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21.4.09

Grandes Vinhos de Limoux pertinho de você


O vinho do Languedoc-Roussillon começa a chegar ao Brasil e o faz pela porta da frente, se destacando entre os franceses. De produtor de vinho de garrafão à emergência de seus AOCs o Sul da França percorreu uma longa estrada. A substituição de castas de alto rendimento e baixa qualidade, como a aramon, foi um grande passo. A plantação de cepas nobres como a syrah, merlot e chardonnay, o rigor no controle do rendimento e nos métodos de condução do vinhedo foi fundamental para esta evolução. Uma mudança de mentalidade, a busca da qualidade entre os viticultores de uma região é um trabalho que exige tempo e dedicação de muitos. Alguns personagens do Languedoc tiveram e tem atuação de destaque neste percurso.
Um destes é o enólogo Alain Gayda, ex-presidente da União de Enólogos da França de (1998 a 2003) e diretor geral das Cave de Sieur d'Arques - Aimery, tida como a melhor cooperativa da França. Em 1980 ele chega como enólogo e começa a classificar as 3400 parcelas da denominação Limoux. Este enorme esforço permitiu, após alguns anos, dividir a denominação em quatro territórios: Autan, Oceânico, Alto Vale e Mediterrâneo. Cada um com características de clima, pedologia, topografia, inclinação e exposição ao sol bem definidas que são facilmente percebidas na boca.
Limoux é conhecida por seus espumantes e por seus vinhos brancos de uvas chardonnay que, necessariamente, segundo decreto da denominação, tem de ser vinificado e envelhecido em barris de carvalho. Destes 4 terroirs podemos encontrar nas lojas duty free dos aeroportos brasileiros o Toques et Clochers Autan, que recebeu medalha de ouro no I Concurso ABS de Vinhos Sud de France. Mas também o do terroir Mediterrâneo do Clocher La Gardie, vendido apenas no leilão de Toques et Clochers, arrematado em 2008 por Armando Martini da Casa do Vinho de Belo Horizonte. Um top, vinho para mais de 90 pontos. A versão blend, nas duas cores, dos 4 territórios chama-se Terroir de Vignes et de Trufes também vendida pela Casa do Vinho. http://www.casadovinho.com.br.

11.6.08

Aprenda com quem Faz

Professora Marie Valette recebe flores dos alunos

A edição deste mês de La Revue du Vin de France faz um apanhado geral da safra 2007 na França. Nada que nossos leitores não soubessem. Todos os vinhedos situados na costa Mediterrânea são excelentes, Bordeaux, como em quase todos os anos que terminam em 7, difíceis, idem para Borgonha e Alsácia. Champagne terá excelentes chardonnay e decepcionantes pinots noirs e meuniers. No Languedoc, Roussillon, Rhône e Córsega um ano excepcional.
Os tintos se sobressaem, como é característica da região. Destaque para Pic Saint Loup, Coteaux du Languedoc La Clape, Corbières, Minervois, Limoux, Saint Chinian e Fitou. Nos brancos e espumantes Limoux lidera como sempre.
Os alunos do curso de enologia tiveram o prazer de degustar alguns dos vinhos selecionados pela RVF como Toques e Clochers território Oceânico de Limoux, Roque Sestière cuvée Carte Noire dos Corbières, Château Rouquette sur Mer L'Esprit du Terroir e L'Absolut, ambos Coteaux du Languedoc La Clape. Um dos campeões na avaliação da RVF, foi o Domaine du Champ des Soeurs cuvée Bel Amant, Fitou. Elaborado por Marie Valette, professora do curso. É aquele papo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) "- E aprenda com quem faz". Sorte dos alunos de a terem como mestre.

