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27.8.08

Previsão técnica: excelente safra 2008 no Sul da França

O Presidentes do Vigneron Independente, Jean Marie Fabre, à esquerda, afirma que o Languedoc quer se posicionar como um dos melhores vinhedos de toda a França.
A safra de 2007 foi a melhor deste século no Sul da França e a de 2008 apresenta muitas similitudes e promete estar no mesmo nível de qualidade, porém com menos 5% de volume. Esta foi a grande manchete da reunião preparatória do Produtor de Vinho Independente do Departamento do Aude (Vigneron Independant), Languedoc, sobre a safra 2008. Pude ouvir em primeira mão a avaliação técnica da colheita que se avizinha no Minervois, Corbières e Malepére feita por enólogos e técnicos da Câmara de Agricultura do Aude e do Laboratório Dejean. E o que ouvi foi muito promissor.
Numa análise de gráficos climáticos comparativos de insolação, amplitude de temperatura e pluviometria mostraram muitas semelhanças com 2007. A temperatura mais branda na primavera provocou um pequeno atraso de maturidade e a seca na região leste, um ligeiro stress hídrico e uma colheita menor. No setor oeste, Malepére, mais úmido, provocou mais ataques de míldio que tiveram de ser combatidos. Se a merlot e cabernet sauvignon sofreram no setor oeste, o que determinou uma perda de volume significativa, a syrah e a grenache se saíram de forma excelente a leste e a oeste. A grande amplitude térmica permitiu uma maturação perfeita das castas. O que favorece a qualidade dos AOCs do Languedoc Roussillon, lembre-se que o Malepère é uma das poucas denominações de origem que tem na sua base a merlot e a cabernet sauvignon, portanto pouco representativa do conjunto de AOCs do Sul da França.
A colheita deste ano deve ficar ligeiramente acima dos 13 milhões de hectolitros o que em breve vai fazer com que o Languedoc Roussillon deixe de ser o maior vinhedo do mundo. Para Jean Marie Fabre o trabalho que os produtores estão realizando é de tornar o “Sul da França um dos melhores vinhedos da França e, assim seus viticultores poderão viver bem e se sustentar, nosso objetivo não é de ser o maior do mundo”.

27.6.08

Syrah uma uva nobre


Hoje vamos voltar a falar das castas do Languedoc. As uvas autênticas de um território quente. A syrah foi por muito tempo tida como uma uva originária da Pérsia, atual Irã, mas estudos genéticos confirman que se trata na verdade do cruzamento espontâneo entre a Mondeuse branca, típica da Savóia e a Duréza d' Ardèche, do Rhône.
Casta escura típica, meridional, famosa no Rhône e no Languedoc. Umas das castas que formam a base dos vinhos AOC de toda a costa mediterrânea francesa. Também é usada para produzir vinhos varietais o conhecido Vin de Pays. É uma casta nobre que se adapta bem ao clima temperado ou quente. Resiste bem à seca e se adapta a solos calcários ou ácidos. Veja só a virtude do cruzamento natural! Ganhou mundo e hoje é encontrada tanto na Austrália como na África do Sul.
De brotação tardia, maturidade de segunda época, isto é, até duas semanas após a chasselas. Hoje em dia é conduzida em poda curta e nos oferece vinhos de bom corpo, estruturados, de cor expressiva, taninos equilibrados, buquê complexo com base frutada (cassis, cereja, framboesa), compota, especiarias (alcaçuz), couro e floral (violeta).
Muitos vinhos com Syrah vão se destacar no mercado mundial. Hoje existe o Concurso Syrah do Mundo dedicado a vinhos onde a casta predomina (75%) ou reina absoluta. Bons exemplos? O Syrah do Château Camplazens, importado pela Casa do Vinho de BH, os AOC Corbières Delicatesse de Charles Cros, da Barrinhas do Rio de Janeiro, o Château Tour de Montredon Les Capitelles, da Nunes Martins e o Cuvée Mythique VDP d'OC com 50% de syrah, são todos bons representantes da expressão desta uva nos "terroirs" do Languedoc, Sul da França.

16.4.08

Conhecendo as castas do Languedoc Roussillon I






No mapa acima podemos ver a distribuição geográfica das principais castas da França. As cepagens do mediterrâneo serão todas encontradas no Languedoc. São mais de 30 variedades sendo que apenas 5 destas produzem ao menos 4% do volume. Carignan 21%, grenache 16%, syrah 15%, merlot 9% e chardonnay 4%. Nenhuma das outras chega a atingir 4% do volume produzido. Estamos falando de 292 mil ha, logo mesmo uma casta que represente 2% do total tem um volume significativo. Afinal, estamos falando do maior vinhedo do mundo.
Quando se olha no mapa percebe-se que a ONIVINS, hoje VINIFLHOR, (organismo regulador do vinho regional) não colocou a syrah no Languedoc. Quanta injustiça sabendo-se que é a casta básica do corte dos vinhos tintos das suas principais denominações de origem. Exemplos? Corbières, a maior, Fitou, Minervois, Coteaux du Languedoc,...

