3.7.09

Vinexpo: a esperança é o BRIC

Carlos Eduardo Nogueira da Miolo apresenta seus vinhos.

Na Vinexpo, em Bordeaux, de 21 a 25 de junho, pude notar a presença de muitos brasileiros e de gente de todo o mundo. Se a perspectiva do salão este ano era pessimista, com expectativa de menos 15% de publico, a realidade se mostrou mais otimista, menos 8%. Se não foi um evento para tirar o setor da crise, por outro lado ele fez seu trabalho e movimentou o mercado como de costume. Se para alguns foi melhor para outros foi razoável. Uma aposta no BRIC (Brasil, Índia, Rússia e China) se confirmou. É destes países que o mercado espera ter um crescimento de demanda antes dos demais. Um painel sobre o BRIC aconteceu durante o salão.

O Brasil esteve presente com alguns produtores como a Miolo, Lídio Carraro, Casa Valduga e Dom Laurindo. Tive a oportunidade de provar os vinhos da Miolo e digo que gostei bastante do RAR(Rogerio de Almeida Rebouças) e do merlot Terroir, o badalado lote 43 me cansou. Achei muito importante a participação brasileira, todos juntos sobre a mesma bandeira tal qual Chile, Argentina, Itália, Espanha,... Brasil já confirmou presença em Vinexpo Hong Kong 2010 e Bordeaux 2011, com mais expositores. Sucesso. Qualidade tem. Espero que no Brasil possamos tomar os mesmos vinhos com os preços exportação. Sensivelmente mais baixos.

Se a presença estrangeira representou 35% do publico presente, foram os cavistas (lojistas) franceses, que sofrem mais a crise, que deram o bolo. Do lado internacional Coréia e Formosa decepcionaram. Brasil, China e Europa do norte aumentaram sua participação. Estavam presentes: Grand Cru, Interfood, Casa Flora, Expand, Casa do Porto, Tio Sam, Vinea Store, Cantu, Santa Luzia, Club du Taste Vin, Fasano e Zona Sul. Rio, São Paulo e Bahia disseram presente.

Dânio Braga, o craque nacional, era cumprimentado por onde passava, em italiano, francês, espanhol,...François Dupuis mesmo com agenda cheia tinha tempo para um papo com os amigos. Jorge Lucky se desdobrava entre a sala de imprensa, degustações, a consultoria para a Interfood e nos momentos de folga um alô pros coleguinhas. Arthur Azevedo, sempre simpático, percorria os stands ora com os sommeliers profissionais ora com importadores brasileiros. Aguinaldo Zakea acompanhava o boss da sempre ativa Vinea Store Walter de Souza e seu diretor de marketing Ivan Hannickel. O atencioso Roberto Jerfer, Fernanda Milred e Ana Rita da Expand visatavam antigos e novos fornecedores. Espero que todos tenham feito bons negócios.

Os grandes do Languedoc Roussillon ficaram no pavilhão 1 junto aos outros grandes châteaux, domaines e negociantes. Foi o caso de Chamarré, Gerard Bertrand, Jean Jean, Sieur d’Arques e Val d’Orbieu ( Vignerons de la Mediterranée). No pavilhão dois os independentes do Languedoc se juntavam a italianos, espanhóis e alguns bordelenses. Destaque para Famille Fabre, Rocbère e Bon Fils.

Esta é a sala de imprensa, mas bom mesmo era o bar da imprensa na sala ao lado.

1.7.09

Calor no Languedoc


Uma frente quente se instalou no Languedoc e a temperatura chega a atingir 38ºC, fácil. A garotada faz igual nos subúrbios do Rio e se refresca como pode. O fogo é outra presença constante no verão ontem foi em Caune-Minervois que um bosque de pinheiros ardeu. Mas as vinhas seguem bem pois suas raízes são profundas e buscam água até mesmo abaixo dos 50 metros. Como as chuvas na primavera e inverno foram generosas e o tempo está seco, o que diminuiu os ataques de mildio e oídio, até agora tudo vai bem com a safra 2009. Ou melhor com seu vinho de 2010.

