10.9.07

Tempo bom e uvas sãs no Sul da França




A colheita continua no Sul da França e o que se pode constatar é que o tempo ensolarado e seco, graças aos ventos do norte, Tramontana, está nos oferecendo uvas sãs e de bela maturidade. Mas a concentração e os aromas são de alta qualidade. É bem verdade que os bagos não estão lá muito grandes o que desagrada em parte ao viticultor, sobre tudo ao cooperado, que sempre busca obter um bom volume. Afinal, este é pago ao quilo, mesmo que seja um quilo, intrinsecamente ligado à qualidade. No entanto, para o consumidor o que importa é exclusivamente a excelência das uvas. Neste caso vale dizer que a safra é ótima no Languedoc-Roussillon. Por outro lado, como dito abaixo e anteriormente, os preços devem aumentar. Volto do Brasil nesta segunda para o Sul da França de onde espero entrevistar alguns produtores a fim de lhes dar notícias diretas dos melhores vinhedos. Até lá.

6.9.07

Do Languedoc à Itália, da Espanha ao Novo Mundo a produção será menor. Preços vão subir.

Todas as grandes regiões vitícolas deverão ter uma queda na produção em torno de 10% em 2007. O que representará uma diminuição na oferta de aproximadamente 4 a 5 milhões de hectolitros para França, Itália, Espanha e o Novo Mundo.
No Novo Mundo a queda forte vem da Austrália que com um déficit de 30% em relação a 2006, joga para baixo os números do hemisfério sul. Na Europa do leste estragos importantes diminuirão bastante o volume da safra, na Itália desde julho se sabe de uma queda na produção de 5 milhões de hectolitros. Na França no extremo Sudeste ( Provence e Alpes do Sul) a queda oscila entre 5% e 10%. No lado oeste da França foi a chuva que causou o maior estrago que será da ordem de 10% a 17%. No Languedoca o recuo é de 8% causado pela "arrachage", retirada de pés de vinha com indenização e o mildiou. Na Espanha a queda será de 10%, isto é, 4,5 milhões de hectolitros.
Junte-se a isto um crescimento do consumo mundial, uma retomada na França das vendas dos vinhos regionais e varietais cujos estoques constantes baixaram de 8%, a maior procura pelos AOC e teremos em 2007 vinhos mais caros. Os preços vão subir é a lei do mercado. Os dados são do Cevise Comitê Econômico dos Vinhos do Sudoeste e corroboram os dados do Sindicato dos Viticultores Cooperados da França.

5.9.07

Marketing do vinho: parceria pode ser a solução




Assinatura na França de um acordo entre a poderosa Federação de Empresas de Comércio e Distribuição, FCD, e o principal sindicato agrícola francês FNSEA resultou no lançamento de um sítio dedicado a promover os vinhos nos supermercados e redes de distribuição. A união destes dois gigantes franceses oferece um leque de experiências que deram certo e que podem ser usadas com eficácia tanto por franquiados como por redes. Um espaço para envio de outros casos de sucesso permite uma interação entre os membros.
Fruto de um diálogo e de análises conjuntas a parceria gera uma interação entre produtores e distribuidores. A presença dos produtores nos pontos de venda e outras ações aumentam as vendas. Nos Feirões do Vinho, que respondem por 15% a 20% das vendas na França, estas ações podem fazer a diferença e criar um recall de marcas e denominações de origem. Cada ator deve enriquecer o sítio com suas experiências. Uma boa idéia para o mercado brasileiro e para fazer conhecer os vinhos do Sul da França no Brasil.

4.9.07

Desmascarado produto de charlatões na França




O Instituto Técnico da Vinha e do Vinho, IFVV, do Midi- Pirineus, acaba de desmascarar um tratamento para amaciar a água que promete proteger o meio ambiente e reduzir o consumo de defensivos agrícolas. A chamada água macia não resistiu aos testes do IFVV e não apresentou qualquer benefício de eficiência biológica sobre o vinhedo, independentemente do nível de pressão parasitária. Os testes foram feitos nas safras de 1999 a 2003. As vendas do produto para água macia iam bem, pois prometiam proteger o meio ambiente e economizar na compra dos defensivos. Haja charlatão.

31.8.07

Entrevista Denis Verdier, Presidente dos Vignerons Cooperateur de France - parte 2


OS PREÇOS VÃO AUMENTAR

- Do ponto de vista econômico é uma colheita que promete. Esta deve ser a colheita da esperança, após três anos de crise com os viticultores perdendo em média 800€ por hectare. O que tem como conseqüência o empobrecimento do meio rural. Mas esta safra é o momento de aumentar os preços.

