
7.6.09
Beba vinho e viva mais cinco anos

3.6.09
Degustação de vinhos do Sul da França é sucesso em Salvador
Foi muito boa a receptividade do público baiano aos vinhos do Languedoc Roussillon, em Salvador, no evento da Adega Tio Sam, que se realizou no Trapiche Adelaide dias 1 e é de junho. Profissionais e amadores ficaram encantados com o espumante da Aimery e com seus varietais tranquilos. O Corbières Les Deux Rives teve amplo sucesso. Os vinhos tinham preço que oscilavam entre 29 a 54 reais para o consumidor. O destaque francês ficou por conta do Pinot Noir Vicomte de Coussergue. Uma agradável surpresa para os enófilos que esperavam um preço mais salgado. Os vinhos foram degustados em avant première e chegam ao Brasil em final de julho.
28.5.09
Brasileiro aprova o Vin de Pays. Vendas aumentam.
Os Vin de Pays do Languedoc Roussillon, maior vinhedo do mundo, responsável por 33% de todo o vinho francês, de 20% dos seus AOC e de 70% de seus Vin de Pays. Este é notadamente de varietais ou de duas castas, aumentam seus espaços nas gôndolas e prateleiras brasileiras. Num cenário global em que a França em 2008 aumentou suas vendas em valor e diminuiu ligeiramente em volume os vin de Pays vão na contra-mão, cresceram.
Vinhos fáceis de beber e de se entender. O nome das uvas vem escrito no rótulo, o que facilita a vida do consumidor brasileiro habituado a comprar vinho de casta, o varietal.
Um crescimento de 4% em volume dos Vin de Pays do Sul da França quando o conjunto francês recuou de 27379hl para 24662 hl em 2008. Os VDP (não confundir com vin de table) atingiram 5578 hl.
Lembro que Vin de Pays não é classificação exclusiva de vinhos baratos. Mas de Daumas Gassac e Cuvée Mythique são vinhos antológicos e ambos vin de pays, o primeiro do departamento do Hérault e outro d’Oc, a classificação mais alta e rígida dos Vin de Pays. Ambos já receberam excelentes notas de Parker, Jancis Robinson, Guide Hachette,...
Claro, Vin de pays, normalmente é um vinho do dia a dia. Como são bons os vinhos do dia a dia, como são conviviais, como são companheiros de grandes momentos entre amigos.
Se estes vinhos cresceram é por que chegaram nos últimos anos ao Brasil vinhos de qualidade, adaptados ao paladar brasileiro, sem renunciar a sua autenticidade. Hoje nos oferecem prazeres diferentes dos que estávamos habituados, notadamente os de Chile e Argentina.
Ouse. Deguste um vin de pays de excelente qualidade ou simplesmente inicie-se no mundo dos vinhos por esta bela porta de entrada que são os vinhos do Languedoc Roussillon. Descubra novas uvas, novos sabores e o estilo Mediterrâneo de beber vinho.
Aproveito para pinçar um comentário do craque Philippe Faure-Brac sobre os vinhos do Languedoc Roussillon: -“O novo é o Languedoc Roussillon, isso é extremamente importante. Porque o Brasil é um país que tem um olhar sobre o futuro, é a novidade que se encaixa nesta perspectiva. É um vinho de boa relação qualidade preço, com grande volume de produção... há uma grande variedade de castas, uma grande diversidade de gostos, um amplo espectro de preços. É um bom caminho para aprender sobre vinhos”.
17.5.09
Abaixo de cem pratas

Esse papo de dizer que vinho francês tem de ser caro é coisa do passado. A turma acordou. Primeiro foi a Provence, em seguida o Languedoc Roussillon (Sul da França) e agora Bordeaux. Em breve será a Borgonha. Champagne, representada pelas grandes marcas, vai muito bem, obrigada. O Brasil voltou a ser prioridade lá fora. Vai se levantar da crise antes dos americanos e europeus, se é que caiu. A vice ministra francesa do Comércio Exterior, na Expovinis, disse que a França pretende ter 10% do mercado. Vai ter de arregaçar as mangas, ainda falta dobrar de volume.
Se quero educar meu paladar e me iniciar nos vinhos com um orçamento limitado, como qualquer um que estuda, devo começar pelos clássicos, no caso pelas escolas tradicionais, a saber, França, Itália, Portugal e Espanha, em resumo, o Velho Mundo. Depois, só depois, irei ao Novo Mundo. Neste, por puro nacionalismo, vou primeiro de Brasil.
Com os clássicos bebo na fonte. Tenho a base para minha evolução e não preciso me restringir a uma só região, posso descobrir denominações, castas e terroirs que me farão viajar por estilos e abordagens distintas do vinho. Num aprendizado enriquecedor e diversificado.