20.6.09

Brasil é o segundo maior consumidor de vinho da América Latina

Um recente estudo sobre o consumo de vinho no Brasil publicado pelo IWSR (International Wine and Spirit Record) coloca o Brasil como o segundo país consumidor da América Latina, logo depois da Argentina. O consumo atual é de 326 milhões de litros e o IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho) prevê um crescimento de 13% até 2011 elevando o total para 369 milhões de litros. O consumidor brasileiro está buscando vinhos de melhor qualidade, o que tem feito aumentar a importação. Isto fez com que no período de 2002 a 2007 ocorresse um aumento de 220% no volume e de 300% em valor dos vinhos importados. Esta tendência também beneficiou o produtor brasileiro de vinhos finos.

A crise mundial afetou as exportações e alguns importadores, mas parece que tudo volta a entrar num ritmo normal. A Vinexpo que começa dia 21 em Bordeaux e reúne a nata dos produtores mundiais e com enorme presença dos produtores do Languedoc Roussillon, terá um expressivo número de importadores brasileiros presentes. Destaque para Casa Flora, Casa do Porto, Zona Sul, Cantu, Fasano e Santa Luzia. Afinal, o consumidor brasileiro começa a se voltar para a qualidade e a diversidade. Neste quesito o Velho Mundo ganha de goleada.

7.6.09

Beba vinho e viva mais cinco anos


Beber até meia taça de vinho por dia pode aumentar sua expectativa de vida em cinco anos. É o que afirma estudo científico realizado pela universidade holandesa de Wageningen e publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, um jornal especializado. Bebendo outro tipo de álcool, como cerveja, por exemplo, o aumento da expectativa de vida é de 2,5 anos. O vinho oferece uma expectativa de vida duas vezes maior. Lembre-se a dose é de meio copo por dia, acima disto a expectativa diminui. O estudo não levou em conta a cor do vinho.
O papo é sério. A pesquisa levou quatro décadas, começou em 1960 e terminou em 2000. O grupo analisado foi de 1400 pessoas. Foram levados em consideração peso, hábitos alimentares, tabagismo e origem social. A conclusão aponta que o consumo de vinho contribui para evitar principalmente doenças coronarianas e cerebrovasculares.

3.6.09

Degustação de vinhos do Sul da França é sucesso em Salvador


Laurent Mingaud enólogo de Aimery e este blogueiro no Trapiche Adelaide em Salvador.

Foi muito boa a receptividade do público baiano aos vinhos do Languedoc Roussillon, em Salvador, no evento da Adega Tio Sam, que se realizou no Trapiche Adelaide dias 1 e é de junho. Profissionais e amadores ficaram encantados com o espumante da Aimery e com seus varietais tranquilos. O Corbières Les Deux Rives teve amplo sucesso. Os vinhos tinham preço que oscilavam entre 29 a 54 reais para o consumidor. O destaque francês ficou por conta do Pinot Noir Vicomte de Coussergue. Uma agradável surpresa para os enófilos que esperavam um preço mais salgado. Os vinhos foram degustados em avant première e chegam ao Brasil em final de julho.

28.5.09

Brasileiro aprova o Vin de Pays. Vendas aumentam.

Os Vin de Pays do Languedoc Roussillon, maior vinhedo do mundo, responsável por 33% de todo o vinho francês, de 20% dos seus AOC e de 70% de seus Vin de Pays. Este é notadamente de varietais ou de duas castas, aumentam seus espaços nas gôndolas e prateleiras brasileiras. Num cenário global em que a França em 2008 aumentou suas vendas em valor e diminuiu ligeiramente em volume os vin de Pays vão na contra-mão, cresceram.

