13.8.07

Les Aspres, um Cru Roussillon




Vista do pico do Canigou e do vinhedo de Les Aspres à direita e o Le Partage à esquerda.




Resultado de um trabalho de 15 anos da hierarquização dos territórios de Côtes de Roussillon, Sul da França, é o surgimento do Les Aspres. Esta nova denominação é delimitada pelo vale do rio Têt e do Tech, pelo maciço de Albières e a montanha do Canigou, que é o pico mais alto dos Pirineus, do lado oriental, com 2766 metros, bem pertinho da Espanha no departamento dos Pirineus Orientais. O solo é de predras de rio seixadas e as castas são carignan, syrah, mouvèdre e grenache. Apenas tintos são poduzidos e devem ser vinificados e elevados ao longo de um ano. Seu lançamento é sempre em 22 de janeiro, dia de São Vicente.
Passeando um pouco além da região dos vinhedos, perto das estações de ski de Font Romeu, ma s ainda no Roussillon, visitei uma pequena feirinha do vilarejo de Matemale. Foi quando encontrei Isabelle Roux que com seu marido Didier Van Ostenghem possuem o Domaine de Demoiselles, Didier cuida da viticultura, trabalhando a terra de forma sustentada, sem uso de adubos químicos. Isabelle cuida da vinificação. Seu Côtes de Roussillon Les Aspres é o Le Partage e tem um corte de 60% syrah, 30% grenache e 10% carignan, segundo Isabelle para guardar a autenticidade do terroir. Afinal, são belas vinhas de carignan que beiram os 70 anos, uma jóia rara, assegura. O resultado é um vinho rico e autêntico com notas de frutas maduras e alcaçuz. Um vinho amplo de taninos presentes e macios, merecendo ainda envelhecer mais um ou dois anos para atingir seu melhor momento de degustação. Acompanha carnes vermelhas com molhos.

A CARIGNAN
Eu corroboro a afirmativa de Isabelle e quem, como eu, conversa muito com os produtores e enólogos da região, não tem receio de vinhos que contém velhas vinhas de carignan ou carignan plantada nas encostas. Ressalto o velhas vinhas pois é com a idade avançada que a cepa atinge seu apogeu e dá bons vinhos. Seu rendimento cai abaixo de 30 hl/ha e sua concentração é fabulosa. Dá corpo e calor ao vinho. Plantada nas encostas a carignan tem rendimento médio, na planície, por ser robusta, rende muito diminuindo sua concentração. Este é o perigo, mas a maior parte das carignans que restaram estão nas encostas e em solo pobre. Como convém.

10.8.07

Tem sempre um rosé que é a sua cara


Existem rosés de todas as tonalidades. Do rosa pálido ao âmbar passando pela cereja e o salmão, da cor da pele de cebola até a cor do olho da perdiz. O método de elaboração é de livre escolha do produtor, podendo ser por retirada de uma parte do suco no momento da encubagem dos bagos tintos para aumentar a concentração, o chamado sangrado, ou por prensagem direta, suavemente, da colheita. A sangrada pode nos oferecer vinhos mais coloridos, mais aromáticos e estruturados.Este é o preferido no Sul da França. A prensagem direta é como a vinificação dos brancos e irá nos oferecer vinhos mais claros. Em todo caso os vinhos rosés devem ser preferencialmente bebidos em 1 ou 2 anos. Bem gelado ou mesmo on the rocks, como nos diria o David Niven. Escolha o seu rosé, sem preconceitos.

9.8.07

O preço da colheita



O portador do grande cesto, porteur, é o mais bem pago durante a colheita.


Como vocês puderam ver na matéria abaixo a hora da colheita está se aproximando. Os vinhedos do Sul da França não estão tendo nenhum ataque de mildiou ou de oídio que justifique um tratamento maior do que o preventivo como dissemos no Flash Agrícola anterior. Inflavescência dourada e verme da uva requerem, em alguns territórios, maiores cuidados. Nada grave.
Para quem quer curtir uns dias na França e quer saber quanto se está pagando para realizar a colheita informo: o carregador está sendo pago 8,64€/h, esvaziador de baldes 8,53€, o cortador dos cachos 8,44€. Todos tem direito a 1,5 litros de vinho por dia, que está valorado em 0,27 euros o litro. Alguns produtores tem estrutura de alojamento para os "vendangeurs". Estes preços são a referência no Corbières,Languedoc, Sul da França. Se você não for europeu ou não tiver uma "permis séjour" cuidado com a fiscalização do trabalho e imigração, pois estará irregular.