No Velho Mundo não tem essa de ficar repetindo o mesmo bom vinho eternamente. Passeie na gôndola e pegue um vinho de Mâcon (Borgonha), um Saint Amour (Beaujolais), um Sancerre (Loire), um Fitou (Languedoc), um Grave ( Bordeaux) e descubra a diversidade, a elegância, a raça e a expressão da vinicultura francesa. Fique tranqüilo todos podem ser encontrados por menos de 100 reais.
Convido cada importador, representante ou simples consumidor que se encantou com um bom vinho europeu que diga qual foi seu vinho MUITO BOM, escala ABS, que custou menos de 100 reais.
Vou a atirar a primeira pedra como manda a Lei e mais algumas pra não dizer que conheço apenas um, a exceção, que comprova a regra.
Espumante: Bulle de Blanquette Nº1 da Sieur d’Arques no Duty Free por 16 US$, Crémant de Limoux Cuvée 1531brut da Aimery no Zona Sul, 38 reais, AOC Corbières Château Ribaute Cuvée François le Noir uns 80 reais, Bordeaux Château Grand Rivallon Saint Emilion Grand Cru102 reais, Cuvée Mythique Vdp d’OC branco na casa dos 60 reais, Château Etienne de Lauzes cuvée Yneka AOC Saint Chinian 100 reais, e muito mais.
24.4.09
A elegância do vinho
Outro dia entrevistei Olivier Poussier, melhor sommelier do mundo em 2000. Ele comentava, nas entrelinhas, o estilo do vinho francês que prima pelo equilíbrio da acidez com o álcool, delicadeza, precisão, em resumo, elegância. Palavras marcantes.
Em Limoux, no Languedoc, Poussier encontrou nos vinhos do terroir de Haute Valée toda a característica de um grande chardonnay francês. Onde tensão e expressão mineral se mostram plenamente. E não uma caricatura desta uva como existem tantas pelo mundo a fora.
Poussier é também o consultor de Lenôtre e Air France e foi voando que vi sua mais recente carta da business class. Desta vez o chardonnay da carta não era o de Limoux, mas o Saint-Véran do Château de Fuissé 2006, de JJ Vincent. Este borgonha é um retrato fiel de sua preferência. Frescor, fruta, mineralidade, untuosidade, equilíbrio, tudo de forma muito precisa.
Quando escolheu o tinto de Pessac- Léognan do Château Brown 2004 de Y. Mau, a mesma filosofia se transportou para Bordeaux. Este tinha um nariz expressivo e generoso, na boca redondo, aveludado, macio.e longo. Elegante.
21.4.09
Grandes Vinhos de Limoux pertinho de você

Um destes é o enólogo Alain Gayda, ex-presidente da União de Enólogos da França de (1998 a 2003) e diretor geral das Cave de Sieur d'Arques - Aimery, tida como a melhor cooperativa da França. Em 1980 ele chega como enólogo e começa a classificar as 3400 parcelas da denominação Limoux. Este enorme esforço permitiu, após alguns anos, dividir a denominação em quatro territórios: Autan, Oceânico, Alto Vale e Mediterrâneo. Cada um com características de clima, pedologia, topografia, inclinação e exposição ao sol bem definidas que são facilmente percebidas na boca.
Limoux é conhecida por seus espumantes e por seus vinhos brancos de uvas chardonnay que, necessariamente, segundo decreto da denominação, tem de ser vinificado e envelhecido em barris de carvalho. Destes 4 terroirs podemos encontrar nas lojas duty free dos aeroportos brasileiros o Toques et Clochers Autan, que recebeu medalha de ouro no I Concurso ABS de Vinhos Sud de France. Mas também o do terroir Mediterrâneo do Clocher La Gardie, vendido apenas no leilão de Toques et Clochers, arrematado em 2008 por Armando Martini da Casa do Vinho de Belo Horizonte. Um top, vinho para mais de 90 pontos. A versão blend, nas duas cores, dos 4 territórios chama-se Terroir de Vignes et de Trufes também vendida pela Casa do Vinho. http://www.casadovinho.com.br.
17.4.09
Dois craques e um perna-de-pau

Não resisti. Perco o amigo, eu mesmo , mas não perco a piada. Pierre Troisgros, decano da alta gastronomia francesa e Olivier Poussier, melhor somellier do mundo em 2000, ambos craques e seu blogueiro que, na cozinha, é um perna-de-pau.
15.4.09
Um café da manhã com os melhores chefs da França. Inesquecível.