3.6.08




No alto e acima a primeira turma do Curso de Enologia, à esquerda o merecido Diploma e à direita o L'Absolu do Château Rouquette sur Mer, AOC La Clape.
Ontem falei sobre o mercado do vinho, mas hoje volto a falar do curso de Enologia. Foi muito rico. Não paro de receber emails dos alunos agradecendo a qualidade do curso, das visitas e da recepção que tiveram. Foi gratificante. Mas que trabalho! Receber um grupo de 13 pessoas que vai seguir uma programação intensiva não é tarefa fácil. Apesar dos 48 anos de praia era marinheiro de primeira viagem.
Aulas, almoços, traslados, visitas técnicas, dicas de onde ir, tradução integral das aulas e conversas com produtores. Tudo programado e funcionando com perfeição no Sul da França. Ao final da prova os alunos puderam comemorar o esforço. Afinal, na véspera se reuniram todos no saguão do hotel e revisaram as duas apostilas. Passaram. Receberam em solenidade singela, das mãos da representante do Ministério da Agricultura francês, o diploma oficial do curso de Enologia. Com direito a carimbo federal, Marianne, e validade européia.
Muito legal foi ver que a seleção das visitas permitiu ter uma exata idéia de como se faz vinho no Languedoc Roussillon. Desde pequenos produtores fazendo vinhos artesanais e com poucos recursos, passando por propriedades médias com tecnologia de ponta e mesmo a maior unidade de engarrafamento do Aude e uma das maiores do Languedoc. O interessante é que todos os métodos e tecnologias permitiam fazer com que o vinho obtivesse o resultado final desejado pelo produtor.
No último dia visitamos o belo Château Rouquette sur Mer, que no segundo semestre chega ao Duty Free Shop brasileiro, hoje Dufry. Tivemos a grata oportunidade de provar o L'Absolu, o novo vinho da casa, que recebeu a única medalha de ouro,Regional Trophy, do Languedoc e uma das 16 da França no concurso da revista inglesa Decanter. Este ainda não está à venda nem na França. Joseph Morgan o pontuou entre 92 e 93 pontos.
Outra avant-première foi a degustação na cave da nossa professora a enóloga Marie Valette que produz vinhos em Leucate, AOCs Fitou (tinto) e Corbières (branco). A nova edição da Revue des Vins de France, o Morgan a comprou fresquinha em Paris, sobre a safra 2007, poupa apenas os vinhos do Sul da França e Sauternes. A grande surpresa dos alunos, sempre atentos, é que a cuvée Bel Amant do Château Champs de Soeurs, de Marie, recebeu uma das 13 melhores notas de toda a França - 18/20. Sorte dos alunos que degustaram a nova safra ainda com rótulo provisório.
Em outubro faremos outro grupo. Inscrições com a Tornaviagem.

28.4.08

Roussanne e Marsanne: brancas do Sul da França na Expovinis



Estas duas castas meridionais são tradicionalmente cultivadas no vale norte do Rhône (Hermitage), mas também no Languedoc onde fazem parte das principais uvas autorizadas para os diversos AOCs brancos da região.
A roussanne é bem adaptada aos locais de grande exposição ao sol, solo pobre, argilo-calcáreo e pedregoso. Oferece um vinho de grande qualidade, potente e aromático, de acidez equilibrada e apto ao envelhecimento. Uva nobre. Normalmente é associada à marsanne que também tem suas origens no norte do Rhône, utilizada também para vinhos espumantes. De precocidade (amadurecimento) média, também gosta de solos pobres, pouco férteis e pedregosos. Fique sabendo que no Languedoc essas condições são dominantes.
Roussanne é muito sensível a algumas doenças como a podridão cinza e por este motivo tem visto sua produção declinar. Apesar de possuir uma grande complexidade aromática e se destacar como produtora de um vinho de guarda. Os aromas mais constantes e marcantes são os de damasco, café verde, mel, do lado floral vamos ter raiz de Iris, Narciso, espinheiro-alvar e madressilva.
Já a marsanne nos dá um vinho pouco ou medianamente ácido, elegante e de aromas mais discretos, porém superiores aos da grenache branca. Onde se destacam damascos, amêndoas, nozes secas, litchis fresco, a cera de abelha, pêssegos brancos, maça cozida, especiarias, alcaçuz e as notas florais são as da acácia. Esta duas uvas estão presentes nos cortes dos AOC Corbières, Coteaux du Languedoc, Saint Chinian, Faugères, Minervois...
Descubra na Expovinis, no stand da Reloco, o Cuvée Mythique branco com 40% de Marsanne e 20% de Roussanne aos quais se juntam a Viognier, 20%, e a grenache branca.