7.4.08

Seja jurado do II Concurso Syrah du Monde



O segundo confronto entre os melhores Syrah do mundo volta a acontecer este ano na cidade de Ampuis, no castelo do mesmo nome, no norte do Vale do Rhône. Seja um jurado e ajude a escolher o melhor syrah do mundo. Metade dos jurados é estrangeira para aqueles que não forem profissionais é necessário fazer uma pequena formação de nivelamento.
Você verá in loco a força dos vinhos do Sul da França neste concurso. Boa sorte.

26.2.08

Degustadores do mundo alerta geral




O 32º Challenge internacional do Vinho precisa de 900 jurados para degustar 5000 vinhos de 40 países. Será em Bourg sur Gironde no dia 12 de abril. Aberto a profissionais e enófilos. Acesse www.challengeduvin.com

SYRAH DO MUNDO
Também estão abertas as inscrições para a segunda edição do Concurso Syrah do Mundo organizado pela associação Forum Enologia que será realizado no norte do Rhône no Château d'Ampuis. Um júri internacional escolherá o vencedor. As degustações ocorrerão dias 15 e 16 e o resultado é divulgado dia 19. Mande suas amostras ou inscreva-se como degustador.
Boa sorte.

6.6.07

Resultados destacam Sul da França no Primeiro Concurso Syrah do Mundo


O primeiro Concurso Syrah do Mundo se deu no Château de Ampui, Vale do Rhône, realizado nos dias 31 de maio e 1º de junho e não encontrou nenhum vinho que merecesse a Grande Medalha de Ouro. 325 amostras de 17 países foram degustadas e 108 medalhas foram distribuídas sendo 34 de ouro, 64 de prata e 10 de bronze. O Sul da França se destacou com diversas medalhas e o Syrah do Château Camplazens, um VDP d'OC cultivado nas encostas de La Clape às margens do Mediterrâneo, que a Casa do Vinho importa para o Brasil e que já havíamos comentado aqui (veja vídeo de 5/5/07) ganhou uma de ouro. Uma simpática medalha de prata foi obtida pelo Lou Black syrah da Aimery/Sieur d'Arques, de Limoux, denominação famosa por seus brancos de uvas chardonnay. Ambos sem passar em madeira.
Também ganharam medalhas Corbières, Minervois, Coteaux do Languedoc, Côtes do Roussillon,... Foram muitas. Vá correndo contar todas em http://www.syrah-du-monde.com/wod/WebObjects/Result.woa/wa/res?mod=pays&c=FRANCE&y=2007&co=SdM&m=*&lang=FR

31.5.07

Languedoc-Roussillon, o maior vinhedo do mundo - parte II









Legenda: A melhor expresão da riqueza do Sul da França é a maison de maître , construção que caracteriza este período de prosperidade que se inicia após a crise da Philoxera em Bordeaux e termina nos anos 50, tendo como casta de referência a produtiva e resistente aramon.


Os vinhos do Languedoc que fizeram sucesso na Roma antiga, como nos atestou Tito Lívio em sua República, não tinham nos anos 50 a qualidade que o consumidor iria desejar nos anos seguintes. A queda vertiginosa do consumo do vinho de mesa provocará uma mudança de mentalidade no viticultor. Em 1956 o francês consumia 100 litros por ano de “vin de table”, em 1970 este volume era de 75 litros e hoje é de 50 litros. Se antes o objetivo era produzir mais volume a um menor custo agora a busca é pela qualidade.
Deixava-se de plantar nas áreas planas e voltava-se a privilegiar as encostas. Em 1948 havia apenas uma região demarcada no Sul da França, Fitou. Em 1950 o Corbières torna-se um VDQS, Vinho de Qualidade Superior, degrau que antecede ao AOC, Denominação Controlada. Mas será nos anos 70 que este processo de busca pela qualidade assumirá a condição de uma nova postura por parte da maioria dos produtores em direção a um vinho de excelência que começa a ser reconhecido internacionalmente.
A aramom teve seu replantio interditado e foi substituída por novas castas como a grenache. Foram plantadas também castas mais nobres como chardonnay, cabernet sauvignon, merlot, sauvignon e tivemos a volta da syrah, e de outras castas do mediterrâneo como mourvèdre e cinsault. A carignan que ao lado da aramon dominava os vinhedos viu sua participação se restringir a regiões de encostas e solo pobre, onde conduzida de forma a render pouco traz estrutura, cor e longevidade ao vinho.
A diversidade de castas presentes no Languedoc não se encontra em nenhum outro vinhedo francês. Apesar de todas as restrições de cultivo que a legislação impõe aos vinhos de Denominação de Origem temos aqui uma região também privilegiada no que concerne ao número de castas permitidas. Privilegiada sim, pois as diversas assemblagens permitem uma busca por um vinho melhor e mais adaptado a cada “terroir”. Na Borgonha, por exemplo, o produtor está restrito a Pinot Noir para os tintos e a Chardonnay para os brancos, não havendo portanto corte.
São 30 as castas utilizadas no Sul da França. As principais são carignan, 21%, grenache 16%, syrah, 15%, merlot, 9%, e chardonnay 4%. Nenhuma outra das 25 castas atinge mais de 4%.
Dentre as outras 25 podemos destacar para tintos e rosés a cinsault, vermentino, terret noir, mourvèdre, famosa em Bandol e para os brancos, roussanne, bourboulenc, marssanne e viognier. Para brancos doces muscat à petit grains e muscat de Alexandria. Para a blanquette de Limoux mauzac e chenin.
Cada uva colabora à sua maneira para que se faça um bom vinho. A grenache dá calor, participa na formação dos aromas, mas se oxida facilmente com o tempo, a syrah traz taninos e aromas que evoluem ao longo dos anos, a mourvèdre oferece vinhos de guarda e elegantes, virtude bastante na moda e apreciada. A cinsault, cultivada em terrenos pobres, dá vinhos macios e agradavelmente frutados participando de forma importante no corte dos rosés.
Continua...

