9.1.09

Arte em um Bag in Box












O Bag in Box, BIB, ainda não pegou no Brasil. Infelizmente. Mas na França seu sucesso levou o Château Puech Haut, do Sul da França, a lançar desde ano passado uma série personalizada de seus BIBs. Pintados por artistas renomados e em forma de barrica eles conferem classe e charme a esta apresentação.
Os pequenos containêrs de 5 litros são em séries limitadas e até o momento 120 artistas participam da aventura, dentre eles Di Rosa, Calvet e Marc Guyot. Os BIBs viraram peças de coleção de aficionados. Arte e vinho caminham juntas no Languedoc Roussillon. Resta ver se Vincent Kieffer, da KB-Vinrose, importadora do Puech Haut no Brasil tem planos de trazê-los.
Quem sabe este ano o BIN emplaca no Brasil?

6.1.09

Alerta de José Augusto Saraiva, sócio da importadora Vitis Vinifera

Publico hoje um alerta do José Augusto, que retrata a insegurança para o investimento dos importadores em 2009 e a tentativa de criação de uma reserva de mercado para os vinhos do Mercosul no Brasil. Em defesa da livre concorrência quero que os consumidores escolham o que querem beber em condições similares de concorrência. Esta proposta fere mesmo os acordos internacionais da OMC. Um assalto ao bolso e ao prazer do consumidor.
Rogerio Rebouças

Prezados amigos do vinho

os tambores de guerra soam também por aqui.

Em sua recente reunião do dia 12 de dezembro, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Viticultura, Vinhos e Derivados revelou uma estratégia comum de produtores de vinho e orgãos governamentais que coloca em sério risco a oferta e os preços de vinhos importados no Brasil. Vejam a seguir um resumo das propostas apresentadas:

A) Impostos
Desejam estabelecer uma taxa de aproximadamente R$ 5,00 por garrafa de vinho importado para substituir a cobrança do Imposto de Importação. Durante a discussão do tema, circulou a informação de que "alguns ministros não gostam ou não aceitam a idéia" e preferem manter a cobrança de um percentual, indicando que o mesmo deveria ser aumentado dos atuais 27% para 55% (isso mesmo, mais de 100% de aumento no Imposto de Importação).

B) Burocracia

Além de outras propostas, querem que:

1.os rótulos de vinhos importados contenham, em português, a classificação do vinho (por exemplo "vinho tinto seco"). Informação essa que já é obrigatória no contra-rótulo. Isso seria um desastre pois os pequenos produtores de vinhos extraordinários jamais poderiam criar um rótulo diferente para vendas de pequenas quantidades.

2.as garrafas ganhem um selo fiscal. Outra providência exorbitante uma vez que os impostos são cobrados enquanto as mercadorias encontram-se sob a guarda da Receita Federal. Isso obrigaria a que cada caixa fosse aberta no porto e os selos fossem aplicados individualmente. Podem imaginar o custo dessa operação?? Conhecendo a agilidade dos portos brasileiros, imaginam o tempo que isso ia exigir?

3. não seja aprovada a proposta do Ministério da Agricultura de abolir a retirada de garrafas para amostra, de acordo com um novo procedimento que viria a ser implantado visando a simplificação dos procedimentos de análise do vinho


Como podem ver, nenhuma das propostas favorece o consumidor. Todas implicam em aumento de custos, seja por via direta de impostos ou indireta de custos operacionais.

Creio de devemos levantar a voz contra essas mudanças.

Com a palavra, os consumidores.