- Aumentar?
- Sim, pois em 2006 conseguimos esvaziar nossas cubas (estoques), principalmente os vinhos varietais e regionais (VDP), que registraram um aumento de 30% das vendas. (Vale lembrar que o Languedoc produz 80% dos varietais e VDP da França). Eles tiveram uma baixa de preços de 15%, ficando nos níveis dos custos mundiais o que favoreceu a venda. Foi sobre tudo na exportação que obtivemos sucesso. Mas o consumidor não percebeu esta baixa dos preços que não pois ela não foi transferida pelos supermercados ao consumidor final. Assim, adicionando a isto uma safra menor e um baixo estoque as condições para um aumento de preços estão dadas.

-Como?
Este ano temos a convicção de poder vender 15 a 20% mais caro nossos vinhos. Precisamos convencer os grandes distribuidores de que com o preço atual não podemos sobreviver. É o ano pra recuperarmos a esperança. É uma etapa a mais para sair da crise, mesmo que saibamos que isto não resolverá todos os nossos problemas. Há mudanças estruturais a fazer. A partida não está ganha mas há elementos de esperança.

-Como este aumento se dará?
- Devemos começar pelos brancos varietais e pelos vinhos regionais de forma que estes sirvam de locomotiva aos tintos e rosés.

30.8.07

Entrevista com Denis Verdier Presidente dos Vignerons Cooperateus da França Parte 1


Entrevista com Denis Verdier, produtor e presidente dos Viticultores Cooperados da França e do Gard, departamento do Languedoc, Sul da França, conhecido pelos seus AOC Costières de Nîmes e seus vinhos regionais (vin de pays -VDP).

COLHEITA EXCELENTE NO SUL

- Como se desenvolvem as colheitas?
Elas começaram sobre as castas brancas, chardonnay e sauvignon principalmente. As tintas devem começar na próxima semana. Todas as previsões indicam uma safra nacional menor, em torno de 49 milhões de hectolitros contra 54 no ano anterior. A diminuição deve ser importante no Languedoc-Roussillon, com destaque para os departamentos dos Pirineus Orientais, Aude e Herault. Aqui no Gard devemos nos manter no mesmo volume de 2006.

-Devido à meteorologia de medíocre deste ano?
- Choveu muito na primavera, o que provocou um forte progresso do míldio, mas os viticultores trabalharam bem e souberam lutar contra este ataque. Não haverá incidência sobre a vinificação. Atualmente as noites são frescas e as videiras não sofrem com o calor. A colheita está antecipada de 15 dias.

-Como isto se traduz para o vinho?
Os enólogos estimam que a millésime 2007 tenha uma cor bem sustentada, com aromas bem presentes. Por exemplo as uvas merlot serão muito aromáticas . É um ano ideal para produzir vinhos festivos, vinhos fáceis de beber, bem frutados que agradam ao mercado internacional.

- Será um grande ano?
Deverá ser. Nós estamos muito satisfeitos do potencial dos vinhedos, tanto da qualidade quanto da quantidade. No mais organizamos as colheitas com precisão de relógio Suiço, em função dos produtos que o mercado deseja. Por exemplo os brancos e rosés serão colhidos à noite, para se beneficiarem de temperaturas mais amenas que permitem extrair todo o frutado das uvas.
Extraída do Midi Libre, um jornal regional do Sul da França.

29.8.07

Degustação do Domaine de Blanquières, AOC Corbières rosé.

Muito se engana quem pensa que nos Corbières apenas os tintos são excelentes.
Há vinhos rosés de fazer inveja a muito Tavel e Provence. Confira no vídeo a degustação dirigida com Sophie Pujol, "winemaker" da cave de Névian. Direto do Sul da França.



28.8.07

Colheita nos Corbières começa excelente e melhor que 2006.



Para Sophie Pujol, diretora da Cave de Névian, situado nos Corbières perto de Narbonne, Sul da França, a safra 2007 tem se mostrado excelente. Começamos a colher as castas brancas e a primeira é a chardonnay, que está com boa acidez, por causa das chuvas da primavera, os aromas estão mais frutados e o potencial de álcool está correto. Na próxima semana passamos para a merlot, que é uma cepa de maturidade mais precoce e a cinsault, que é a base de nossos rosés, as demais tintas serão colhidas entre 10 e 15 de setembro. O rosé Domaine de Blanquières, importado pela Grand Cru, será com certeza mais aromático na safra 2007.
Provamos as uvas e também os primeiros sucos e o que podemos perceber é que se a meteorologia continuar boa, como está previsto, esta safra será melhor que a de 2006 que foi muito boa, nos assegura Sophie Pujol.