7.8.07

Recorde de precocidade nas primeiras colheitas francesas em Rivesaltes



Os primeiros cachos de uvas francesas foram colhidos dia 2 de agosto nos vinhedos de Rivesaltes, no Roussillon, Sul da França. As primeiras parcelas colhidas do Domaine de Rombeau são da casta muscat petit grain. Seu teor de açúcar é equivalente a um potencial de 12º de álcool. Estas uvas darão origem a um muscat seco, que guarda o frutado típico da uva moscatel sem o doce característico do muscat doce natural, produto típico do "terroir" de Rivesaltes.
A precocidade se explica em razão de uma primavera bastante amena que permitiu uma floração antecipada, principalmente no planalto pedregoso de Rivesaltes, próximo de Perpignan. A colheita ocorre normalmente 100 dias após a floração. As boas chuvas no dia de Pentecostes, final de maio, reconstituíram o lençol freático e evitaram o stress hídrico provocado pelo forte calor e os ventos no começo do verão. O recorde anterior era do mesmo vinhedo e datava de 3 de agosto de 1999.
O muscat seco é um vinho fresco, com boa vivacidade e que se harmoniza perfeitamente com ostras. Outro produto típico do Sul da França, as mais famosas são as de Bouzigues, Gruissan e Leucate. Presença obrigatória nas mesas de Natal e Réveillon na França.

6.8.07

Cuvée Imperiale de Sieur d'Arques

Este vídeo é bastante instrutivo e vai fazer você conhecer um pouco mais sobre a Blanquete de Limoux. Você vai ver a abadia de Saint Hilaire, onde nasceu o primeiro espumante do mundo, em 1531, e conhecer os bastidores da Cave de Aimery - Sieur d'Arques e o processo do dégorgement de um brut. Santé!

2.8.07

Beba vinho e diga adeus à pasta de dente.



Segundo um estudo publicado pelos cientistas italianos Maria Daglia, Adele Papetti, Pietro Grisoli, Camilla Aceti, Cesare Dacarro, and Gabriella Gazzani, no Journal of Agricultural and Food Chemistry, da American Chemical Society, no dia 19 de junho deste ano, alguns componentes do vinho tinto e do branco como os ácidos sucínico, málico, lático, tártrico, cítrico e acético tem ação antibacteriana contra o Streptococcus oral, causador da cárie.
Os pesquisadores italianos realizaram este estudo, in vitro, utilizando vinhos brancos e tintos, o álcool foi retirado a fim de evitar uma interferência deste nos testes. Em seguida fizeram marinar no vinho as bactérias da família Streptococcus mutans, responsáveis pelas cáries, bem como outras bactérias da mesma família como a S. pyogenes, que provocam dor de garganta. Os vinhos das duas cores tiveram feito inibidor sobre as bactérias, afirmam os pesquisadores, com provável vantagem para o tinto. Os pesquisadores testaram também misturas sintéticas de ácidos orgânicos presentes no vinho que foram ainda mais eficientes.

1.8.07

Lufthansa servirá vinho tinto do Sul da França nos seus vôos



A companhia aérea alemã Lufthansa escolheu o vinho da cooperativa Les Vignerons de Calvisson, sob a marca guarda chuva Sud de France, para todos os seus clientes da classe econômica. O vinho foi desenvolvido especialmente para a Lufthansa e tem um corte de merlot, carignan e grenache. A garrafa é do tipo bordeaux, com rosca e contém 1 litro. A embalagem permite servir com facilidade 5 copos de 20cl, isto é, 5 passageiros com uma só garrafa. Foram encomendadas 250 mil unidades. A marca Sud France estará no rótulo e na rosca com apoio de Septmanie Export, fomentadora regional das exportações agrícolas. A mesma que trouxe a degustação Sud France ao Rio e São Paulo durante a Expovinis.

31.7.07

Coquetel do Henri Forgues

Aprenda a fazer o coquetel do Henri Forgues, um dos mais populares do Languedoc.

