 11º e Brasil em 12º (belo salto).
O que se vê nas estatísticas é que o rendimento médio do Novo Mundo é de 94,7 hl/ha em 2006 contra 53,9 hl/ha na Europa. Isto quer dizer que, na média, o vinho europeu tende a ser muito melhor que os do Novo Mundo. O europeu é, portanto mais caro, com menos artifícios químicos, mais verdadeiro. Vale lembrar que na França a pequena propriedade domina, o que é terrível para o marketing. Falta de verba, política de conquista de mercado desorganizada, escassez de marcas mundiais,... Para ilustrar basta ver que das dez maiores propriedades vinícolas do mundo apenas uma é européia (Codorniu- ES).
Talvez o consumidor do Novo Mundo prefira um vinho pasteurizado, onde todos os vinhos sejam iguais. Conceito que em marketing é muito mais fácil de trabalhar. O vinho moderno e de fácil consumo são para os debutantes. Quem evolui muda rapidamente seu perfil de consumo.
As mudanças que ocorrem na legislação francesa visam atender, em parte, este novo consumidor que tem dificuldade (muito compreensível) de saber qual das centenas de AOC ou Vin de Pays (VDP) ele deve escolher na prateleira. A mudança na legislação é para brigar sim, com o Novo Mundo, por este consumidor, mas não na faixa super premium. Chips (copeaux) só para Vin de Pays (varietais e regionais) na França. Se a legislação dos VDP e VDT (vinho de mesa) foi flexibilizada esta ocorreu para atender uma demanda de mercado na faixa inferior do segmento. Afinal, o custo da uva na Africa do Sul é de apenas 0,16€ por kilo de uva e na França 0,37€ por kg!
O que acontece no novo mundo é que lá há mais liberdade para se fazer o vinho do que no Velho Mundo. Foi isto o que o agricultor europeu pediu para poder disputar o mercado de primeiro preço em condições iguais.
Veja bem os líderes de exportação por volume são Itália(21,4%), Espanha (19,8%), França (17,6%) e Austrália (8,9%). Em valor a ordem é França (35,5%), Itáia (18,1%), Austrália (9,6%) e Espanha (8,2%). Se a França cresce pouco em volume nas exportações por outro lado vê subir seu preço médio por garrafa. Sinal de que o consumidor busca a qualidade quando compra um vinho francês. Olha a referência mundial se exprimindo.
No Sul da França, o Comitê Interprofissional do Vinho do Languedoc (CIVL) está construindo uma nova hierarquização dos vinhos do Languedoc, tendo na base da pirâmide a nova denominação de origem Languedoc. Seguido das demais denominações como Corbières, Fitou, Minervois... Acima destes os Cru Boutenac (Corbières) , Cru Berlou (Saint Chinian) e Cru La Livinière (Minervois). Aos quais devem se juntar La Clape e Pic Saint Loup, hoje ainda Coteaux du Languedoc.
A França reconquistou o mercado Inglês em volume com 23% do total seguido da Austrália que recuou para 19% e a Itália segue na cola desta com 15%.
Então tudo é maravilha na França e no Velho Mundo? Nada disto o esforço pela qualidade e conquista de mercado é duro e o viticultor tem sofrido. Quem trabalha mal a uva e o comércio perdeu muito mercado. Quem produz bem e sabe vender está bem melhor. Não são anos fáceis. Mas o esforço tem sido bem recompensado. Mas muito ainda precisa ser feito e revisto.
Só para terminar por hoje, só por hoje, a França exporta em Euros, moeda valorizada frente ao dólar americano. Os EUA são o 3º maior país consumidor.
Desculpem mas para quem gosta de bom vinho a França é a grande referência mundial seguida de Itália, Portugal, Alemanha (brancos) e Espanha.
Fonte: Viniflhor 2007