17.4.07

Vinhos do Novo Mundo não são tão bons para o coração quanto os do Velho Mundo.



O livro The Wine Diet lançado neste início de ano na Inglaterra pelo respeitado pesquisador inglês Roger Corder, da Universidade Queen Mary de Londres, promete gerar polêmica. Perguntado pelo semanário científico Nature se os vinhos tintos populares do Novo Mundo contribuíam de forma idêntica no combate à arteriosclerose ele afirmou categoricamente que “de maneira alguma, alguns produzem efeito (inibidor) equivalentes ao do vinho branco”.
Que o vinho consumido diariamente com moderação faz bem à saúde o brasileiro já sabia. Mas que certos vinhos franceses podem ser até 10 vezes melhores para a saúde do que os do novo mundo poucos se deram conta. Roger Corder é pouco conhecido do grande público, mas muito respeitado no meio acadêmico. O autor busca em suas pesquisas compreender o chamado Paradoxo Francês, isto é, o fato dos franceses terem menos doenças coronarianas que os americanos, australianos e outros europeus, apesar de se alimentarem com mais gorduras saturadas, fato colocado em evidência pelo professor Serge Renaud. Os vinhos franceses possuem mais antioxidantes e ainda mais procianidina (um polifenol) do que os demais, notadamente os do sudoeste da França, AOC Madiran e os da Sardenha, além do Languedoc-Roussillon, Bordeaux, Portugal e Espanha. O estudo aponta que o princípio ativo tem origem na casca das uvas tintas e/ou outros componentes da uva durante o processo de fermentação (longa fermentação ou maceração). Variando conforme a altitude, a casta, vantagem para a Tannat, e a procedência do vinho. Segundo Corder, os vinhos tintos fazem bem, mas os do Novo Mundo são menos eficientes enquanto inibidores.
No seu livro The Wine Diet Corder, além de dar receitas, seleciona alguns vinhos que fazem muito bem ao coração, como o reputadíssimo Mas de Daumas Gassac, um VDP do Herault, Sul da França. Corder explica que os vinhos tintos do Velho Mundo atuam com mais eficácia na inibição da produção do peptídeo endothelin-1 (ET-1) por suprimir a transcrição do ET-1 gen, crucial para o desenvolvimento da arteriosclerose (doença em que placas que contêm colesterol e lipídios obstruem as artérias). O estudo comprova ainda que o suco de uva é um inibidor muito menos eficaz, da mesma forma que os vinhos brancos e os rosés. Surpresa: o chocolate é um bom parceiro do coração.
Tenha uma longa vida, beba vinhos franceses.

2 comentários:

Maurício Castello Branco disse...

É sempre bom ter boas informações direto da fonte!!

Ana Lucia de Almeida disse...

O bom é que este blog informa sobre vinhos e vinícolas de um jeito que a gente não precisa ser expert, só gostar de vinhos!