30.7.07

A influência do Mediterrâneo


Muitas vezes comento aqui que o Mediterrâneo influi na evolução do vinhedo, seja pelo solo, seja pelos ventos do mar. O Château Rouquette sur Mer, AOC Coteaux du Languedoc - La Clape,fica em Narbonne Plage, no Sul da França, a poucas centenas de metros do Mar, como se vê na foto. A colheita das primeiras uvas se faz pelo menos oito dias antes do château L'Hospitalet, que se situa a algumas centenas de metros mais para o interior. Incrível, não?
Neste momento em que estamos em pleno verão e há mais de um mês não chove, é a brisa do mar que rega as plantas. A maturidade ocorre mais cedo nos vinhedos mais próximos do Mar. Limoux, Malepére e Cabardès serão os últimos a serem colhidos.
Vale dizer que ambos fazem belos vinhos L'Hospitalet possui um museu do automóvel e no seu acervo encontra-se um carro de fórmula 1 que foi dirigido pelo francês Jack Ickx. Hoje o château pertence a Gerard Bertrand um grande negociante da região.
Já o Rouquette sur Mer, laureado no Guide Hachette, é de estrutura familiar e cuidadosamente capitaneado por Jacques Boscary, neto do fundador do Château. O que com certeza faz uma grande diferença, pois seu grau de exigência é imenso.

27.7.07

Brasil andou pra trás no último Muscat do Mundo




Apenas a Panizzon conseguiu continuar no quadro de medalhas, mesmo assim recuou do ouro para a prata. Miolo, Piagentini e Molon sequer levantaram um bronze. Este por sinal passou em branco no Concurso. Por outro lado, com a degustação promovida ao público e dirigida por Mauro Zanus e eu tivemos a oportunidade de ver que o público gostou do vinho nacional. O que é bastante positivo. Porém, no quadro de medalhas, quem levou duas no Top Ten do Concurso foi o Languedoc-Roussillon.
Para quem quiser conhecer um pouco mais Frontignan e suas caves vai aí embaixo um mapa que o levará a descobrir um dos paraísos da uva muscat. Juntamente com Rivesaltes, Mireval e Saint Jean de Minervois formam o quarteto dos grandes muscat do Sul da França.
Uma dica na cave Cooperativa de Frontignan não deixe de degustar os Muscat Vin Doux Naturel de 12 anos, se puder o de 20. O de 12 anos é vinificado tradicionalmente e envelhecido em pequenos barris de carvalho. Seu robe é de um amarelo profundo e brilhante. No nariz é fino e complexo dominando aromas de pão com especiarias e flores secas. Na boca delicado com notas florais e de especiarias aos quais se junta uma marmelada cítrica. Deve ser consumido bem frio, a 13ºC e harmoniza-se muito bem com queijos tipo roquefort e gorgonzola ou ainda com chocolate. C'est si bon.

26.7.07

O muscat de Frontignan ainda tem muito espaço para evoluir














Quando passeamos pelo Mediterrâneo, no Sul da França, nos confrontamos com uma paisagem que mescla um mar sem ondas de cor cristalina, "garrigue" (um agreste bonitinho), vinhedos e história, muita história. Histórias de um país antigo, cheio de personagens, glórias, lendas e hábitos. Estes muitas vezes difíceis de mudar, mesmo que os novos tempos da globalização implorem por uma mexidinha.
Em Frontignan uma das principais regiões produtoras de Muscat da França e do Languedoc, ainda se poda vinhedos em gobelet. O que para mim não é nenhuma novidade. Vinhedos mais antigos ou que não precisem obrigatoriamente de espaldeiras utilizam esta forma de poda. O que se vê bastante hoje em dia é o uso de espaldeiras para levantar a folhagem das vinhas podadas em gobelet. Para Mauro Zanus, os excelentes muscat de Frontignan ainda têm um bom espaço para crescer em qualidade e esta é uma das razões. Hábito de poda que não quer mudar.
Durante o Festival do Muscat pude degustar o Muscat seco, Terres Blanches, VDP d'Oc, 2006, 12,5% vol., da Cave les Vignerons de Frontignan, uma boa cooperativa. Elaborado com muscat petit grains, dita muscat de Frontignan, colhidas sob as vertentes pedregosas da "garrigue" que se espalha por toda a região. O vinho é de um amarelo palha, límpido e pleno de frescor. Na boca nos oferece notas de limão e lima, também presentes no nariz que se juntam à pera e banana. Ideal com frutos do mar e notadamente ostras frescas. Premiado com a medalha de ouro no C.G.A. de Paris em 99, 00, 01 e Muscat du Monde em 01.