Vinhos fáceis de beber e de se entender. O nome das uvas vem escrito no rótulo, o que facilita a vida do consumidor brasileiro habituado a comprar vinho de casta, o varietal.

Um crescimento de 4% em volume dos Vin de Pays do Sul da França quando o conjunto francês recuou de 27379hl para 24662 hl em 2008. Os VDP (não confundir com vin de table) atingiram 5578 hl.

Lembro que Vin de Pays não é classificação exclusiva de vinhos baratos. Mas de Daumas Gassac e Cuvée Mythique são vinhos antológicos e ambos vin de pays, o primeiro do departamento do Hérault e outro d’Oc, a classificação mais alta e rígida dos Vin de Pays. Ambos já receberam excelentes notas de Parker, Jancis Robinson, Guide Hachette,...

Claro, Vin de pays, normalmente é um vinho do dia a dia. Como são bons os vinhos do dia a dia, como são conviviais, como são companheiros de grandes momentos entre amigos.

Se estes vinhos cresceram é por que chegaram nos últimos anos ao Brasil vinhos de qualidade, adaptados ao paladar brasileiro, sem renunciar a sua autenticidade. Hoje nos oferecem prazeres diferentes dos que estávamos habituados, notadamente os de Chile e Argentina.

Ouse. Deguste um vin de pays de excelente qualidade ou simplesmente inicie-se no mundo dos vinhos por esta bela porta de entrada que são os vinhos do Languedoc Roussillon. Descubra novas uvas, novos sabores e o estilo Mediterrâneo de beber vinho.

Aproveito para pinçar um comentário do craque Philippe Faure-Brac sobre os vinhos do Languedoc Roussillon: -“O novo é o Languedoc Roussillon, isso é extremamente importante. Porque o Brasil é um país que tem um olhar sobre o futuro, é a novidade que se encaixa nesta perspectiva. É um vinho de boa relação qualidade preço, com grande volume de produção... há uma grande variedade de castas, uma grande diversidade de gostos, um amplo espectro de preços. É um bom caminho para aprender sobre vinhos”.

17.5.09

Abaixo de cem pratas


Esse papo de dizer que vinho francês tem de ser caro é coisa do passado. A turma acordou. Primeiro foi a Provence, em seguida o Languedoc Roussillon (Sul da França) e agora Bordeaux. Em breve será a Borgonha. Champagne, representada pelas grandes marcas, vai muito bem, obrigada. O Brasil voltou a ser prioridade lá fora. Vai se levantar da crise antes dos americanos e europeus, se é que caiu. A vice ministra francesa do Comércio Exterior, na Expovinis, disse que a França pretende ter 10% do mercado. Vai ter de arregaçar as mangas, ainda falta dobrar de volume.
Abaixo de 100 reais tem vinho de Bordeaux bom como os já citados e vou defendê-los. Esse papo de “entry level”, ou se preferir “cœur de marché” ou vinhos para os que se iniciam, tem um papel fundamental na educação do paladar. Quem tem hábito de chileno e ficou fazendo esta escolha nos últimos anos limitou sua evolução gustativa, escolheu como porta de entrada no mundo dos vinhos uma escola menor, que prima pelos artifícios industriais, especialmente nos vinhos mais acessíveis. Chegaria ao limite de dizer que o cachimbo, neste caso, deixou a boca do enófilo torta.
Se quero educar meu paladar e me iniciar nos vinhos com um orçamento limitado, como qualquer um que estuda, devo começar pelos clássicos, no caso pelas escolas tradicionais, a saber, França, Itália, Portugal e Espanha, em resumo, o Velho Mundo. Depois, só depois, irei ao Novo Mundo. Neste, por puro nacionalismo, vou primeiro de Brasil.
Com os clássicos bebo na fonte. Tenho a base para minha evolução e não preciso me restringir a uma só região, posso descobrir denominações, castas e terroirs que me farão viajar por estilos e abordagens distintas do vinho. Num aprendizado enriquecedor e diversificado.
No Velho Mundo não tem essa de ficar repetindo o mesmo bom vinho eternamente. Passeie na gôndola e pegue um vinho de Mâcon (Borgonha), um Saint Amour (Beaujolais), um Sancerre (Loire), um Fitou (Languedoc), um Grave ( Bordeaux) e descubra a diversidade, a elegância, a raça e a expressão da vinicultura francesa. Fique tranqüilo todos podem ser encontrados por menos de 100 reais.