5.5.07

Degustação do VDP d'Oc do Château Camplazens


Entrevistamos Armando Martini, importador mineiro, para apresentar este vinho 100% Syrah produzido às margens do Mediterrâneo nas encostas de La Clape, perto de Narbonne, Languedoc, Sul da França.

9.4.07

Irrigação dos vinhedos é admitida na França. Fim de um tabu?




Foto: Vinha de syrah com stress hídrico.

Decreto publicado no dia 6 de dezembro permite a irrigação até 15 de agosto, isto é, pouco antes da colheita, no caso do Sul da França. Porém para os vinhedos de apelação de origem somente se o decreto da criação da apelação o previr. É uma possibilidade difícil de acontecer. O Sindicato do AOC deverá efetuar um pedido ao INAO, organismo que regula os AOC na França, solicitando a permissão e informando a duração prevista para a irrigação e anexando estudos prévios sobre o estado hídrico das parcelas do vinhedo. Posteriormente cada agricultor que efetuar a irrigação deverá efetuar uma declaração ao INAO local, ao menos um dia antes do início onde informará exatamente quais parcelas, castas, a superfície irrigada e o tipo de equipamento utilizado.
A apelação Corbières Cru Boutenac interdita totalmente a irrigação. Já outras maiores como de Fitou e Minervois não prevêem o seu uso. Em ambos os casos o resultado é a proibição. Minervois la Livigniére e Corbières previram a possibilidade em seus decretos e em casos extremos de stress hídrico poderão solicitar a permissão de irrigação.

25.3.07

Syrah uma uva típica do mediterrâneo e do Sul da França


Típica do mediterrâneo e de todo o Sul da França faz parte da família das sérines como a marsanne, roussane e viognier; com débourrement tardio, vigor médio a bom; sensível à clorosa (carência de ferro), à seca, aos ácaros e ao verme da uva. Tem maturidade de segunda época, isto é, 12 a 15 dias após a uva chasselas. (A maturidade é definida segundo o desenvolvimento e amadurecimento do fruto de cada casta e em razão de suas necessidades de calor e de seu regime hídrico que determinam a precocidade relativa aos estados fenológicos e em particular da época de maturação da casta chasselas, utilizada como referência.) Conduzida tradicionalmente em poda longa, porém de mais em mais em poda curta com clones selecionados mais produtivos; dando vinhos bem encorpados, rico em taninos, ricos em cores, com aromas complexos frutados e florais (violeta, cassis, framboesa e especiarias). Uma bela uva.

Qual será o melhor syrah do mundo? Do Sul da França?


Pela primeira vez teremos um concurso para escolher o melhor vinho do mundo da casta syrah. É o Syrah du Monde que será realizado no Château de Ampuis, Côtes du Rhône, de 31 de maio a 1º de junho. A competição é aberta a todos os tipos de vinhos oriundos da syrah com no mínimo 75% a 85% conforme a legislação de cada país sejam rosé, tinto ou espumante. O júri terá no mínimo 50% de componentes internacionais e critérios rigorosos de qualidade. Com certeza teremos uma disputa acirrada com os vinhos do novo mundo. Os AOC Coteaux du Languedoc, sul da França, como os de La Clape e Quatourze, podem surpreender.
A escolha do lugar do concurso é emblemática, pois em Côtes-de-Rhône e por extensão nos vinhedos do Mediterrâneo que a syrah se implantou magnificamente. Sendo que ao sul de Côtes-du-Rhône, é a única casta admitida para os tintos de Côte-Rotie, Hermitage, Crozes-Hermitage, Saint Joseh e Cornas. Nos vinhos do Sul da França ela faz parte do corte obrigatório de diversas apelações, como do Corbières, mas sozinha será sempre um Vin de Pays, um varietal, questão de legislação.
A organização é do Forum Oenologie que realiza também os concursos dos melhores de Chardonnay, Efervescentes e Muscat do Mundo.