25.7.07

Combata o efeito estufa, beba vinho francês e defenda a Terra.



O jornal inglês The Times tem incitado seus leitores a preferirem os vinhos franceses em detrimento dos vinhos da Nova Zelândia. O nobre motivo é ecológico já que estes durante seu transporte até o Reino Unido emitem mais gases responsáveis pelo efeito estufa do que os vindo da França. E se a moda pega no Brasil?
Os vinhos que chegam da Europa, França em particular, fazem pequenos trajetos de caminhão e longos trajetos de navio, que sabidamente emitem um mínimo de gases. Pelo raciocínio os vinhos que chegam do Chile e Argentina são os grandes poluidores e aumentam o efeito estufa no planeta, pois percorrem milhares de quilômetros de caminhão, grandes poluidores. Junte-se a isto a má regulagem e o péssimo estado da frota de caminhões latinos. Ressalte-se que os europeus são obrigados a seguir rígidas normas de controle de emissão de gases.
No Sul da França, Languedoc-Roussillon, os caminhões percorrem em média 140 km até o porto de Fos sur Mer, em Marselha. Trajeto irrisório se comparado aos vinhos que procedem da Argentina e Chile. Na hora de beber bote a mão na consciência, pense no futuro do planeta, mostre que você ama a natureza e beba vinhos do Sul da França.
O setor de transporte é o principal responsável pela emissão de gases, como o dióxido de carbono, seguido de perto pela indústria como nos mostra o gráfico acima.
Ah, para não ficar só no transporte vale lembrar que na França é proibido o tratamento da excoriose, doença que destrói a vinha, com arsênico produto altamente tóxico e cancerígeno. Como o uso do arsênico é a única forma conhecida de combate, o viticultor francês é obrigado a arrancar o pé de vinha infectado. Isso é que é decisão politicamente correta.

23.7.07

Brasil leva prata no Muscat do Mundo e Sul da França 7 de ouro



Mauro Zanus, diretor de degustação da Associação Brasileira de Enologia, durante o Concurso analisa um vinho no Muscat do Mundo.




Foram premiados com a medalha de Ouro, 26 vinhos sendo 11 para da França e destas 7 foram para o Languedoc-Roussillon, Sul da França. As de prata foram 44 o Brasil levou uma com o espumante moscatel da Panizzon a França conquistou 19 e o Sul da França levou 8. Segundo Mauro Zanus, enólogo brasileiro diretor da ABE, que além de ter sido principal conferencista do evento participou do júri e nos garantiu que as disputas eram muito apertadas e foi difícil escolher os melhores. "O sistema do concurso é diferente do da OIV, aqui tira-se pontos com base nas análises e falhas percebidas e para adotarmos o mesmo critério foi necessário uma formação para todos os jurados, profissionais ou não. Nenhuma grande medalha de ouro ou de bronze foi distrbuída.
Forma julgados 210 vinhos de 24 países durante dois dias para evitar patriotada, mesmo às cegas, 50% do júri era estrangeiro.

Espumante brasileiro encanta público em Frontignan




O Festival do Muscat em Frontignan la Peyrade, Sul da França, anima esta cidade de 25 mil habitantes que beira o mar Mediterrâneo. As ruas com suas barracas de degustação de alimentos e vinhos atraem turistas de todo o mundo. Este público internacional, mas majoritariamente francês, provou e aprovou os espumantes brasileiros à base de uvas moscatel. Em paralelo acontece na cidade o 7º Concurso Muscat do Mundo, que tem o Brasil como convidado de honra.
A prefeitura entrando no clima brasileiro contratou um grupo de samba e capoeira que percorria as ruas e encantava a todos. Na barraca do Brasil Mauro Zanus, diretor de degustação da Associação Brasileira de Enologia e Rogerio Rebouças apresentavam os espumantes brasileiros da casta moscatel ao público: Perini, Casa Valduga Premium, Vinícola Aurora, Oremus, Terra Nova e Salton. Também presente o vinho branco moscatel meio seco da Salton. O público curioso lotou a barraca e provava todos os vinhos. Os comentários eram sempre muito favoráveis e muitos queriam comprar os espumantes nacionais. Pediam endereço, nome do produtor, dica de site para compras, alguns descolavam a etiqueta para tentarem um contato direto com o produtor. Mas aquele era apenas um momento de degustação e divulgação do vinho brasileiro. Um sucesso de público.
Amanhã o resultado do Concurso.