Convido cada importador, representante ou simples consumidor que se encantou com um bom vinho europeu que diga qual foi seu vinho MUITO BOM, escala ABS, que custou menos de 100 reais.
Vou a atirar a primeira pedra como manda a Lei e mais algumas pra não dizer que conheço apenas um, a exceção, que comprova a regra.
Espumante: Bulle de Blanquette Nº1 da Sieur d’Arques no Duty Free por 16 US$, Crémant de Limoux Cuvée 1531brut da Aimery no Zona Sul, 38 reais, AOC Corbières Château Ribaute Cuvée François le Noir uns 80 reais, Bordeaux Château Grand Rivallon Saint Emilion Grand Cru102 reais, Cuvée Mythique Vdp d’OC branco na casa dos 60 reais, Château Etienne de Lauzes cuvée Yneka AOC Saint Chinian 100 reais, e muito mais.

24.4.09

A elegância do vinho



Outro dia entrevistei Olivier Poussier, melhor sommelier do mundo em 2000. Ele comentava, nas entrelinhas, o estilo do vinho francês que prima pelo equilíbrio da acidez com o álcool, delicadeza, precisão, em resumo, elegância. Palavras marcantes.

Em Limoux, no Languedoc, Poussier encontrou nos vinhos do terroir de Haute Valée toda a característica de um grande chardonnay francês. Onde tensão e expressão mineral se mostram plenamente. E não uma caricatura desta uva como existem tantas pelo mundo a fora.

Poussier é também o consultor de Lenôtre e Air France e foi voando que vi sua mais recente carta da business class. Desta vez o chardonnay da carta não era o de Limoux, mas o Saint-Véran do Château de Fuissé 2006, de JJ Vincent. Este borgonha é um retrato fiel de sua preferência. Frescor, fruta, mineralidade, untuosidade, equilíbrio, tudo de forma muito precisa.

Quando escolheu o tinto de Pessac- Léognan do Château Brown 2004 de Y. Mau, a mesma filosofia se transportou para Bordeaux. Este tinha um nariz expressivo e generoso, na boca redondo, aveludado, macio.e longo. Elegante.

O vinho elegante é companheiro ideal da boa mesa e da boa companhia. No céu ou na terra.