Abraços


José Augusto Saraiva

5.1.09

Comprar vinho em supermercado não é pecado


Publicado originalmente no guia JB Vinhos do Jornal do Brasil

Pela primeira vez o Concurso de Melhor Sommelier da França, realizado em Perpignan, no Languedoc, teve duas mulheres na semifinal: Pascaline Lepeltier, compradora de vinhos do Rouge Tomate, de Paris, e Julie Dupouy, do The Mill, na Irlanda. Pascaline chegou à grande final onde se sagrou vencedor Manuel Peyrondet, do parisiense Taillevent. Este fato é um retrato final da mudança do perfil do consumidor na França.
Quando a mulher começou a ir às compras e escolher o vinho da casa o consumo mudou. Num passado não muito distante o consumidor francês se considerava, com ou sem razão, um especialista e escolhia seus vinhos baseado no prestígio das diversas Denominações de Origem Controlada (AOC - Appelation d'Origine Contrôlée). Hoje as mulheres e uma nova geração de compradores possuem uma abordagem mais intuitiva no momento da compra. O que exige uma clareza maior das informações sobre o vinho e sua harmonização.
Grandes marcas de vinho acolheram esse novo cliente e criaram variedades mais fáceis de entender e com sabores que pouco variam de safra para safra. Se por um lado é uma padronização de vinhos e gostos, de outro é uma porta de entrada suficientemente ampla para receber os novos consumidores e ampliar o mercado. Este segmento é composto notadamente de varietais e de AOCs básicos, de boa qualidade, bons preços e feitos para o dia a dia.
Mas vinho é paixão. Se as moças conseguiram chegar às finais do Concurso foi por serem, antes de tudo, apaixonadas por vinho. E o francês, conhecido por ser pão duro, é apaixonado por fazer grandes barganhas. Muitas vezes me aconteceu de tomar um belo vinho na casa de amigos e este me contar que pagou uma ninharia num supermercado. O francês faz questão de dizer que pagou pouco e que foi econômico. Talvez a escassez e a penúria dos tempos de guerra tenham ficado no inconsciente coletivo.
Comprar vinho em supermercado não é pecado. Foi-se o tempo em que os supermercados não possuíam uma boa seleção de vinhos, adegas centrais de estocagem, compradores especializados e profissionais preparados para orientar o cliente. No Hexágono, outra maneira de chamar a França, Michel-Edouard Leclerc, diretor geral da E.Leclerc, uma das maiores redes de supermercados, lançou o Foire aux Vins, literalmente feira do vinho, nos anos 80, hoje uma instituição nacional. Todos fazem sua feira, mesmo as melhores delis, empórios e sites especializados. Uma grande seleção de vinhos é colocada em promoção. São lançamentos, vinhos de prestígio, final de estoque e, claro, encalhes. No Brasil o supermercado carioca Zona Sul foi o primeiro a implantar, este ano, o conceito, com imenso sucesso. Lançou o encarte com o título de Festival do Vinho e promoveu dezenas de vinhos de importação exclusiva. O consumidor percebeu que a oferta era verdadeira e foi às compras. Cinquenta mil garrafas vendidas em apenas uma semana. O Festival veio para ficar.
O próximo passo para os melhores supermercados brasileiros é ir aos leilões de "vin primeur" (compra de grandes vinhos antes destes serem engarrafados) de Bordeaux, Borgonha e Limoux. Comprar produtos exclusivos, de alto nível e a melhores preços. Como faz há alguns anos o E.Leclerc, hoje o maior comprador de primeur de Bordeaux. Afinal, o mercado brasileiro está maduro para esta ousadia.

23.12.08

Férias de Natal

Férias de Natal

O Blog entra de férias e volta com força e vigor no dia 5 de janeiro.

20.12.08

Casal Sarkozy recebe no MAM com Crémant de Limoux


Carla Bruni Sarkozy chegam ao Brasil em visita oficial.


A recepção que Nicolas Sarkozy e Carla Bruni-Sarkozy oferecem à comunidade francesa no Brasil será no MAM. Local emblemático, pois muito perto da Ilha de Villegagnon, França Antártica, tentativa francesa de conquista do Brasil na época colonial. Na época os “huguenotes”, protestantes, chamavam nosso Pão de Açúcar de "pote de manteiga" devido a sua forma. Pelo visto o nome não pegou.

Na ocasião será servido o brut Crémant de Limoux Grand Cuvée 1531 da Aimery, vendido apenas no empório carioca Zona Sul. Ano passado este espumante do Languedoc foi eleito pela revista Stern, na Alemanha, o sexto melhor do mundo, perdendo apenas para algumas poucas e excepcionais champagnes. A seleção foi do chef Roland Villard responsável pelo cocktail presidencial. Afinal, Roland como Embaixador do Sul da França no Brasil não poderia fazer melhor escolha.

17.12.08

Sucesso para o novo Guia JB de Vinhos





Chega amanhã nas bancas o Guia JB de Vinhos. Um golaço do craque Alexandre Lalás que há alguns anos tenta lançar uma revista de vinhos no mercado. Consegue junto com o JB e de cara terá a maior tiragem do mercado. Encartada mensalmente no tradicional matutino carioca e na austera Gazeta Mercantil. O Guia poderá também ser encontrado nas boas bancas de jornal e em empórios e delis pelo Brasil a fora. O forte da revista, como da sua coluna, são as degustações de vinhos.
Vá correndo comprar o seu. Sucesso.

15.12.08

Como servir seu brut

Da esquerda para a direita a melhor taça para servir e apreciar seu brut: tulipa, flute e coupe.


Vão chegando as festas de final de ano e muitos se perguntam como servir o brut ? Brut é também outra maneira de chamar o vinho espumante ou efervescente. Aqui no Sul da França é Crémant ou Blanquette de Limoux e seu descendente mais famoso é o Champagne. Todos devem ser servidos bem gelados em torno de 6 a 8 graus. Quanto mais novo o seu brut mais gelado. Um brut safrado ou maduro pode ser servido entre 8 e 10 graus.