27.8.07

A paisagem começa a mudar no Languedoc




Em época de colheita tratores e colheitadeiras, grandes máquinas estranhas, começam a serem vistas nas cidades, nas estradas nacionais e departamentais. São os viticultores que fazem a colheita manualmente ou com as econômicas colheitadeiras e trazem em pequenas caçambas suas uvas para o château ou para a cooperativa.
As colheitadeiras evoluíram muito e hoje, as mais modernas, são eficientes, econômicas, rápidas e não ferem as vinhas como antigamente. Num momento em que o preço da mão-de-obra na França custa os "olhos da cara" é uma solução correta para os vinhos menores e medianos. Mesmo alguns bons vinhos, bem pontuados, tem suas uvas colhidas mecanicamente. Afinal, ela retira bagos inteiros, sem folha e sem suco. Intactos.
para evitar acidentes placas como a da foto pedem aos motoristas para terem cuidado com os viticultores e seus tratores. Na foto uma colheitadeira New Holland.

24.8.07

Balanço positivo das últimas safras do Languedoc


Acaba de ser lançado pela editora Albin Michel a 28ª edição do Guia Patrick Dussert-Gerber. Este aproveita a oportunidade para fazer um balanço das últimas safras de diversas apelações. Nós do Blog nos contentamos com seus comentários sobre o Languedoc. Mas nem sempre estamos de acordo, pois acredito que ele tem uma visão míope sobre o Sul da França.
" Eu apoio os homens e mulheres que se agarram a criar vinhos típicos nestes territórios de "garrigue" (vegetação agreste onde predominam o tomilho, alecrim, funcho selvagem e hortelã), controlando os rendimentos e respeitando sua especificidade. Esses territórios tem o potencial para que se criem grandes vinhos de classe, sem querer copiar esta ou aquela denominação mais conhecida com castas inapropriadas. para alguns, o exagero dos preços de alguns recentemente "reputados" começam a desinchar seus preços. As safras de 2004 e 2003 são um sucesso e as de 2002 e 2000 saborosas", declara Gerber.
Eu amos os vinhos típicos da região, são meus preferidos. Mas o que Gerber não enxerga é que o Languedoc-Roussillon é o maior vinhedo do mundo e como tal está exposto aos ditames do mercado. Não pode ser dar ao luxo de fazer apenas vinhos autênticos. Vinhos modernos, vinhos fáceis de beber, bons vinhos, varietais de merlot, cabernet ou pinot noir também podem e devem ser feitos no Sul da França. Seria a falência de muitos esta miopia de marketing. A região além de uma vocação para vinhos autênticos que exprimem o terroir, também faz vinhos modernos de alta qualidade e 80% dos vinhos regionais, varietais ou de assemblagem, de toda a França.

23.8.07

Béziers e a Sétima Legião Romana


Béziers que fica entre Narbonne e Montpellier, na costa Mediterrânea, sendo no Languedoc antigo, a única cidade de direito Romano, tal qual Narbonne. Colônia Romana desde 36 A.C., Baeterra, seu nome de origem, acolheu os Septimaines, veteranos da 7ª Legião de César. Um dos nomes pelo qual é conhecida esta região é Septimanie, o que pode ser visto nos mapas de história antigos. Recentemente o governador da Região, Georges Frèche, tentou mudar o nome da Região de Languedoc para Septimanie, pois para ele que é professor de história, Languedoc tem mais haver com Toulouse, sede do condado na época cátara, na idade média. Porém, o povo não aprovou e ele teve de voltar atrás.
Foram estes legionários os primeiros a plantar a vinha na França, ao lado de Narbonne, no Quatourze, pois até então apenas Roma podia produzir vinho. Elas eram exportadas em ânforas para toda a bacia do Mediterrâneo. Sítios arqueológicos de olarias existem às centenas, um muito simpático de se visitar é em Salles d'Aude, onde há um museu, vídeo de apresentação, e escavações. Uma ânfora produzida com forno e tecnologia da época pode ser comprada no local. Como já disse aqui no Blog o sucesso foi tão grande, mesmo em Roma, que a produção foi proibida décadas depois.
Béziers hoje produz os Coteaux du Languedoc nas três cores. É dividido em oito zonas climáticas onde destaco La Clape, Pic Poul de Pinet, Grès de Montpelleir e Pic Saint Loup. São nove os territórios que também tem o direito de constar dos rótulos e seleciono o Quatourze. O de Béziers é a zona climática Terrasses de Béziers. O relevo e a geologia são determinantes nesta escolha. Pic Saint Loup é um dos terrenos mais caros do Languedoc, produzindo excelentes vinhos como o Château de Cazeneuve, les Calcaires, branco com 91 pontos na WS e o tinto Le Roc des Mates com uma estrela no Guide Hachette.