21.4.09

Grandes Vinhos de Limoux pertinho de você


O vinho do Languedoc-Roussillon começa a chegar ao Brasil e o faz pela porta da frente, se destacando entre os franceses. De produtor de vinho de garrafão à emergência de seus AOCs o Sul da França percorreu uma longa estrada. A substituição de castas de alto rendimento e baixa qualidade, como a aramon, foi um grande passo. A plantação de cepas nobres como a syrah, merlot e chardonnay, o rigor no controle do rendimento e nos métodos de condução do vinhedo foi fundamental para esta evolução. Uma mudança de mentalidade, a busca da qualidade entre os viticultores de uma região é um trabalho que exige tempo e dedicação de muitos. Alguns personagens do Languedoc tiveram e tem atuação de destaque neste percurso.
Um destes é o enólogo Alain Gayda, ex-presidente da União de Enólogos da França de (1998 a 2003) e diretor geral das Cave de Sieur d'Arques - Aimery, tida como a melhor cooperativa da França. Em 1980 ele chega como enólogo e começa a classificar as 3400 parcelas da denominação Limoux. Este enorme esforço permitiu, após alguns anos, dividir a denominação em quatro territórios: Autan, Oceânico, Alto Vale e Mediterrâneo. Cada um com características de clima, pedologia, topografia, inclinação e exposição ao sol bem definidas que são facilmente percebidas na boca.
Limoux é conhecida por seus espumantes e por seus vinhos brancos de uvas chardonnay que, necessariamente, segundo decreto da denominação, tem de ser vinificado e envelhecido em barris de carvalho. Destes 4 terroirs podemos encontrar nas lojas duty free dos aeroportos brasileiros o Toques et Clochers Autan, que recebeu medalha de ouro no I Concurso ABS de Vinhos Sud de France. Mas também o do terroir Mediterrâneo do Clocher La Gardie, vendido apenas no leilão de Toques et Clochers, arrematado em 2008 por Armando Martini da Casa do Vinho de Belo Horizonte. Um top, vinho para mais de 90 pontos. A versão blend, nas duas cores, dos 4 territórios chama-se Terroir de Vignes et de Trufes também vendida pela Casa do Vinho. http://www.casadovinho.com.br.

17.4.09

Dois craques e um perna-de-pau


Não resisti. Perco o amigo, eu mesmo , mas não perco a piada. Pierre Troisgros, decano da alta gastronomia francesa e Olivier Poussier, melhor somellier do mundo em 2000, ambos craques e seu blogueiro que, na cozinha, é um perna-de-pau.

15.4.09

Um café da manhã com os melhores chefs da França. Inesquecível.

Na foto da esquerda para a direita: Roland Villard, Michel Bras, Claude Troisgros e Olivier Roedinger. Michel Guérard juntou-se ao grupo durante o almoço.

O chef Roland Villard veio participar do XX leilão beneficente de Toques e Clochers, onde o primeiro é o chapéu do chef e o segundo, o campanário das igrejas. Para comemorar os 20 anos de seu grande leilão, Sieur d'Arques/Aimery, a cooperativa vinícola promotora do evento, trouxe como paraninfo não apenas um chef três estrelas Michelin, como nos anos anteriores. Abusou, trouxe quatro: Michel Troisgros, Michel Guerárd, Olivier Roedinger e Michel Bras. Um quarteto digno de filmes de capa e espada. O d'Artagnan, com certeza, era Bras que se recusava a trocar seu t-shirt por um smoking, ou mesmo um blazer, como exigia o cerimonial.
Num amigável e descontraído café da manhã, juntaram-se a esses quatro mosqueteiros - que prepararam à noite um jantar de gala para 850 convidados especiais - Georges Blanc, o decano da cozinha francesa Pierre Troisgros e Roland Villard, do Sofitel Rio. Também à mesa, as esposas de Blanc, Villard e Rebouças. Pierre Mirc, presidente de Sieur d'Arques, Alain Gayda, diretor Geral de Sieur d'Arques e meu amigo eram os anfitriões. Numa mesa ao fundo, atrás de uma coluna, o tímido Olivier Poussier, craque dos vinhos, driblou os mosqueteiros e saiu de fininho para não cometer excessos tão cedo.