23.4.08

Saia da mesmice descubra a Cuvée Mythique branca


Ontem tive o prazer de estar na CDC Enoteca, do José Luiz Botelho, São José dos Campos, ajudando a importadora Reloco a promover e lançar alguns rótulos. Eram 35 vinhos em degustação todos muito interessantes. Alguns fantásticos como o merlot e o rosso do Coppola. Mas me atenho ao Cuvée Mythique branco do Les Vignerons de La Méditerranée. Não pensem que vou fugir do tema das castas, não.
O Mythique é resultado do desejo de dois mil produtores, desta cooperativa de comercialização, de produzir um grande vinho que representasse a alma dos vitivinicultores do Languedoc. Apenas 45 foram selecionados para participar deste vinho branco classificado como vin de pays, vinho regional, por ultrapassar as fronteiras das diversas denominações do LanguedocA assemblagem é bastante singular com 40% de roussane, 20% de marssanne, 20% de viognier e 20% de grenache branca.
O corte simplesmente te tira do habitual, te transporta pro novo e te oferece novas sensações. No nariz um complexo buquê floral, na boca boa acidez, caramelo, mel e mais flores. Tem boa persistência e termina muito bem. Harmoniza tanto com peixes e frutos do mar como com comidas exóticas, tailandesa inclusive. Foi um sucesso de público encantou as mulheres e agradou aos homens. Amanhã comento um pouquinho sobre estas castas indígenas do Mediterrâneo. Saia da mesmice.

31.3.08

Preço do vinho: o mercado está para cima


A OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho) confirmou no último dia 25 que a produção mundial de vinho recuou de 5,7% a 8,2% em 2007, em relação aos números de 2006. Apesar da diminuição do consumo na Europa de 0,7 milhões de hectolitros temos um aumento do consumo mundial em níveis altos, notadamente na Austrália e Nova Zelândia.
Para confirmar o que este Blog já vinha dizendo desde o ano passado dou alguns números franceses divulgados na última semana por VINIFLHOR, o organismo francês que regula dentre outros produtos o vinho regional, Vin de Pays, VDP e o vinho de mesa VDT. Tintos e rosés tiveram este ano um aumento das vendas de 8%,VDT e de 23% para os VDP. O preço médio está em alta custando o hectolitro de VDT 39,9€, isto é, mais 16%. A alta que começou no segundo semestre de 2007 parece agora se acomodar. O VDP subiu 19% atingindo 53,43€ o hectolitro. Os varietais brancos subiram 30%, em volume. A chardonnay está custando 82,21€/hl e a Viognier à 89,53 €/hl. Nos tintos Merlot está custando 57,40 €/hl, Cabernet Sauvignon 59,20€/hl e a Syrah a 59,26 €/hl. Altas que chegam a atingir 41%. Os estoques estão baixos, não há excedentes.
Os AOC estão com aumento da demanda no Languedoc-Roussillon, Chinon,Sudeste,... e com falta de produtos na Borgonha, Alsácia e Loire. Os preços médios estão em quase todas as regiões em alta. No final do ano o mercado vai se regular com preços em alta. Na bolsa de valores diríamos que o mercado está para cima.

14.2.08

Languedoc campeão até no céu


Mais uma prova da força dos vinhos do Languedoc. Desta vez foi o concurso Cellars in The Sky que elegeu o vin de pays d'Oc Domaine de Cigalus Blanc, 2005, de Gerard Bertrand, o melhor branco na classe Business do mundo. O tinto Domaine de Cigalus 2002, Languedoc, ficou com o segundo lugar na categoria Business Class.