Na foto da esquerda para a direita: Roland Villard, Michel Bras, Claude Troisgros e Olivier Roedinger. Michel Guérard juntou-se ao grupo durante o almoço.Num amigável e descontraído café da manhã, juntaram-se a esses quatro mosqueteiros - que prepararam à noite um jantar de gala para 850 convidados especiais - Georges Blanc, o decano da cozinha francesa Pierre Troisgros e Roland Villard, do Sofitel Rio. Também à mesa, as esposas de Blanc, Villard e Rebouças. Pierre Mirc, presidente de Sieur d'Arques, Alain Gayda, diretor Geral de Sieur d'Arques e meu amigo eram os anfitriões. Numa mesa ao fundo, atrás de uma coluna, o tímido Olivier Poussier, craque dos vinhos, driblou os mosqueteiros e saiu de fininho para não cometer excessos tão cedo.
O local deste mágico encontro foi o salão principal do Relais e Château Domaine d'Auriac, quatro estrelas, pertinho de Carcassonne, famosa por abrigar a maior cidade medieval fortificada da Europa. A longa mesa, desproporcionalmente grande para o seleto grupo de convidados que ocupava menos da metade dos lugares, permitiu, após uma breve introdução, um bate-papo interessante e cordial entre todos. Os chefs entraram rapidamente em animada conversa sobre o grande evento e esse momento único que reunia a nata dos chefs franceses em defesa da denominação de origem Limoux e de seu famoso leilão. Troisgros contava como foi o primeiro, e muito mais modesto, leilão de Toques e Clochers. Blanc enaltecia a qualidade dos brancos de Limoux ,que descobriu quando foi o paraninfo em 97. Para Guérard, era mais uma grande oportunidade de promover a cozinha francesa. Ele é seu defensor oficial junto à Unesco, onde pleiteia, em nome da França, classificá-la como patrimônio mundial imaterial. Se conseguir, será a primeira cozinha do mundo a fazê-lo.
Após uma rápida introdução de Gayda, o chef Roland ficou à vontade entre seus pares, tão à vontade que logo me apresentou aos seus colegas de profissão e pude contar um pouquinho do meu trabalho para divulgar o Languedoc no Brasil. Michel Troisgros, irmão do chef Claude, que mora e trabalha no Rio, logo contava de suas passagens pelo Brasil. Seu irmão em lua de mel na Austrália era o grande ausente.
Mas quem acha que o café da manhã dos chefs era um café como o dos demais mortais se engana. Muito diferente de um “brunch” de um hotel internacional. Diversos pães e viennoiseries, manteigas e geléias preenchiam a mesa. Aos poucos foram se juntando deliciosas fatias, bem fininhas, de presunto cru Pata Negra, o clássico patê de campanha e um apetitoso paté de téte. Antes que o leitor comece a sonhar, esta deliciosa iguaria é feita com a cabeça do porco. Se você tiver alguma reserva ao ingrediente, prove antes e pergunte o que é depois. Ou melhor, não pergunte. A uma delicada omelete com aspargos selvagens seguiram-se queijos e o tradicional cassoulet, o grande prato típico regional. Do lado doce, cascas de laranja "confit" e uma espécie de mingau, bem cremoso, com canela.
Enquanto o chef Philippe Ducos, do Domaine d'Auriac, uma estrela no guia Michelin, mostrava suas qualidades oferecendo diversas comidinhas deliciosas, seu sommelier servia os grandes vinhos de Limoux. Duas opções de tinto ressaltavam a parceria entre Sieur d'Arques e a baronesa Philippine de Rothschild. De um lado, o tinto de Baron' Arques 2004, carro chefe da baronesa no Sul da França, incensado pelo guia Hachette. De outro, seu "primo", o tinto Occorsus 2003 de Sieur d'Arques. O AOC Limoux branco do Clocher de Saint Polycarpe, do leilão de 2001, cheio de mineralidade, lembrava um Montrachet. O branco preenchia a maior parte das taças à mesa. Os grandes chefs provavam de tudo, a toda hora, como de hábito. É, esse encontro vai ficar na memória.
6.4.09
Nos bastidores do XX leilão de Toques et Clochers
Ontem entrevistei Olivier Poussier e Philippe Faure-Brac dois craques da sommelerie mundial e francesa em particular. Poussier foi campeão do mundo em 2000 e conhece bem os vinhos brasileiros, Faure-Brac sagrou-se campeão no Rio em 92 e hoje também produz vinhos no Sul da França, é um Rhône, do departamento do Gard. Este esbanja simpatia e fala com simplicidade já Poussier mais tímido, se exprime com uma técnica impressionante e recheada de poesia. Em breve no Blog.
Na foto Olivier Poussier inaugura sua fileira de vinhas no château de Flandry mais uma homenagem de Sieur d’Arques aos grandes sommeliers.