O local deste mágico encontro foi o salão principal do Relais e Château Domaine d'Auriac, quatro estrelas, pertinho de Carcassonne, famosa por abrigar a maior cidade medieval fortificada da Europa. A longa mesa, desproporcionalmente grande para o seleto grupo de convidados que ocupava menos da metade dos lugares, permitiu, após uma breve introdução, um bate-papo interessante e cordial entre todos. Os chefs entraram rapidamente em animada conversa sobre o grande evento e esse momento único que reunia a nata dos chefs franceses em defesa da denominação de origem Limoux e de seu famoso leilão. Troisgros contava como foi o primeiro, e muito mais modesto, leilão de Toques e Clochers. Blanc enaltecia a qualidade dos brancos de Limoux ,que descobriu quando foi o paraninfo em 97. Para Guérard, era mais uma grande oportunidade de promover a cozinha francesa. Ele é seu defensor oficial junto à Unesco, onde pleiteia, em nome da França, classificá-la como patrimônio mundial imaterial. Se conseguir, será a primeira cozinha do mundo a fazê-lo.
Após uma rápida introdução de Gayda, o chef Roland ficou à vontade entre seus pares, tão à vontade que logo me apresentou aos seus colegas de profissão e pude contar um pouquinho do meu trabalho para divulgar o Languedoc no Brasil. Michel Troisgros, irmão do chef Claude, que mora e trabalha no Rio, logo contava de suas passagens pelo Brasil. Seu irmão em lua de mel na Austrália era o grande ausente.
Mas quem acha que o café da manhã dos chefs era um café como o dos demais mortais se engana. Muito diferente de um “brunch” de um hotel internacional. Diversos pães e viennoiseries, manteigas e geléias preenchiam a mesa. Aos poucos foram se juntando deliciosas fatias, bem fininhas, de presunto cru Pata Negra, o clássico patê de campanha e um apetitoso paté de téte. Antes que o leitor comece a sonhar, esta deliciosa iguaria é feita com a cabeça do porco. Se você tiver alguma reserva ao ingrediente, prove antes e pergunte o que é depois. Ou melhor, não pergunte. A uma delicada omelete com aspargos selvagens seguiram-se queijos e o tradicional cassoulet, o grande prato típico regional. Do lado doce, cascas de laranja "confit" e uma espécie de mingau, bem cremoso, com canela.
Enquanto o chef Philippe Ducos, do Domaine d'Auriac, uma estrela no guia Michelin, mostrava suas qualidades oferecendo diversas comidinhas deliciosas, seu sommelier servia os grandes vinhos de Limoux. Duas opções de tinto ressaltavam a parceria entre Sieur d'Arques e a baronesa Philippine de Rothschild. De um lado, o tinto de Baron' Arques 2004, carro chefe da baronesa no Sul da França, incensado pelo guia Hachette. De outro, seu "primo", o tinto Occorsus 2003 de Sieur d'Arques. O AOC Limoux branco do Clocher de Saint Polycarpe, do leilão de 2001, cheio de mineralidade, lembrava um Montrachet. O branco preenchia a maior parte das taças à mesa. Os grandes chefs provavam de tudo, a toda hora, como de hábito. É, esse encontro vai ficar na memória.
De pé Pierre Troisgros e sentado George Blanc.

Detalhe da mesa com cassoulet em destaque e o corte do presunto Pata Negra.

8.4.09

Entrevista com Philippe Faure-Brac

6.4.09

Nos bastidores do XX leilão de Toques et Clochers


Ontem entrevistei Olivier Poussier e Philippe Faure-Brac dois craques da sommelerie mundial e francesa em particular. Poussier foi campeão do mundo em 2000 e conhece bem os vinhos brasileiros, Faure-Brac sagrou-se campeão no Rio em 92 e hoje também produz vinhos no Sul da França, é um Rhône, do departamento do Gard. Este esbanja simpatia e fala com simplicidade já Poussier mais tímido, se exprime com uma técnica impressionante e recheada de poesia. Em breve no Blog.

Na foto Olivier Poussier inaugura sua fileira de vinhas no château de Flandry mais uma homenagem de Sieur d’Arques aos grandes sommeliers.

1.4.09

Os grandes vinhos de cooperativas do Languedoc


Há quem diga que cooperativa só faz vinho ruim. Cantiga comum na boca dos maiores especialistas. Esta afirmação esteve próxima da verdade há 20 anos atrás, quando todos os viticultores do Languedoc, sul da França, faziam vinhos ruins. Como se sabe esta realidade mudou. Nas diversas apelações da região como Corbières, Fitou e Minervois os métodos de condução dos vinhedos, a substituição de certas castas, a melhoria dos métodos de vinificação, a busca da qualidade e não mais do volume, foram responsáveis por esta evolução. Na verdade o que se viu foi uma mudança na mentalidade do viticultor. A partir dos anos 70 diversas apelações se tornam AOC, uma recompensa ao esforço de cooperados e produtores independentes.