Para que sua garrafa seja servida na temperatura ideal coloque-a 15 a 20 minutos antes num balde com gelo e água, adicione um pouco de sal grosso, como fazem os profissionais, para que gele mais depressa. Se você não tiver balde coloque seu brut na parte inferior da geladeira 3 ou 4 horas antes dos convidados chegarem. Evite o congelador, mas em caso de urgência não deixe que passe de 45 minutos. Se congelar vai ficar muuuuito ruim.

Qual a taça ideal para o serviço? A melhor não é a antiga e charmosa “coupe” mas, pela ordem, a taça em forma de tulipa e a“flute” tradicional. Evite as taças de design esquisito que andam à venda. A “coupe” faz com que os aromas se dispersem muito rapidamente. A tulipa por sua forma mais fechada nas bordas retém por maior tempo os delicados aromas de seu espumante.

12.12.08

Poda de inverno



O velho ditado dos viticultores nos ensina qual o momento ideal para a poda. Desde a queda das folhas em novembro até março antes da brotação (débourrement) em abril as videiras devem estar podadas. É que no momento da poda a videira chora, este choro é rico em açúcares e ácidos e aumenta a sensibilidade da planta à geada, por isso o corte deve ser oblíquo e em sentido oposto ao broto para não molhá-lo, pois molhado e caindo uma geada este morreria. Em março com o clima mais ameno, ela vai parar de chorar mais rápido, vai secar, cicatrizando o corte e oferecendo menos risco de contrair doenças. Nem sempre é possível realizar a poda em um só mês, sobretudo se o vinhedo é grande. O viticultor procura sempre deixar para março a poda das melhores parcelas, isto é, daquelas que darão os melhores vinhos.

8.12.08

Até o WSJ vende vinhos nos EUA

O filão da venda do vinho pela internet não para de crescer. Ano passado 7% da venda de vinhos nos EUA foi feita pela internet. Com a crise a tendência é que este percentual aumente. Explico. O custo de distribuição nos EUA gira em torno de 50% do preço do vinho e a retirada de um elo desta corrente pode representar a economia para o consumidor de 20% a 35%. Com este raciocínio e tendo um grupo de leitores cativos de alto poder aquisitivo o Wall Street Journal lançou o seu site de venda de vinhos- www.wsjwine.com
O curioso é que ele coloca os vinhos do Languedoc Roussillon como sendo do Midi. Midi designa a região sul do país, como o Mezzogiornona na Itália. Mas não possui um significado maior no que concerne a regiões vitícolas. No site encontramos três vinhos do Languedoc Roussillon: Mas de Daumas Gassac reserva tinto, Vin de Pays d'Oc e Blanc Neuf La Bastide, Vin de Pays d'Oc e o Château Portal Minervois, como diz o nome um AOC Minervois. Uma pequena amostra da região, porém representativa de sua qualidade.
Esta seleção mostra grandes vinhos sendo dois VDP, isto é, que possuem um corte diferente do autorizado para a região para serem classificados como AOC. No entanto o rendimento e o método de condução lhes garantiriam as condições para de AOC. Na boca então nem se fala, são excelentes. Na boca então nem se fala, são excelentes. Quem sabe a Gazeta não lança seu site de vendas?

4.12.08

Flash: Entrevista sobre biodinâmica

Entrevista com Emmanuel Cazes do Domaine Cazes, biodinâmico no Roussillon, Sul da França. Seus vinhos são importados pela Expand. Ao seu lado Acari Amorim da Quinta das Neves que buscou conselhos de condução para sua propriedade em Santa Catarina. Cazes pratica a biodinâmica desde 1998. Gravada em maio 2008 mas super atual em função da matéria abaixo.
Cazes - "Para adotar a biodinâmica deve-se estar pronto para fazer muitos sacrifícios. E sobretudo desejar fazer a biodinâmica e querer fazer evoulir o vinhedo e o vinho."

3.12.08

Vinho biodinâmico é feitiçaria, não existe


Gerard Depardieu ator e viticultor desde 1989 tem vinhedos em Anjou, Languedoc, Bordeaux, Espanha, Marrocos,...