Organizado por jornalistas especializados, durante o salão Business Travel Show, estes coleguinhas escolheram os melhores vinhos e cartas servidos no céu. O concurso foi patrocinado pelas revistas Business Traveller e Wine and Spirit. Cigalus é produzido em Bizanet, ao lado de Narbonne, no Sul da França. O vinho é um corte de viognier com chardonnay. Vale citar que a TAM levou duas citações por seus vinhos.

Ai de quem acha que vin de pays é sinônimo de vinho mediano.

17.1.08

Um vinhedo australiano em pleno Languedoc muda de mãos











Durante minha formação no Le Quatourze, Narbonne, Sul da França, minha turma fez uma visita técnica ao Domaine de La Motte, perto de Narbonne. Fomos lá para conhecer como os australianos fazem vinho. A condução do vinhedo foi determinada pelo proprietário original o grupo James Herrick. Este utilizou as técnicas australianas de condução, terreno gramado, gota a gota para irrigação e adubação, fios de ferro que se levantam em linha simultaneamente, área de vinificação em estado da arte com cubas em inox, micro bolhas, prensagem pneumática e tudo planejado. Detalhe, quando a visitei já pertencia ao grupo australiano Foster's. Conecido pela cerveja mas também por seus vinhos australianos e americanos e também pela champagne Lanson. Coisas do mercado de ações e da mundialização.
Seu objetivo era produzir uvas chardonnays sãs e vinhos muito bons nos padrões ABS, nada de vinho ótimo ou excelente. Esta era a tarefa que lhe cabia no catálogo de vinhos da empresa. O vinhedo era como uma unidade de produção fabril. Tinha condição de produzir vinhos melhores? Sim, mas aquela unidade tinha como objetivo vender vinhos chardonnays, VDP d'Oc, nos países anglófonos com qualidade e regularidade e etiqueta francesa que remetesse à França. A repetição em propaganda é uma arte. Ou que usasse a forte marca Herrick.
A seca na Austrália, a escassez de brancos, inclusive no Languedoc e o desejo da cervejaria Foster's de se “livrar” daquela unidade “estranha” fez com que o Domaine mudasse novamente de mãos. Agora é a família Bonfils, negociante, que aproveita a forte demanda e compra a vinícola e seus vinhedos de Narbonne, Lézignan-Corbières e Sallèle d'Aude, todos situados no departamento do Aude. Lembrete, a equipe técnica nunca mudou, como numa boa fábrica. Apenas o contrôle acionário foi modificado. Mas, deta vez, a vinificação do negociante no Hérault, departamento vizinho cuja capital é Montpellier, vai se mudar para a nova propriedade. Bem vindo.

28.9.07

Vinhos brancos aumentam no Languedoc e na ... Argentina


O Sul da França produz mais vinhos tintos do que brancos. Este ano a queda na produção atingiu diretamente os vinhos brancos. Estes ficaram mais escassos provocando uma alta imediata de 10€, por hectolitro, para os vinhos de mesa vendidos em pipa. É a lei mercadológica da oferta e da procura. Na Argentina os vinhos brancos em pipas aumentaram de 15%, apesar dos volumes crescerem na ordem de 3 a 5% este ano. A explicação é simples. O mercado é mundial e o vinho é mercadoria global.
Há algumas semanas os preços estão em alta na Argentina. Que orientada pela Federação de Vinhateiros busca achar um equilíbrio entre o aumento de preços e a preservação de mercados mundiais. Se em relação ao mês de agosto o aumento é de 15%, em relação a 2006 o aumento é de 35%. Com certeza a quebra da safra na maior parte da Europa e a grande perda na Austrália, que pode chegar a 40%, vai fazer subir ainda mais os preços.
Eu já havia dito que os preços iam subir globalmente. Houve quem não acreditasse. Hoje é fato.