Sieur d’Arques-Aimery
Limoux é a mais antiga apelação controlada do Languedoc, seu decreto foi publicado em 1938. Hoje a Cooperativa de Sieur d’Arques-Aimery, em Limoux, é um exemplo de que não são apenas os Chateaux e Domaines que fazem grandes vinhos. Uma prova deste reconhecimento é joint-venture desenvolvida com a baronia Philippine de Rothschild, em Saint-Polycarpe, onde produzem excelentes tintos AOC Limoux.
Sieur d’Arques tem na linha Toques e Clochers seu ponto alto. Os AOC Limoux brancos, 100% chardonnay e com no mínimo 12 meses em barricas, são resultado de uma seleção extremamente rigorosa tanto das parcelas e seus viticultores quanto dos territórios da apelação. Limoux foi dividida em quatro terrirórios geo-climaticamente diferentes. Haute Valée (alto vale), na montanha, a mais de 300 metros de altitude, com índice pluviométrico em torno de 750 mm, com primavera tardia e outono fresco. O solo é argilo-calcáreo mais ou menos pedregoso. A maturidade da Chardonnay é tardia. O território Mediterranean (Mediterrâneo), situa-se entre 100 e 200 metros, tem precipitações de 650 mm, é muito exposto aos ventos do mediterrâneo, o chamado marin. Sua geologia é de aluvião recobrindo um marna argilo-calcáreo. Océanique (Oceânico) tem altitude de 200 a 300 metros, chuvas que atingem 780 mm e uma maturidade tardia. O solo é de arenito pedregoso do período luteciano. Estas diferenças vão dar 4 vinhos bem distintos todos pontuados em torno de 90 pontos. A cor é de um amarelo ouro para todos, sendo o oceânico um pouco mais claro. Todos muito complexos cada um se harmonizando melhor com um prato diferente ou mesmo no aperitivo como o Océanique. O campeão de popularidade é o Haute Valée que combina maravilhas com frutos do mar e peixes, mas também pode ser servido em aperitivo. Bem encorpado, tem um final largo na boca onde se percebe maçã, pêra e especiarias, com um ligeiro toque de defumado. É por isto que após degustar os 4 territórios Michel Lorain disse ” ...e eu achava que um bom chardonnay só podia ser feito na Bourgonha e não é que eu me enganei!”
Segundo Alain Gayda, diretor geral e enólogo, com uma presença marcante de chardonnay, a grande uva de Limoux, é no Crémant de Limoux Toques et Clochers, ainda não disponível no Brasil, que toda a experiência e tradição beneditina se exprimirá. Selecionada como melhor opção de compra pelo famoso Guia Hachette e com pontuação superior a 90, este crémant colhido manualmente passa pelo menos 12 meses em barris de carvalho antes de entrar numa garrafa. Toques et Clochers tem bolhas delicadas e é muito aromático onde ressaltam o pêssego, a avelã e notas de manteiga. Melhor que muitos brut de Champagne e custando menos da metade do preço provocou a troca em muitas cartas de vinhos de grandes restaurantes franceses. Outro destaque entre os espumantes de Sieur d’Arques é a Cuvée 1531 de Aimery, importada pelo supermercado carioca Zona Sul, recomendada no Guia Hachette de vinhos 2007 e medalha de ouro no Concurso Geral Agrícola de Paris. A Blanquette de Limoux Cuvée Imperiale, importada pela Nunes Martins, sob o selo Aimery, é um entrada de linha para restaurantes e empórios, com uma ótima relação custo benefício que honra a tradição desta excelente cooperativa e de suas "branquinhas".