Quem assegura é o ator e dublé de vitivinicultor Gerard Depardier. O ator vai mais longe e diz -"isto é uma seita e deve ser parada". A frase é polêmica, mas não choca os cientistas. O orgânico é um método científico, mas a eficacidade do biodinâmico não pode ser comprovada e muitos a chamam de feitiçaria como o pesquisador argentino do Centro de Pesquisas francês INRA de Gruissan, Hernan Ojeda, especializado em viticultura.
Em recente visita que fiz ao Domaine Cazes acompanhado de Acari Amorim, da vinícola brasileira Quinta das Neves. Fomos recebidos por Emmanuel Cazes, diretor da propriedade, este afirmou que trabalhava em biodinâmico, mas assegurou que os resultados não podiam ser comprovados. No entanto os princípios que norteiam parecem coerentes com o meio ambiente. "São intervenções que fazemos que servem de estímulo à natureza, mas não tenho como verificar sua eficacidade. Não peço a ninguém que venha se tornar biodinâmico, mas se alguém me procurar vou ajudar e ensinar". Localizado no Roussillon, Sul da França o Domaine Cazes é um adepto de longos anos do método.
O que posso assegurar é que seus vinhos são bons. Se isto se deve ou não à biodinâmica é outra história.

2.12.08

Freixenet quer se instalar no Brasil

A vinícola Catalã Freixenet está buscando uma propriedade na fronteira brasileira com o Uruguai. Quer comprar terras e plantar vinhas. Seu objetivo é a produção de espumantes.
Apesar da Freixenet ficar na Catalunha espanhola e não na francesa, que faz parte do Roussillon, Sul da França, o Blog publica a nota por ser "fronteiriça" e de interesse do leitor brasileiro.

25.11.08

Laboratório italiano estuda a uva mauzac para Aimery-Sieur d'Arques



Os viticultores da Cooperativa de Aimery-Sieur d'Arques, situada em Limoux, Sul da França, iniciaram um estudo sobre a casta mauzac que é a base da emblemática Blanquette de Limoux, o primeiro brut do mundo. Os resultados ficarão prontos em dezembro e serão divulgados durante o salão Mundial de Tecnologia da Vinha e do Vinho de Bordeaux.

Sempre à frente do seu tempo Aimery-Sieur d'Arques vem inovando há anos. Primeiro foi a carta dos territórios de Limoux - a denominação passou a ser subdividida em 4 terroirs bastante distintos - seguida da seleção de parcelas e de um controle de maturidade cada vez mais sofisticado e preciso. Foram grandes os passos e para se manter sempre à frente encomendou um estudo científico sobre as diversas variedades, os clones, de mauzac existentes em Limoux.

Segundo Alain Gayda (que estará no Rio dia 26 e 27 de novembro a convite do supermercado carioca Zona Sul) o objetivo é estudar as diferenças genéticas das diversas mauzac para colocar em evidência a variedade que corresponde perfeitamente ao que desejamos de uma Blanquette método ancestral (o primeiro do mundo), a brut (método tradicional ou champenoise) e para o chamado vinho tranquilo. “Nós conhecíamos até o presente momento o efeito território, millésime, mas subestimávamos o efeito clone. Este passará ser para nós um novo critério de seleção.

Para realizar este estudo os técnicos da cooperativa observaram todas as parcelas de uvas mauzac das quatro variedades existentes sobre os 800 hectares da casta. Foram analisados rendimento, estado sanitário, maturidade e em seguida foram enviadas ao laboratório no norte de Veneza, o nome deste será divulgado apenas em dezembro. Com uma tecnologia ultramoderna de micro-vinificação e de pesquisa. "Em Bordeaux durante o salão degustaremos pela primeira vez os vinhos resultantes desta experiência", promete Gayda.

23.11.08

Mundial biô nasceu clandestino

Thierry Julie, Associação Interprofissional do Vinho Biológico do Languedoc -Roussillon

Na véspera do Forum Internacional de Montpellier que reúne importadores convidados pela Região Languedoc Roussillon e produtores do Sul da França, acontece em Perpignan o Mundial Bio, o mundial do vinho orgânico. Quem lidera o evento é a Associação Interprofissional do Vinho Biológico do Languedoc -Roussillon, AIVB-LR. Fundada em 1991 ela reúne hoje 100 adegas privadas, 4 cooperativas e 7 empresas de distribuição (negociantes). A Federação tem como objetivo promover o vinho de origem orgânica junto ao consumidor, oferecer conselhos técnicos aos seus membros e de representação destes junto aos organismos públicos.
Thierry Julie, presidente da AIVB-LR nos conta que o primeiro salão Millésime Bio realizado em 1993 era um evento ultra confidencial, quase clandestino. Na época reunia meia dúzia de produtores do Languedoc-Roussillon e não tinha qualquer visibilidade. Era um salão feito para nossos amigos e clientes alemães. Estes tinham uma demanda constante por vinhos orgânicos. Com o passar dos anos se juntaram aos alemães os belgas, ingleses, suiços e americanos. Hoje temos asiáticos, cada vez mais numerosos que visitam o salão. A grande distribuição francesa (supermercados) comparece mais por curiosidade, uma pena, conclui Julie.
No Brasil começamos a ver os vinhos biô nos restaurantes e lojas especializadas.