21.8.07

Colheita precoce e míldio no Languedoc, chuvas em Bordeaux e Bourgogne


A precocidade da colheita já é uma realidade no Sul da França. Mas não apenas aqui, no Beuajolais a colheita começará em 25 de agosto, na Provence já começou. Os viticultores de Bordeaux e do Beuajolais terão muito trabalho na vinificação pois a safra não promete ser das melhores. O ano ruim e as perspectivas de chuvas deixam o horizonte turvo no departamento de Gironde. Neste momento chove em toda a região bordelaise, na Bourgogne, Champagne e no norte do Rhône. Veja no mapa acima.
No Languedoc-Roussillon como no Sudoeste e na Provence o estrago ficou por conta do míldio. Quem não tratou sofrerá as consequências. O ano anterior exigiu menos cuidado do viticultor que foi favorecido por um clima seco, de poucas chuvas e ventos do norte. Este ano a predominância do vento "marin", garoas freqüentes e mais frescor criaram condições ideais para o desenvolvimento deste fungo. O que exigiu passar mais vezes os produtos defensivos. Segundo Guilhem Marti, diretor técnico da cave Sieur d'Arques, Limoux é tradicionalmente menos atacado que o conjunto da região, porém mesmo aqui cuidados extras foram necessários.

EM LIMOUX A COLHEITA COMEÇA NA PRÓXIMA SEMANA
Em Limoux, região de espumantes e brancos, o clima chuvoso permitiu um aumento da acidez o que é excelente para os Crémant e Blanquette de Limoux, assegura Guilhem Marti. Começaremos pela chardonnay, depois a pinot noir e em seguida mauzac, outras brancas e finalmente as uvas tintas.
A colheita dos tintos deve acontecer em meados de setembro. Mesmo que não chova nas próximas semanas não haverá estresse hídrico, pois o lençol freático foi reposto este ano. Sendo que para os tintos um pouco de estresse ajuda. Na verdade os próximos quinze dias serão fundamentais para sabermos se a colheita será realmente boa. Espero que não tenhamos grandes chuvas, prognostica Bernard Robert, do Domaine de Fourn.

19.8.07

Entrevista com Sophie Pujol diretora da cave de Névian produtora do Domaine de Blanquières, Corbières rosé

Sophie Pujol é quem seleciona as uvas e vinifica todos os vinhos da Cave Cooperativa de Névian. Os vinhos tem a sua cara. Se o viticultor não trabalhou direito ela desclassifica a uva que não fará parte dos grandes vinhos da Cave e será vendida em pipas. Gentil, delicada, mas firme e consciente de que seu trabalho exige uma busca incessante pela qualidade. Prova disto é que o rosé Domaine de Blanquières obteve medalha de ouro no Concurso Geral Agrícola de Paris em 2005 e 2006. Este ano quem levou a medalha de ouro foi o château Fédane, o outro rosé da Cave. Vale dizer que os tintos também são ótimos. Um prêmio para quem há poucos anos deixou a Câmara de Agricultura do Aude e assumiu a direção de uma importante cave próxima de Narbonne, no Corbières, Sul da França.

17.8.07

As Vinhas e a Franco-Maçonaria é lançamento que deve encantar "irmãos" e atrair a curiosidade de "profanos".




A Maçonaria, como se sabe, nasceu nas tabernas e desde os primeiros jantares ritualísticos os seus brindes marcam o ritmo dos "agapes". O vinho sempre teve um papel importante na Maçonaria e na sua sociabilidade. Desde a Antiguidade e nas "religiões de mistério" todos os movimentos religiosos e espirituais conferiram um caráter simbólico ao vinho. O que também é o caso da Maçonaria.

É por isso que Magali Aimé explora em seu Les Vignes e la Franc-Maçonnerie, este universo de simbolismo e história do vinho nesta sociedade discreta. O livro busca mostrar a íntima relação entre produtores maçons que levam para seu vinhedo toda a experiência adquirida nos templos maçônicos. Ainda não traduzido para o português.
No Sul da França Magali Aimé encontrou-se com Docteur Parcé do Domaine du Mas Blanc, em Banyuls-sur-mer e com Bernard Roubine do Les Vignerons de Maury, em Maury. Ambos buscam fazer com seus alicates de poda operativos e seus compassos especulativos, ano após ano, vinhos que se aproximem da perfeição.